Prosa Poética

Ruído

01

Vivendo de grãos de poeira, e dos suspiros do silêncio junto a um semblante de bobagens. Na calmaria de não pertencer à coisa alguma. Desde antes de quando um corretor da nossa alma. Por perto, clama o som diminuto, vindo dalgum absurdo que aqui se opera em sentimento estancado. Encara-me, seriamente clínico, em duelo e desafio. Frontal; sem lado ou com todos os opostos. Mas o ruído ganha seus decibéis nos ares da ameaça vertiginosa; eclodindo barulho, transforma-se em estrondo sem eco. Vem da carne triturando aço. Surge como um cão latindo raiva, mordendo as hastes do ferro, estraçalhando os medos. Os estilhaços em luz de vulto rolam num mundo de piche. A toda velocidade. Esbagaçando-se cacho de uva no pó da cal. O carbono se esvairá em fóssil milionário, impregnado. Ido linha oscilante na máquina que pretende torná-lo reta aguda. Disparando-se com pressa de foguete e visão de satélites. É quando nasce a pólvora do ódio, e os estranhos apegam-se às marcas da vida morta. Os cartuchos da traição, da desordem e falsidade pingam da atmosfera. A fumaça invade o horizonte e tudo se torna nebuloso, fantasmagórico e crítico. Não se vê o que há do outro lado. Surge então ejaculada uma estrela. Cuspida do espaço negro uma labareda cósmica. É espada, é serra, é dor, é um protótipo de vilanias. Cessando as sobrevivências tentadas. As esperanças e os sonhos de amar. Há um trilhão de letras salgadas para descrever em todos os dialetos, mas o que resta são dois olhos para enfrentar. Poderia… Penso que poderíamos ser o que quiséssemos. Mas não quando chovem noites nos sóis. E os fios negros da discórdia tapam nossos rostos da compaixão, a que é sem filantropias inventando aplausos. Por isso penetramos a escuridão em nós? Numa existência sem teto de articulações sem eixos? Não ter nada a esconder é tudo ter que mostrar? Apenas vaidades de contrassensos. Enquanto o coração mais roxo sangra e escorre por um sopro. E a paz que voa nas asas da luz voa pra bem longe de ninguém. Direcionada no ponto da precipitação no qual paramos. Onde tudo se acaba, a centímetros do acontecimento que não mais, é! Se um dia fosse, se foi. Na lágrima perdida perpetuamente, escorrendo no sol áspero de julho. Dum equatorial tato ressequida. Apavorada pela noite eterna, suicidou-se pra não morrer. Com tapas no ombro de socos na cara. Punhaladas às costas das promessas nunca feitas e cumpridas. A morte também vem para alívio da dor. Fechar os olhos, a boca e o coração é a primeira opção quando se procura evitar o tamanho universal da tristeza, mergulhando-se nela.

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