Crônicas

Qual é a minha Igreja: seus acertos e erros – Republicação

Faz alguns anos que fui batizado. Muitos já me cobraram a minha classificação religiosa. Em outras palavras, minha placa. Optei por não nomear minha Igreja para não desviar o foco das minhas defesas, pois não acredito sinceramente que isso seja relevante, já que o que importa é a Palavra e a fé em Jesus Cristo. E penso que revelar o nome da Instituição a qual pertenço só iria servir para criar polêmica, dar munição ao ateísmo militante e perda de tempo com mais discussões irrelevantes. No entanto, dadas as circunstâncias dos últimos episódios, acho justo dar nome, fundação e doutrina. Até para transparência e o direito de resposta se alguém desejar. Apesar de freqüentar outras, obviamente fui batizado em uma denominação. E antes que alguém a atacasse em comentários despropositados, prefiro eu mesmo falar sobre ela num texto mais completo. De livre e espontânea vontade.

Antes de qualquer coisa, vou falar sobre sua fundação e seus pontos doutrinários que são bastante diferentes do Universo Evangélico. Alguns até bastante excêntricos. Minha Igreja é pentecostal. Isto é, faz parte do movimento pentecostal norte-americano de Avivamento do início do século XX. Ela é centenária. Nasce a partir da Igreja Presbiteriana Italiana, radicada nos E.U.A. Pra quem conhece um pouco da história protestante, já sabe de qual falo. Pra quem não sabe, continue lendo.

Tem 115 anos, não cobra dízimo, não tem no seu quadro ministerial o título pastor. Ninguém ganha salário, todos devem trabalhar de graça. Não tem rádio, emissora de TV e nem site oficial. Nem pode ter. Sim, é das mais rígidas. E não se une com nenhuma Igreja Evangélica. Todas as contribuições são chamadas de coletas. E estas têm diversas motivações, desde reparos, construções, viagens missionárias a obras assistencialistas. As mulheres usam véu. É conhecida como “Igreja do véu”. Qualquer membro batizado pode pregar em seus cultos (isso vem mudando). Há a liberdade que é por nós chamada de Liberdade do Espírito Santo em usar de quem queira. Enfim, estou falando de alguns pontos que considero de certa forma positivos. Mas falarei dos problemas também.

Como disse: o pregador não é pastor. Não existem pastores em minha denominação. Alguns irmãos dizem que é por todos os fundadores entenderem que há Um Só Pastor: Jesus Cristo! O título do pregador é cooperador. Os sacramentos são ministrados pelo chefe local. Designado como Ancião. Batismos e ceias devem ter pelo menos um desses líderes, a não ser em caso de muita necessidade. Via de regra para ser Ancião é preciso ter sido cooperador ou diácono. E normalmente são sempre irmãos já idosos. O que não é regra. Mulheres podem orar em nome da Igreja e dar testemunhos, mas não podem pregar, o entendimento vem das cartas de Paulo. Ou seja, é Igreja mais tradicional e conservadora. O véu também vem da interpretação, talvez errada, da carta aos Coríntios. Não tenho entendimento total sobre isso.

No Brasil, deve ter por volta de cinco milhões de membros. Talvez seja a segunda maior em membros, perdendo apenas para as Assembléias de Deus. Claro, falo de Igrejas Protestantes. Todos os ministros devem trabalhar, ninguém ganha nada da Igreja, como disse anteriormente. E essa é uma regra que sempre causou polêmica, já que a Bíblia diz que o ministro pode receber e muitas vezes deve. No entanto, ninguém é obrigado a pertencer ao corpo ministerial. Mas quem for nomeado e quiser, não deverá esperar qualquer salário.

Quanto à parte de louvor, na minha Igreja temos hinário para cantar e orquestra para tocar. Todos podem cantar e tocar. Não há e nem pode haver banda ou cantor. Todos são cantores. Os músicos formam uma orquestra semelhante às orquestras seculares. Os hinos são fixos, e acréscimos só podem ocorrer oficialmente e pelos líderes. Poucas mudanças ocorreram nesse hinário. Semelhante à harpa cristã. Com mudanças literárias. Diversas melodias são idênticas e inúmeros os compositores das melodias, desde Beethoven a Lutero. Essa orquestra tem instrumentos de sopro e corda e são rigorosamente permitidos ou proibidos através de listas. Vários instrumentos são proibidos. Bateria, guitarra, violão, sanfona entre outros não podem fazer parte da orquestra.

No que se refere às ligações com outras Igrejas, simplesmente não há. Muitas são as que a consideram seita justamente por causa disso. Mas não somente por se afastar das demais. Como também por diversos outros fatores, entre eles está o de não aceitar o batismo de qualquer outra denominação, por serem consideradas todas elas erradas. É claro que sou contra esse posicionamento. E diversos outros irmãos. Mas a regra implícita é essa. Não dita abertamente. Mas todos que querem fazer parte e já foram batizados em outras devem batizar novamente. O Batismo é por imersão, e proibido às crianças menores de doze anos. A ceia é ministrada uma vez por ano. E é o vinho mesmo, não o suco da uva. Fato que também cria polêmica e diversas discussões acerca do álcool. Inclusive quando se trata de ex-alcoólatras.

Enfim, seu nome é Congregação Cristã no Brasil. Existe em diversos países até no Japão, com poucas diferenças doutrinárias. Desde já digo que não sou parte do corpo ministerial, e nunca fui. Não respondo pela Igreja. Mas sempre freqüento cultos nela, quando possível. Seu fundador é o ítalo-americano Louis Francescon. Mas este tinha uma visão não institucional de Igreja. Isto é, pensava a Igreja como união de membros e o local de culto como casas de oração. Tendo fundando diversas outras Igrejas nesse sentido, era um evangelista, e acabou morrendo em outra. Provavelmente, nem ele hoje concordaria com diversas concepções de sua própria criação. E nunca a organizou institucionalmente, vindo poucas vezes ao Brasil para tratar disso. Foi fundada em 1910 no Brasil. Mas já existia de certa forma em 1907 em Chicago, local onde se encontrava Louis Franscecon.

Quem quiser conhecer mais, basta pesquisar. Há até vídeos com cultos gravados. Claro, não autorizado pela Igreja. Espero com isso dar maior transparência aos meus leitores e críticos. Afinal, quem ataca, também deve ser atacado. Mas é preciso que entendam: eu não represento a Igreja, muito menos tenho total concordância com diversos aspectos dos ensinamentos. O texto é um resumo, quando tiver mais tempo, talvez postarei outros textos sobre ela.

Publicado em: 14/05/2015
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