Artigos · Opinião

Provocações – Casamento Gay

Réplica produzida ao artigo primeiro da querida Amiga Mayara K. Reitero o que disse no primeiro. Estamos fazendo um exercício do contraditório. Nem sempre as posições defendidas nessas provocações serão as que de fato temos. No entanto, neste é a minha real opinião. Sinta-se à vontade para discordar dela permitindo que eu discorde da sua. Obrigado pela leitura.



Antes de mais nada, é preciso dizer que o que aqui irei expor trata da sociedade e não do indivíduo. De manifestar como penso o direito coletivo, no anseio para que este emane do direito individual sem prejuízo ulterior da sociedade. O indivíduo não pode se sobrepor aos interesses coletivos. E a coletividade não pode destruir a liberdade individual. Como se vê, temos um imenso dilema. Isto é, como conciliar ambos deveria ser o desafio maior de todos, em tese. Não é o que vemos, por exemplo, na temática casamento gay quando abordada por grupos ativistas.

O conceito de casamento, principalmente em nossa sociedade ocidental, amparada pela tradição judaico-cristã, é monogâmico e entre um homem e uma mulher. Todo a nossa civilização legal e moral foi construída com base nesse paradigma milenar. Visando proteger essa estrutura que se considera o pilar da ordem e da manutenção da mesma: o homem, a mulher e seus filhos. Ou seja, família, que hoje se vulgariza com a adjetivação “tradicional”. Não existe família fora dessa ordem. Pois a expressão pressupõe a existência destes três elementos ou, melhor dizendo, sujeitos. Fora disso, não há família. O que há é um arremedo dela. Mesmo quando se trata de casais estéreis. Porque aqui o teor “família” é de ideal e não de adaptação, inovação ou conglomerado orgiástico.

Não estou aqui a tratar dos instintos, desejos e práticas sexuais. O que discuto é como a nossa sociedade enxergou a base de si mesma. Ousaria dizer que é a base óbvia da humanidade. Mas concentro-me na que faço parte. Isto é, nós ocidentais, como corpo pleno decidimos há dois milênios que isso deveria ser assim. Para o bem comum, para a sobrevivência como espécie. Manutenção e desenvolvimento da nossa civilização e criação de todas as leis. Portanto, conclui-se que o casamento é um valor antes de um instituto. Um valor que carrega em si mesmo um ideal que nos é coletivo. Valores são os responsáveis por criar direitos e deveres. É deles as leis que dirão das permissões e proibições. Neles emana o senso de justiça comum. Em caso de descumprimento, também são eles que determinarão como deverá ser o rigor punitivo exemplar.

Estou divagando um pouco sobre nossa construção de maneira bem leiga e simples justamente para demonstrar como é crítico o tratamento dado pelo ativismo gay ao casamento quando diz estar lutando pelos seus direitos. A ideia que se tem é que a sociedade lhes tolheu direito certo e garantido: casar-se. A mesma que se dá com os não criminalistas da maconha. Ocorre que nunca se viu tal direito dado pelo valor coletivo. Não há uma única lei criada visando o casamento como instituto também homossexual. Os ativistas deveriam ser honestos: queremos que a sociedade reconheça a relação homossexual como valor da civilização ocidental. Iremos discutir a mudança desse paradigma e, com base no amplo debate, aceitaremos inclusive a negação se assim for a vontade coletiva de que o casamento seja instituto exclusivo da relação heterossexual que visa, como fim último, a reprodução da espécie.

Esta é a realidade. Posso, para facilitar ainda mais a compreensão do que digo, usar o exemplo de outro valor moral coletivamente aceito que resultou em instituto e em todo o aparato legal que o constitui. A monogamia. O que diriam os homossexuais se aparecessem por aí pessoas dizendo que a sua forma de amar é grupal. Que ama-se duas, três ou até dez pessoas ao mesmo tempo? E que estão lutando pelo “direito” de se casar com todas? Que a Igreja atrapalha e nós, cristãos, somos polifóbicos e intransigentes? Que os homossexuais também são polifóbicos? Obviamente, temos casos desse tipo. Qualquer pessoa, inclusive sendo homossexual, diria que esse assunto, a mudança do paradigma monogâmico da sociedade, necessitaria de amplo debate. Pois implica na mudança de todas as bases que sustentam o modo como construímos nossa sociedade, nossas leis e nossos direitos.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é mudança de paradigma, como seria o da monogamia. Vociferam por aí que toda a forma de amor é válida. Isso é astúcia não argumentação. Padres, pastores e todos os demais cristãos não estão invadindo motéis ou residências com cabos de vassouras impedindo as pessoas de demonstrar sua “forma de amar” na privacidade. Se um prédio inteiro quiser ir pra uma chácara e lá todo mundo quiser transar com todo mundo de livre e espontânea vontade, não se verá nenhum religioso tentando impedir. Pode haver alguns que queiram é mesmo participar…

