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Interceptações – Nível Pastoral – Execução

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Espero tão somente que a criptografia ponta a ponta esteja ativada como me garantiu.

Tudo é lícito, meu querido E., nem tudo é recomendável. Mais ou menos nessas palavras dizia o tal Paulo, do qual você nutre antipatia assim como eu. No entanto não posso deixar de concordar com o desprezível pregador de Tarso. Há licitude em provocar ou permitir cataclismos, não há, porém, razoabilidade quando o produto deles será apenas a fanfarronice ou a suspeição do planejamento meticuloso.

Devo dizer que aprecio muito suas preocupações acompanhadas das sugestões, E. Elas têm sido úteis em vários momentos de tensão. Porém, ambos sabemos o quanto tem nos custado as sucessivas infiltrações. Creio não haver necessidade de frisar todos os custos, mas são necessárias duas ou três rememorações para evitar a tão infeliz ingratidão. A ponta que me confere, em nível de clareza elementar: a da prática, não se faz no conforto do sofá com um charuto cubano na mão. Arquitetar é bem diferente de assentar tijolos, meu companheiro. E nem todo cálculo prévio pode conjecturar infortúnios imprevisíveis.

Não pude ir ao encontro por motivos previamente conhecidos de todos. Isto é, como sempre, escândalos. Manifestei-lhe o que se deu por aqui em seus detalhes mais sórdidos. Vocês insistiram com aquela criatura destituída de bom-senso, o D., contra a minha vontade e contra todos os princípios da discrição. Deu no que deu. Vários ‘irmãos’ da congregação presenciaram ele não uma ou duas, mas dezenas de vezes acessando filmes adultos. E, em algumas dessas ridículas ocasiões, minutos antes de ministrar cultos nos quais toda a pregação consistia na denúncia da luxúria. Ele, assim como vocês pediram, não sabia que o escritório financeiro estaria equipado com câmeras e software espião nos computadores. Dispositivos cujo acesso era de responsabilidade minha e dos crentes reais. Você bem sabe que ficou há tempos concertado entre nós de cima a baixo, para o bem da empresa, que eu estivesse entre verdadeiros homens ‘fervorosos’ (estúpidos completos), visando o gradativo aumento da discórdia, tornada imperceptível com o auxílio apropriado do tato com a vigilância inexorável, meios objetivos para a ruína de dentro, única possível!

Pois bem, esses crentes viram D. praticar as maiores vergonhas dentro do escritório e depois, na maior cara de pau, falar contra a lascívia como se fosse o maior puritano da história da humanidade. Não conhecesse eu o pernóstico, ficaria emocionado a ponto de ir ao arrependimento entre lágrimas. Dúvidas inexistem quanto à sua capacidade, ou ao seu grande talento de ser mentiroso, falso e dissimulado. Contudo, eu sempre defendi sua exclusão pela falta de limites e a conhecida reputação de desleal, pervertido sexual e cleptomaníaco. Foram vocês que quiseram usar o artifício da transformação d’água em vinho, sabendo que não tem funcionamento adequado se, de fato, o energúmeno não tiver crido de verdade em todas aquelas lorotas bíblicas. É claro que o afastei. O momento urgiu a necessidade. Pus-me no seu lugar, e estou quase dando o sangue todo pela causa. O que recebo em troca: reprimendas, reprimendas, reprimendas…

Em favor do esclarecimento, não estou no posto por que goste. Será mesmo possível que vejam em mim ganância por tão tediosa ocupação? Sermões cretinos, pacificações horrendas, conselhos para jovens imberbes e crianças baderneiras incorrigíveis, convivência com gente pobre, ignorante e supersticiosa a ponto de enxergar nas manchas de gotas no teto, causadas por infiltrações, sinais do fim do mundo. Pelo amor de Deus, E! Vocês me têm por chicaneiro? Por favor, por favor…

No próprio dia em que assumi essa desagradável tarefa, fui obrigado a lidar com toda espécie de litígios. Desses em que não há oportunidade ínfima de aproveitamento à causa. Exemplificando resumidamente, um “irmão” reclama de falta de pagamento relacionado a empréstimo concedido a outro “irmão”. Este, por sua vez, acusa o primeiro de agiotagem (enfatizando a contrariedade bíblica, o que com certeza não fez quando solicitou o empréstimo). Ameaçam-se quebradeiras, depredações e assassínios. E eu, que nem cristão sou, fui e serei, devo ensinar-lhes moderação, temperança, perdão e até humildade. Este é um dos exemplos de acontecimentos inúteis para empregar meios que conduzam aos nossos fins. Mas eles são dezenas. Fuxicos, desordens, glutonarias, perfídias e aberrações infantis são por aqui regra. Ontem mesmo estava aqui durante a tarde cuidando para apagar o resto dos rastros que D. deixara. Chega-me um casal recém-casado com seus pais. Cidadãos com mais de vinte anos. E não é que levam suas desavenças conjugais aos ‘pastores’? Olhe bem o que tenho de suportar…

Pois bem, as duas crianças chorosas nada falavam, e os sogros estavam em pé de guerra dentro desse escritório. Só não destruíram tudo porque os ameacei com maldições bíblicas infernais. Em resumo, o rapaz casara-se com a ‘irmãzinha’ com o interesse único de praticar com ela atos sodomitas e sadomasoquistas. Enquanto a pobre moça acreditava piamente ter casado com o apóstolo Tiago. A coisa era tão estapafúrdia que, quando ela se negou, o sujeito sugeriu então que ela lhe, ah! Nem eu tão mundano consigo terminar a frase. É absolutamente nojento. E creia-me, tudo isso fez o pompeiano antes mesmo de requisitar a virgindade ‘natural’ da donzela, que se guardava para Deus e, sem perceber, casou-se com um demônio (se eu acreditasse nessas coisas). É com esse tipo de coisa e de gente que tenho que lidar ao substituir o canalha do D. enquanto vocês me censuram.

Tudo o que lhes peço é sossego. E que mandem analistas para a ‘unção’ do próximo pastor. Pois garanto que se não fizerem, eu mesmo farei. Já demonstrei em oportunidades anteriores o risco que corremos se não agirmos rapidamente para novas infiltrações em igrejas florescentes, históricas entre outras que se negam a abandonar as crendices, a moral e a malfadada honestidade cristã. Temos perdido diversos úteis idiotas por conta dessas horrorosas instituições anacrônicas. Urgência é a palavra da vez. Não percamos tempo com picuinhas.

Cordialmente, Pr. G.

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