Crônicas

Pelo direito de ser um sapo

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O Jornal Esquerda à Esquerda bem à Esquerda da Direita noticiou um crime vergonhoso contra a comunidade Gostamos de odiar e dividir dizendo amar e chamamos o que chamamos de outros nomes para confundir e ser o que não somos quando éramos o que sempre tínhamos sido cometido pelos psicopatas, sociopatas, tiranos, vagabundos, vermes, inescrupulosos e vergonhosos cidadãos, que outrora eram conhecidos como conservadores retrógrados, vulgo coxinhas, mas agora são conhecidos pelo que são, seres humanos, o que por si só é uma absoluta vergonha.

O crime foi não permitir (como se algo precisasse ser permitido quando é considerado errado pelos coxinhas) em hipótese alguma que um garoto de cinco anos de idade exercesse seu direito certo e líquido de pular nu no meio da rua, dizendo ser o que achava ser depois de se usar de outro direito absoluto: xingar seus pais e cuspir neles. Não é preciso dizer que ninguém precisa ser o que se é, mesmo que tenha sido num passado, mas achar ser é o nosso direito inclusive contra o que quer que seja e se chama real e normal. A realidade e a normalidade é o que nós quisermos. Dito isso, o garoto estava nu e pulava loucamente no meio da rua, o que é direito. Porque nada há de mais certo que o totalmente errado, nisto todos concordamos. A ideia simplória e antiquada de: é errado ser errado foi trocada pela progressista: é certo estar errado e é errado estar certo.

A concepção de erro foi criada pela comunidade cristã para nos escravizar. Como já a matamos, sob a forma da retórica invencível de que toda a forma de amor é válida, incluindo a do ódio, a da perseguição e do genocídio, e ultrapassamos e avançamos sobre essa ideia anacrônica de erro, crime, pecado, e eliminamos toda a cretinice de bom, belo, aprazível, recomendável e agradável, com a ajuda de Freud, Nietzsche, Apóstolo Jesus II mais perfeito e o Papa Maomé Chicão III, ninguém jamais poderia constranger esse garoto nu na rua de que ele não era um sapo, como dizia claramente ser. E se alguém disser que sapo não fala, digo que não há provas absolutas a respeito. Por também já ter sido provado que a verdade não existe. O que pode ter ocorrido é não ter falado antes por vontade, mas se quiser falar, também por vontade, pode falar quando quiser. E foi isso o que ocorreu ao sapo que estava sendo criado como se gente fosse, ao se ver privado dos seus direitos inerentes e universais relativos ao indivíduo tripartite: animal, vegetal e tal.

A situação é tão ridícula e absurda que o sapo demonstrou claramente não ser um garoto. E nenhum desses vergonhosos seres humanos reparou que agia em total conformidade como um genuíno anfíbio do tipo. Mostrava a língua, e as testemunhas garantiram que por um pouco não conseguiu comer uma mosca no ar. Pulava também de um lado para outro com desenvoltura, para surpresa dos sapos a observar, admirados. Mas, quando os seres humanos, todos da direita tórrida sobrevivente nas cavernas da ilegalidade, viram tal demonstração de um sapo em pleno conhecimento de sua identidade, botaram-no num carro e levaram-no pra casa dos pais na marra e sob palmadas, já proibidas por leis antiquíssimas. Colocando roupas num evidente desrespeito com sua espécie, pois ninguém jamais na história do mundo viu um sapo vestido. Isto é, não há a menor necessidade, além de tudo são burros.

Ao saber dessa privação total do direito a que teve o sapo falante; a saber: o direito de não ter qualquer dever com qualquer coisa que seja e fazer e ser o que quiser, ainda que isso represente risco a todos, entramos em contato com os direitos humanos e afins que tratam dos direitos já mencionados anteriormente para cuidar do caso. Um dos deputados envolvidos, que era um cachorro, disse ou latiu: au! Mas ao saber da ofensa contra o sapo que era criado como garoto, tornou-se ser humano e advogado somente para defender os direitos do sapo injustiçado. Processou o resto de toda a sociedade que se diz humana da região. Funcionou imediatamente. Pois o Juiz, que era uma vassoura, voltou a ser um homem e julgou improcedente a ação dos transeuntes de proibir o direito certo e líquido do garoto ser sapo e do sapo ser garoto. Não sem antes levar uma mordida do cachorro, porém, riu. Porque, no momento do fato, ele era uma vassoura. O que fez o advogado cachorro perder dois dentes.