A impressão que se tem quando o ativismo gay vem a público por meio de seus representantes é de que os conservadores e contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo estão proibindo-os de dar pirueta na cama. Ora essa, cada qual é livre pra fazer o que quiser. Aqui em minha cidade, por exemplo, um cidadão chegou a ser hospitalizado porque resolveu fazer sexo com uma mandioca. Ocorre que ela ficou entalada. Quem proibiu a sua “forma de amar”? Ninguém, nem mesmo a mandioca. Depois nós mesmos como sociedade oferecemos, ou tentamos oferecer, sigilo da identidade do cidadão, por quê? Porque isso é direito individual. Não é crime enfiar uma mandioca no próprio ânus dentro de seu quarto. A não ser, talvez, para a agricultura familiar.

Indo exclusivamente ao campo religioso, que é o mais atacado pelo ativismo gay, colho aqui trecho do texto favorável ao casamento gay:

Religiosamente falando, as igrejas defendem a ideia de que o casamento deve ser realizado apenas entre um homem e uma mulher e discriminam abertamente os homossexuais.

Trata-se de um erro clamoroso de julgamento. Não é uma “ideia” e nem são as Igrejas, é toda uma sociedade. Pra quem ainda não sabe, o casamento está desse modo definido na Constituição Federal, que todos nós aceitamos e devemos aceitar como Lei Maior a nos reger:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

  • 3º Para efeito da PROTEÇÃO do Estado, é reconhecida a união estável entre o HOMEM E A MULHER COMO ENTIDADE FAMILIAR, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Os ativistas não aceitam a Constituição, essa é a realidade. E é direito não aceitar a constituição. Eu também não a aceito quando ela retira a possibilidade de prisão em caráter perpétuo. Mas devo admitir que, tecnicamente falando, só posso ir de encontro a isso solicitando ao congresso que vote uma emenda constitucional pra alterá-la. Sou leigo em direito constitucional, mas sei que há na Constituição dispositivo que nem mesmo com emenda pode ser alterado. Não sei se é o caso do que trata do casamento. Porém, está claro que nosso modelo jurídico contempla a família como base da sociedade e, formada por homem e mulher, ponto. Para que haja casamento entre pessoas do mesmo sexo, deve-se votar emenda constitucional e alterar o dispositivo que diz ser reconhecida a união entre Homem e Mulher. Deixando claro que é entre duas pessoas, seja o par de sexo igual ou diferente.

Alguns podem estar confusos e se perguntando como, então, está havendo casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Como diz minha amiga em seu texto:

Os números não mentem. Dados divulgados pelo IBGE mostram que em um ano o número de uniões homoafetivas cresceu 31,2% em nosso país; mais de 4,8 mil pessoas do mesmo sexo se casaram no Brasil no ano passado.

O que se deu foi uma intromissão do Judiciário no que não é sua alçada. Quem cria e altera leis é o Poder Legislativo. O Judiciário é o responsável por aplicar. Em linguagem bem simples, o que o Judiciário fez: passou por cima da Constituição, que jurou defender, e autorizou o que não é reconhecido por ela. Para exemplo, objetivando a clareza, seria como admitir a prisão perpétua mesmo que a Constituição não admita. Fato grave, gravíssimo. Uma das maiores ilegalidades que se deu em nosso país. E disso ninguém fala. Todos se calam.

Sobre as Igrejas, é necessário entender que elas têm liberdade de culto, de opinião e de crença garantidos pela mesma Constituição. Todas elas tratam de princípios morais que vão de encontro não somente à prática homossexual mas a várias outras aceitas na nossa sociedade. Casais heterossexuais, por exemplo, que praticam sexo anal também vão ter sua conduta rejeitada pelos mesmos princípios. A prática de sexo anal não condiz com o que se exige do princípio moral de agradar a Deus, crido pelos membros das Igrejas através da Bíblia. E o que são os princípios morais? São valores dos quais se toma como inegociáveis pela intenção comum de agradar a Deus. É assim que as Igrejas funcionam. Você gostar ou não é direito seu. Querer violentar a liberdade das igrejas e fazê-las queimar a Bíblia, não.

