Crônicas

Quando era outro eu

Uma flor branca crescia entre as pedras,

O vento agredia as pétalas com veemência,

Os ares a beijavam por leste e oeste, norte e sul,

Mantendo a pequena ereta e eriçada, sendo empurrada para cima,

Não era o encaixe das pedras ou o torrãozinho apertado,

Era uma mão maior que o Universo,

 

Pra todas as partes do vazio que vai completo, ora cheio, ora vago.

Um relâmpago subiu e caiu estrondando a terra,

Ela teve que servir.

Ecoou uma voz forte, esmagadora, magnífica,

Como se nada tivesse sido dito antes,

E o que fora depois não importava mais nada.

Levanta e anda!

Os bebês choram pelo leite,

Enquanto os homens matam pelo vinho dos poderosos,

Poucos são os que querem a água da vida,

Porque ela mata, Porque ela limpa, Porque ela dói.

E, no entanto, é pelos poucos que o mundo ainda subsiste.

Porque Eu escolhi poucos para fazer melhores.

Só os pequenos quero grandes.

E o céu desabou águas retas,

Não pude olhar o rosto da voz por causa da clareza insuportável da minha miséria,

Aquele broto não cresceu imediatamente, mas minhas pernas apareceram,

Minúsculas, em forma de graveto fraquíssimo,

E o vento não movia mais nada porque tudo era ar.

Havia um som agudo; intensamente fino como a linha de uma pipa no espaço,

E nas brechas das pedras eu tenho encontrado os caminhos perdidos de outrora,

Você pode até não me ver,

Mas se apurar os ouvidos dos seus olhos,

Falarei com sua boca como dinamite que explode,

assim finalmente entenderá O que é Trino.

E, das pequenas pedrinhas fragmentadas, você fará milhões de tetos.

E, quando fechar seus olhos para não ver as trevas, nunca mais haverá escuridão.

E saberá que ninguém morreu a não ser a morte,

Quando ousou tentar me matar.

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