Afora esses fatos excelentes e epistemológicos, o juiz vassoura mandou oficial de justiça, o conselho tutelar que é dono das crianças que querem ser sapos, moscas, abelhas e morcegos e também das que não querem, além de policiais à casa do sapo-garoto para lançar o garoto-sapo não à rua, mas em contato com a natureza. Numa floresta próxima. E ordenou que prendessem seus pais humanos por retirar sapos do seu meio, ainda que através de sexo, pra obrigá-los a ser o que são no exato instante em que querem ser outra coisa.

Concluímos manifestando nossa total indignação contra casos reacionários como esses que, infelizmente, ainda se repetem. Mesmo depois de tanto lutar pela igualdade, pela liberdade, pela democracia (todo o poder emana de quem não é povo e nem maioria). Assim como lutamos pelos direitos das mulheres de serem homens. Tanto é que hoje, por causa da luta das feministas, não há mais uma única mulher no mundo, todas finalmente são homens. Apesar de, sem sucesso, tentar obrigar os homens machistas a dar à luz filhos e de mamar, procedimentos claramente machistas inventados pelo homem, mas que não pudemos de forma alguma eliminar, sabe-se lá por quê. No entanto, não há mais um único cidadão com sexo definido, quando nossas crianças nascem, dizemos que nasceu alguém e ponto final. Apesar das mulheres serem homens, nem mesmo sabemos o que é gênero, e somente gênio, nossos políticos que nos dominam, depois de não mais aceitarmos as autoridades chamadas intermediárias, tais como: família, igreja e bom-senso, as quais diziam de maneira infundada ser a segurança contra o estado autoritário. Estes, na verdade, eram os inimigos da igualdade, liberdade, fraternidade, diversidade, ambiguidade e confusão harmoniosa.

Prometemos amanhã tratar também de outros problemas que ainda se repetem em nossa sociedade, por não termos conseguido colocar câmaras de gás em todos os municípios e a soberba de certas leis universais. Isto é, um idiota disse na cara de um careca, ontem, que ele era um careca. Total absurdo e preconceito. Que de maneira alguma ficará impune. Até porque esse indivíduo é reincidente, continua se recusando a fazer suas necessidades fisiológicas no meio da rua, como já foi definido na Lei nº 66666 de 2051 que trata de como devemos falar, andar, defecar, urinar, comer, apertar a campainha, beber água e refrigerantes, dormir e sonhar.

Um outro problema é a morte de nosso irmão folha, que se jogou de um prédio esperando com isso flutuar ao chão sem qualquer tipo de ferimento, como ocorre naturalmente às folhas, e disso temos certeza por causa de diversos estudos. Devemos nos reunir para fazer protestos contra as leis da física. Pois estão a desafiar a nossa vontade. Abaixo à Física, à Ciência, ao Universo e a tudo que não opere segundo a nossa vontade e nosso querer! Viva o Buraco negro e o sapo barbudo!

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2 comentários em “Pelo direito de ser um sapo

  1. Não vim comentar seus textos. Vim fazer-te um pedido poeta. Gostaria que lesse e se inteirasse de tudo sobre a obra “Oulanem” do Karl Marx. Após, em sendo conhecedor dela, eu lhe peço que por este blog, pela sua boca na igreja e por sua pena e mão que escreve, que conte e mostre quem foi, o que foi e o que pretendia para a humanidade esse homem. Faça-se luz, poenta, para aqueles que não sabem e não veem que a estão perdendo. Claro! O Senhor com certeza há de muito lhe abençoar por isso. Grande abraço nobre poeta.

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    1. Olá, querido Athos. Com essa falta de tempo, sei não. No entanto, a curiosidade está desperta. Jamais ouvi falar desse texto. Forte abraço e obrigado, caro amigo. Ótima semana.

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