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Horizontal

É amplo o horizonte desta margem
Os ciscos dançam no ar e na água
Como fazem os pensamentos na mente
As pedras ali dão oito e até dez pulos
Mas, tal como tudo, afundam
A mente formula um cálculo:
Quanto subiu o nível d’água
Do pedrisco que ela absorveu
Ela finge que não e mostra que sim
É tão incerta quanto a incerteza
Lança-se no telhado e se esconde
Vê por entre arbustos
Tapa a boca um riso
Observa a vida indo
Diz não se importar
Pra onde caia sua finalidade
Quer, quer muita coisa
Quer tudo
E quando conseguir, tentará mais
O que importa é querer
Continuar querendo
Vagueia  e diz ser fixa
Na mão, nem dois, nem um, nem nada
Canta no chuveiro, é uma cantora
Compõe um poema que nunca mostrará
Engole a saliva, troca olhares, rima amor,
Mas tem medo de se emancipar
Há por aí muitos riscos
Um risco palavras
Com cheiro de
Com gosto de
Melhor colocar os sapatos
Sair
Respirar fundo e manifestar
Que as entradas
Também são saídas.

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