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Interceptações – Nível Organizacional – Auditoria

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Não seja irresponsável, E. Tenho plena confiança em sua capacidade de reflexão e ação. Mas a caricatura de sua administração está ficando deveras pitoresca. Pra não dizer desastrada. Os que deveriam lhe ser subordinados insurgem-se e afiguram-se com tanto domínio sobre sua figura que mais parecem seus superiores e não o contrário.

Portanto, apare as arestas, controle as faíscas, crie mecanismos punitivos exemplares. Antes que seja tarde e eu o coloque em definitivo na berlinda. Até agora contornei os sussurros da desordem, para que não cheguem aos ouvidos implacáveis. Será que você não faz uma ideia do tamanho da organização em que entrou? Tema, E. Tema muito pelos seus atos e pelos dos seus. Saiba que há coisas piores que a morte. E os que nos governam criaram quase todas essas “coisas”. Você não só as procura como faz isso com boa diligência, principalmente quando permite tantos equívocos como os de G.

Esse relatório de atuação dele precisa ser refeito. Subtraia completamente as mazelas dele, porque elas são suas também. Se eu tiver que tomar uma atitude contra ele, não lhe pareceu por um instante que terei a obrigação de dissolver toda a equipe, inclusive você? É bom que pense e repense sobre esse verbo dissolver, nem ele ou eu estamos pra brincadeira! Estou tentando te ajudar. Queira!

Siga à risca o script que te envio em separado. Enviarei também em breve instruções pormenorizadas para este caso em específico. Por hora, devo passar-lhe o que de mim requereram para ontem. Se é assim comigo, considere pra você como anteontem.

Consta-nos que na região em que você se encontra e é o responsável por ‘dilapidações’, a imprensa regionalista insiste em não selecionar notícias que constranjam a turma devota. Num desafio que soa brincadeira se for analisado o comportamento da imprensa global, a nós toda submetida. Imprensa altiva é pouco para adjetivar tamanho disparate. Mas o que é pior por parte dessa regionalista é que quando noticiam crimes praticados pela turma devota (o que sabemos não ser tão costumeiro quanto gostaríamos), não dizem como todos os outros meios de comunicação a nós submetidos a origem no título.

Veja quem está por trás desse despropósito, pois tenho aqui informações de que estão sendo pagos corretamente. Não podemos permitir que eles não digam claramente, quando ocorrer, que quem roubou, estuprou, matou, extorquiu, chantageou etc. etc. foi um pastor ou alguém que frequentava a igreja (no último caso pode estar no corpo). Persuada-os a que antes de qualquer crime esteja o substantivo que constranja e humilhe o meio. Além disso, quando os mesmos delitos forem praticados por ateus, espíritas, budistas, xintoístas, umbandistas, socialistas ou adeptos de quaisquer outras religiões ou grupos sociais e políticos, diga-lhes para suprimir completamente a substantivação. Dando preferência a termos genéricos de gênero ou coisa que o valha, tais como: Homem estuprou, roubou ou extorquiu. Mas, se for da turma, já sabe: Padre estuprou, pastor roubou, e implícito, quando não há figura de liderança para pôr no título, que se coloque no corpo que evangélico ou cristão praticou tal e tal e assim por diante.

Mesma coisa deve se dar com as instituições. Deixar explícito quando é a Igreja a culpada que trata-se da instituição como um todo, por problemas congênitos. Quanto às outras instituições notadamente não cristãs, individualizar a culpa isentando a instituição que nada tem com ações isoladas de seus membros.

Verifique também quem são os abutres insistindo na terminologia terrorista islâmico quando há atentados praticados por terroristas islâmicos. Eles devem usar imediatamente o termo “extremista” sem qualquer indicação residual. Isso denigre a imagem do Islã e pode frear seu crescimento no Ocidente, prejudicando nossa empresa consideravelmente. Precisamos dizer que há dinheiro, muito dinheiro envolvido nisso? Se pechincharem, ofereça-lhes maior soldo. Nós arcaremos com os aumentos de custos eventuais. É de suma importância que cuide disso antes de se transformar em insurreição. Essas coisas acabam sempre sendo epidêmicas.

Com apreensão, M.

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