Eu estou há muito tempo frequentando cultos. Em várias igrejas. Em todos esses anos, se vi um pregador abordar o assunto homossexualismo, foram no máximo uma ou duas vezes, e de modo totalmente respeitoso, sem qualquer insulto ou tentativa de humilhar quem quer que seja. Sempre dizendo que todos somos pecadores. Mas não devemos aceitar a prática, e tentar com todas as forças rejeitar o pecado. No geral, o que vejo sempre sendo apregoado é: ame ao próximo. Pare de julgar e falar dos outros. Não fique fazendo contas que não pode pagar. Respeite a lei e as autoridades. Ajude as pessoas. Visite os enfermos. Tenha paciência. Não fale besteira. Não seja irado. Ore por todos, inclusive pelos políticos, pra que Deus os ajude a conservar nossa liberdade de louvar. É isso o que venho ouvindo todos os dias e todos os anos dentro da minha igreja. O que percebo, é que a maioria dos pregadores nem mesmo quer falar sobre isso pra evitar constrangimentos. Pois há vários irmãos gays sentados nos bancos. E não há problema algum quanto a isso, se fossem proibidos, deveriam ser todos, pois não há ninguém, de acordo com a própria Bíblia, que não peque.

É bem verdade que nos últimos tempos surgiram alguns pastores que são irredutíveis. Falam alto. Mas é preciso ouvir o que eles falam e ver se de fato é discriminação ou se eles estão apenas sendo contrários ao ativismo gay e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo como valor adotado por toda a sociedade. Nunca vi nenhum deles incitar a violência. Pelo contrário, abominam a intolerância. Marcos Feliciano, por exemplo, foi alvo de violência com sua família. Ele diz em entrevista que ativistas gays se penduraram no seu carro mostrando a genitália para seus filhos menores no banco de trás. E depois são os religiosos os intolerantes…

É ainda necessário refletir se o casamento entre pessoas do mesmo sexo for ser inserido na Constituição, como se darão os casamentos religiosos.  As igrejas poderiam se negar a realizar esse casamento? A consciência religiosa dos funcionários de cartórios seria respeitada, ou seriam obrigados a engolir suas crenças e autorizar o que consideram ilegal pela sua fé? Caso recente se deu com uma escrituraria nos EUA. Ela se negou a realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo pela sua crença. Resultado: foi presa. Onde fica a consciência religiosa como valor comum em nossa sociedade? O Papa Francisco, que a colega cita em seu texto, chegou a visitá-la e manifestar apoio. O que causou certa saia justa com o governo Obama, defensor da ditadura gay.

Na Inglaterra, há um casal gay que disse ter por objetivo obrigar as Igrejas a casá-los. Oras, é evidente que ao autorizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo na Constituição, as Igrejas que se negarem a concretizá-lo, estarão na mira de todos os juízes do país. Já houve religiosos alertando para o fato. Disseram que se as Igrejas quiserem manter suas crenças, terão que viver gastando dinheiro nos tribunais. Ou, o mais certo, é que elas passem a voltar a ter que professar o que creem como nos tempos de Roma, nas cavernas da ilegalidade. Será que ninguém pensa nisso?

É o que manifestei no início sobre o direito. O direito individual não pode se sobrepor ao coletivo, e o coletivo não pode destruir a liberdade do indivíduo. Nesse caso específico, ocorre tanto um quanto outro fato. O direito individual se sobrepôs ao coletivo, desrespeitando nossa própria constituição. Depois, esse mesmo “direito” individual que se tornou coletivo destrói a liberdade individual de crença. É ou não é uma ditadura gay?

A amiga que é favorável, ainda trata de fazer com a Bíblia um jogo horrível de retórica com a escravidão. Usando para isso um “padre” homossexual. Coloquei as aspas porque não é padre, se é homossexual ou ainda que fosse heterossexual, exercendo sua sexualidade contrária ao voto de celibato, não pode ser padre coisa nenhuma. Um embusteiro, isso sim. Trata-se de tentativa ridícula da articulista, digna de analfabetismo funcional para defender a destruição dos princípios religiosos, vejamos:

Afinal essa postura baseia-se em pequenos trechos da Bíblia que na opinião assertiva do padre, não condenam explicitamente a homossexualidade e devem ser vistos no contexto histórico e cultural daquela época. Como foi no caso da escravidão.

Esse “padre” é um completo burro. Nem vou entrar na questão do explicitamente, ele provavelmente não leu a Bíblia como muitos outros padres e pastores. É perda de tempo. Sobre o contexto histórico, onde é que a Bíblia defendeu a escravidão? Muitos ateus, aí sim, usam trechos da bíblia pra acusar isso e aquilo sem o mínimo cuidado. Alguns ateus adoram o Pentateuco por haver nele fonte de contradição por causa da ignorância de intelecção textual de boa parte dos brasileiros.

