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Abortos textuais

Tenho enfrentado dificuldades enormes para escrever nas últimas semanas. Algumas sérias, pensando mesmo em parar de uma vez. Só pra alguns dos queridos terem uma ideia, eu abandonei mais de trinta textos. Pra ser mais exato, trinta e nove. Isto é, textos que iniciei e não terminei por motivos diversos. Contos, poesias, opiniões políticas, teológicas ou literárias, piadas bestiais entre outros. Alguns tinham mais de dez páginas. Isso é ainda mais frustrante quando se escreve à mão. Raramente consigo no computador produzir textos com mais de uma página.

No aspecto criativo, sou alguém que escreve dentro de um ímpeto imediato. Não fico planejando, arquitetando muito. Embora isso traga o desfavor da incoerência, nunca liguei pra ela. Raros são textos meus que reescrevo. Faço algumas correções e ponto. A ideia vem, anoto se não estiver onde escrevo, e depois a coisa flui. Mas agora não está fluindo nada. O troço não anda. Diante de uma boa emanação, fico extremamente feliz. Até que o que era, de fato, bom não produz boas linhas. Tirando isso, há ainda a questão da leitura posterior.

Ou seja, eu publicava em grande número provavelmente porque não relia. O tal ímpeto imediato. Por sempre ter sido um tanto introvertido, dificilmente postaria se verificasse nos pormenores um texto meu. Alguns são obscenos, safados, amalucados, revoltados e canalhas. Iria editá-los eternamente. E sinto desconforto quando leio textos meus antigos, sinto-me besta, burro e coisas piores.

O desconforto não é tanto por que os textos me mostrem propriamente, ainda que mostrem um tanto, mas é porque eu tentava criticar algo que achava horrendo, sem criticar. É difícil explicar, uma crítica em forma de elogio. É quase uma ironia.  Ao fim, ficou parecendo um baita elogio. Putada fenomenal. Lendo alguns dos meus textos, se não soubesse que eu que os escrevi, diria eu mesmo que sou louco. Mas melhor deixar isso quieto. Pois ninguém é bom psicólogo de si mesmo…

O que sei é que por causa dessas leituras posteriores, eu passei a deixar os textos um tempinho na gaveta antes de publicar. E a coisa desandou. Porque não gostava da maioria dos textos já terminados. Alguns eram bons, mas não queria aquela mensagem mais. Ela não fazia mais sentido dentro do meu universo de sentimento e objetivos. O tempo atropelou o texto e eu desisti de todos. E é assim que me encontro nesse momento. Fazendo texto de como fritar um ovo para ver se desembesto. Cheio de dúvidas. Não sabendo mais se devo ir adiante ou desistir de uma vez.

Sempre escrevi porque gosto de escrever. Mas não sei se quero escrever para gostar de escrever. Estava sendo algo natural há anos. Nunca parei pra analisar se era bom, porque eu me sentia bem e era o que importava. Agora está vagabundo e sofrível demais. Vamos ver no que vai dar, se der em nada, deu. Fico aqui lendo de vez em quando o que aparecer de quem sabe escrever e pensar, porque o descaramento do plágio não é o meu forte. Ser eu, com texto ruim ou não, é o que sempre me motivou. Se for pra ser sem texto, que seja. Tudo se acaba. Nada mesmo pode durar pra sempre. Mas que pelo menos se vá com alguma dignidade.

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8 comentários em “Abortos textuais

  1. Você ficará bem. Escrevendo ou não só de tê-lo por cá, vez ou outra, tenho certeza que seus seguidores ficarão mais que felizes. Às vezes esse “bloqueio” acontece mesmo e o melhor que podemos fazer é dar um tempo; uma pausa, umas férias para mente. Quando der por si, já estará escrevendo novamente e as palavras hão de fluir tão naturalmente como outrora! Estarei aqui esperando por mais uma incrível produção sua ok? Ok. (Não somente eu obviamente e apostaria nisso se tivesse dinheiro! hihi). “É só isso.. não tenho o que dizer, são só palavras e o que eu sinto, não mudará!” Vou orar por você, sempre. 🙂

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    1. Muito obrigado, querida amiga, pelas boas emanações e o carinho. Você é sensacional, obrigado mesmo. Esse bloqueio de agora ta bem mais bloqueio. Crise de identidade adolescente literária, kkkkk. Eu acho que deu tilt. Mas apagar os textos fez até bem de certa forma. Eles ficavam me olhando e me cobrando e agora estou mais leve. Vamos ver o que aparece logo mais. Deixar a coisa ir no seu ritmo natural sem forçar a barra. Um abração. E novamente obrigado. Excelente fim de semana. 🙂

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  2. …e aí saio lá da cozinha com ovo frito para encontrá-lo aqui desolado. Ora, e quem foi que disse que escrever sobre a arte de fritar um ovo é menos digno do que produzir um artigo político, um romance ou sei lá?! Bloqueado para a complexidade? Pois eu aposto que está aberto ao trivial, só não se deu conta. Eu, se fosse você, escreveria outro maravilhoso texto sobre as técnicas para se passar manteiga no pão. 😀

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    1. Pois é, deu pra curtir uma fossa. Esse delete é malvado, movimenta os ânimos, A. O bloqueio foi geral, até o trivial se foi. E um pouco do complexo trivial, que é o meu foco, ou costumava ser. rsrs. Mas é como disse a Ma, depois da chateação, estou aliviado. Devo abandonar a tal multi-tarefa. Não consigo ler vários livros ao mesmo tempo, e deveria saber que isso era um indício para não escrever vários textos ao mesmo tempo. Mas vou pensar seriamente nesse negócio de passar a manteiga no pão, claro que antes preciso praticar mais. 😉 Abraço, A. Obrigado pela sua visita sempre agradável.

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  3. Não sei de nada mas desconfio que você andou lendo aquele tal de Bukowski.

    Não faça isso Waldir. vira blogue de receitas complexas da culinária ou compõe poemas sobre como encontrar tesouros usando mapas da Embratur, não importa. Mas, please, não se vá. 😦

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    1. Tentei ler uma vez algo como misto-quente tempos atrás e não dei conta. E olha que sou dado a barbaridades como ninguém. Mas se você estiver certa, ficaram resquícios indeléveis. Agora essa de encontrar tesouros com mapas da Embratur é uma pérola. Ri muito aqui. Se tivesse mais sugestões mentais assim, nunca ficaria me sentindo bloqueado, embora desconfie que jamais achasse qualquer tesouro. Se tivesse sorte, outros mapas. Grato pela força, Cris. Nem sabe como ajuda. Abração, e ótimo fim de semana. 🙂

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