Opinião

Matemáticos históricos

É possível usar a história para defender a morte e a vida, o bom e o mau, a fome e a abastança, a paz e a guerra, o cristão e o viking. Eu falei usar história. Em verdade, a história, de fato, é a que conta. Narra. É a que está registrada, sempre considerando o oposto e fazendo todo o possível para isentar-se do juízo de valores dos opostos. Ou, melhor ainda, não considerando nada, apenas contando pra que cada um considere como puder. A que vem não somente narrada mas inferida com a conclusão já dada por um dos opostos está viciada na parcialidade. E não é propriamente história. Usar fatos históricos para defender uma determinada ótica é um dos mais antigos meios de persuasão. Ela também se apropria da autoridade para intimidar. Por exemplo, citando: Fulano de tal da academia também viu isso que eu vejo. O que quer dizer: Se você tentar contraditar, veja quão Grande autoridade concorda comigo, tente não passar por um idiota! Uma vez chamei o próprio Freud em um artigo de idiota por causa disso, desmistificar autoridades que foram elevadas a deuses para inutilizar o pensamento de oposição baseado nos mesmos dados que ele tinha à disposição. Freud e tantos outros homens eram somente isso: Homens. Qualquer um pode supera-los ou iguala-los em conhecimento, basta querer. Nem Jesus se lançou acima de sua natureza humana nos milagres. Disse que qualquer um poderia fazer coisas maiores, bastava crer. Se é assim com Jesus, imagine com bostinhas como Freud e Sartre. Persuasão não é história, é propriamente o sofisma na história. A história nesse caso não está isenta, pois, é a habilidade de lidar com os dados e registros que está em jogo.
Um exemplo bem didático é o do período militar. O que se vê é um imenso jogo de persuasão, principalmente pelas esquerdas que dominam o ensino, a comunicação e os meios editoriais. Os outros que, com os mesmos dados se opõem, são execrados tão logo se manifestem.
Qualquer que trabalhe com os dados está sujeito a concluir por eles o erro. Principalmente quando se trata do dado distanciado. Pode até haver boa vontade, a mesma que faz parte da ingenuidade. Posso não ter o conhecimento histórico profundo que alguns dos escritores que leio têm, mas garanto com toda a calma. Diante dos mesmos dados, contaria uma história bem mais neutra que a deles. Isso por si só me coloca não acima deles, mas bem distante de sua ignorância. A história não é uma ciência exata. Quando se darão conta os matemáticos históricos? Hoje é o dia das crianças, mas é também o dos católicos para a sua fé. No entanto, em várias partes do mundo, é apenas 12 de outubro.

Anúncios