Deus destruiu completamente uma nação que escravizava a Israelita justamente por causa da escravidão. Agora me digam os experts, como é que Deus destrói um império inteiro amparado na escravidão e vai depois instituir a escravidão? Faz sentido? Abrir um mar para escravos fugirem dos escravocratas e depois fazer dos escravos escravocratas? Totalmente analfabetos. O que se vê é o oposto, o que Deus diz a Israel é isso:

Levítico 26.13:

Eu sou o SENHOR vosso Deus, que vos tirei da terra dos egípcios, para que não fôsseis SEUS ESCRAVOS; e quebrei os timões do vosso jugo, e vos fiz andar eretos.

Mas esse não é o texto apropriado pra falar de Pentateuco e escravidão. Respondo em parte para mais uma vez provar como agem os ativistas, sempre de maneira escapista. Sempre procurando viciar o debate. Sempre tentando misturar uma coisa à outra. Somente a título de encerramento da questão, Paulo também trata do homossexualismo no Novo Testamento.

Romanos, 1: 26 e 27

Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

É um texto, evidentemente, fortíssimo. E não nego que muitos religiosos o usam para constranger as pessoas. Não é assim que funciona. O uso aqui é apenas para demonstrar que o NT também manifestou-se contra essa e muitas outras práticas. Inclusive a prática do religioso em apontar o dedo aos homossexuais. Se os religiosos que amam julgar, lessem um pouco além, no segundo capítulo da mesma carta, não usariam esse texto pra tentar humilhar as pessoas, vejamos:

Romanas, 2:3

E tu, ó homem, que JULGAS os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

Paulo previu já nos próximos versos o uso do texto inspirado por Deus por julgadores, homens farisaicos, para diminuir as pessoas, e mais: diz claramente a intenção de tais homens. Justificarem-se a si mesmos. Achando com isso escapar ao Juízo de Deus pelo apontar os erros alheios. É o famoso caso que Jesus havia denunciado do que olha o cisco no olho do irmão procurando ignorar a trave entre os seus. A Bíblia é assim. Não pode ser usada para apontar dedo, porque o que de tal expediente se usa, está ele próprio sendo apontado por ela como pecador ainda pior pelo intento de querer ser Juiz no lugar de Deus.

No debate religioso, no entanto, não quero me aprofundar. Até pra evitar cansar o leitor. E este, Pentateuco e escravidão, também não foi o propósito do debate, apesar das tentativas da articulista em levar para esse campo. Como já manifestei no texto, estou aqui debatendo a questão legal em nosso país e o conceito de casamento que vem sendo destruído mundo afora por simples pressão do ativismo gay que acha ter um direito que nunca teve. Sem considerar as consequências que virão. A questão religiosa é de outro âmbito. E ela não se restringe ao homossexualismo. Do jeito que falam, parece até que o único pecado para a religião cristã é a prática homossexual. Total absurdo. Mas dizer que não é pecado, seria outro absurdo.

Em suma, a questão religiosa não impede que cristãos sejam favoráveis ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Embora eu não veja como o cristão irá se safar disso com a Bíblia dizendo que não se pode compactuar com o erro, seja civil ou religioso (muro?). E também, em contrapartida, há ateus que são contra, sem se usar de um único argumento religioso, obviamente.

Eu sou contrário. Civil e religiosamente. Civil porque não acho benéfico mudanças de paradigma sem argumentos sólidos. Religiosamente porque, se fosse favorável, eu não amaria o meu próximo pelo que creio. Penso que mostrei o porquê de ambas as contrariedades. A articulista é que não mostrou um único argumento válido, não viciado pelo ativismo, pra ser favorável, como sempre!

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12 comentários em “Provocações – Casamento Gay

  1. A temática escolhida para está semana foi bem complexa. Apoio sua posição contraria, pois me provou com argumentações precisas e válidas, a veracidade das mesmas. Meus Parabéns pela produção e espero que assim como eu, muitas pessoas enxerguem a realidade, por mais difícil que ela seja. Abraço amigo, ótima semana.

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  2. Sólida argumentação, como sempre. Concordo contigo que o STF desconsiderou solenemente o texto da Constituição, bem como os debates parlamentares que deram origem a ele. Mas quando vejo outras tantas decisões dele, p.ex., sobre o rito do impeachment… Creio que a melhor solução para o problema encontra, como maior obstáculo, uma coincidência terminológica: a palavra “casamento”. Porque essa palavra designa dois institutos que deveriam ser distintos: o civil e o religioso. Distintos mas que, em alguns aspectos, se interpenetram – porque o casamento religioso produz efeitos civis, mas a recíproca não é verdadeira. Diante disso, pergunto-lhe, meu caro amigo, se o ideal – porém impraticável, na atual conjuntura – seria separar de vez os institutos, cada qual com um nome próprio? Tipo chamar o casamento civil de “união civil”. Porque os efeitos e requisitos já são próprios. Precisaria do amplo debate que vc também diz ser necessário – concordo. Um forte abraço.

