Opinião

Je ne suis pas Charlie

Quando dos ataques contra o Charlie Hebdo, eu creio que estava ainda no Recanto das Letras. Lembro-me de ter escrito um texto contrariando a regra (completamente esquerdista) em que manifestava respeito pelas vítimas, atacadas covardemente, mas afirmando categoricamente que eu “Não era Charlie”.

Entendia que a liberdade de expressão, e ainda hoje entendo, não é salvo conduto para atacar, menosprezar e humilhar as pessoas pelas suas crenças. Contudo, isso não quer dizer que concordasse com atos terroristas, porém acreditava ser óbvio que consequências fatídicas como as que ocorreram poderiam acontecer. Afinal, ninguém pode garantir que ao se realizar ataques humilhantes contra certos grupos, sejam eles religiosos ou não, não encontremos do lado atacado completos malucos.

Pois então, eu creio que a maior parte das pessoas que acompanha notícias sabe sobre o terrível terremoto na Itália que vitimou centenas de pessoas, e desabrigou muitas outras. Deixando a cidade de Amatrice, uma das mais atingidas pelo tremor, com três quartos dela totalmente destruídos. Uma tragédia absolutamente terrível e dramática para os italianos.

O que fez Charlie a respeito? Evidentemente zombou das vítimas fazendo uma charge horrorosa, que não tenho a menor vontade de reproduzir aqui senão direcionando para quem quiser se indignar. (1)

Gostaria de ter conhecido vários dos que se usavam desses cartazes “Je suis Charlie” para ver como anda o grito pela “liberdade sob todas as formas”. E questioná-las se ainda conseguem sustentar o dito diante de tão sórdida mostra da “liberdade sob todas as formas”. Eu pelo menos, a título de coerência, o que nem sempre consigo, fico feliz por ter dito no passado exatamente o que digo hoje: “Je ne suis pas Charlie.”

P.S. (Nem sei se está certo, não sei francês e traduzi na net, hehehe)

(1) Clique Aqui

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4 comentários em “Je ne suis pas Charlie

  1. Vi logo aquela charge repelente e fiquei horrorizado. Com as vítimas (a maiora eram crianças) não se brinca NUNCA! Inclusive a jornalzinho escreveu que as casas desabaram devido terem sido construídas pela Máfia! Oras! Eram todas casas simplórias do século XVIII, quando a palavra máfia nem sequer existia. Publicando aquela charge, Charlie Hebdo mostrou o seu lado racista e anti-italiano, acabando com o crédito que ainda lhe restava.

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    1. A profundidade que algumas publicações chegam no que se refere a baixeza, estupidez e desrespeito é realmente de nos horrorizar, amigo. Com essa história de Máfia, dá pra se perceber que eles não têm limites. Não os do uso da liberdade tão somente, mas da ignorância toda. Abraço.

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  2. Totalmente de acordo!!!
    “A nossa liberdade termina onde começa a dos outros” e, a meu ver, esse tão ilustrado jornal não pratica sátira alguma, apenas uma falta de respeito enorme ao que se passa á sua volta. É lamentável!

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