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    1. Excelente comentário pra reflexão. Se os gritos se transformassem em palavras, nós bem que poderíamos ter chegado ao amplo debate. Mas a figura do Ativismo não quer debate, quer o “direito”, e aos gritos. Tanto que evita a discussão a todo o custo, só entrará nela quando puder ganhar. Acho que até conversamos sobre esse tipo de estratégia política. Vota-se quando se tem certeza que se vai ter ampla maioria. E eles ainda procuram impedir qualquer votação que se coloque nesse momento sobre o assunto. Há ainda a estratégia para construir uma concordância na população, preparando as crianças para a normalização através do kit gay. Isto é, vão conseguir logo logo maioria favorável inclusive entre a população pela intromissão no ensino politizado das escolas ou o uso persuasivo das mídias. É inevitável. Sobre o episódio do rito, uma vergonha. Barroso nem leu até o fim… Que era aquilo? Coitado dos excelentíssimos que passaram por lá, devem estar com vergonha mesmo se do outro mundo. Voltando ao assunto, Acho que não adianta a separação. O caso da Inglaterra, não sei se você perseguiu o link, demonstra isso. Lá separaram. Deram o poder às Igrejas de recusa. Não adiantou. Estão sendo processadas. É que muitos homossexuais vão acusar diferenciação, que não é a mesma coisa “só” realizar a união civil. Só que os ativistas agem por degrau. Uma coisa agora. Prometendo não interferir… Depois, outra coisa, e assim por diante. Posso estar errado, mas houve países em que Igrejas foram mesmo obrigadas a realizar a cerimônia com pessoas do mesmo sexo. É um problema jurídico de monta. Nem sei o que pensar. Pois a meu ver, os homossexuais estariam certos ao apontar discriminação de tratamento das igrejas. Se a lei diz que pode, como as Igrejas dirão que não. Haja liberdade de consciência religiosa pra lidar com esse problemão. Nos EUA aconteceu pior. Muitas foram as igrejas que autorizaram, antes mesmo da corte. Acho que uma delas foi a Presbiteriana. Forte abraço, caro amigo. Ótima tarde.

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      1. É, tem isso, também. Que eu, ingenuamente, não havia considerado. Mas vc tem razão, a história mostra que a estratégia é bem essa. Um forte abraço, meu caro amigo, e uma ótima tarde pra vc.

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  3. Caro amigo, durante o almoço, pensei num exemplo bem diferente do problema, para tentar esmiuçar minha tese. Vamos lá: casamento judeu. Salvo engano, se quiser se casar numa sinagoga, terá que… pois é, ir para a faca. Então, esse é um requisito essencial do casamento religioso judeu. Que, em hipótese nenhuma, pode ser estendido ao casamento civil. Ou seja, nenhum juiz de paz poderá exigir isso do noivo. Em compensação, não pode um cidadão entrar na justiça (laica) para pedir uma ordem judicial que imponha ao rabino que aceite o casamento do noivo gentio na sinagoga, ao argumento, p.ex., de que a circuncisão é uma lesão corporal, que fere a dignidade da pessoa humana, que fere suas convicções etc. etc. etc. Então, é nesse sentido que entendo a dupla vedação do princípio do “a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”: a religião não se pode impor requisitos religiosos ao casamento civil, nem o Estado pode afastar requisitos religiosos do casamento religioso. Por esse motivo, entendo que, assim como o Estado (aí incluído o Judiciário) não pode obrigar uma igreja a aceitar o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo, não pode uma igreja proibir o Estado de celebrar união civil entre elas, ou obrigá-lo a aceitar a poligamia etc.
    Bem, é claro que a lei atribui ao casamento religioso efeitos civis, porém desde que cumpridos os respectivos requisitos. Ou seja, p.ex., se numa cerimônia de casamento, sei lá, indígena, nada for assinado, ela não pode produzir efeitos na esfera civil. Nesse ponto, entendo que, quando o Estado diz “olha, para produzir efeitos civis, vai ter que assinar”, ele não está, a rigor, interferindo no casamento indígena, porque ele não proíbe que o pajé celebre o casamento. Se os noivos quiserem ser puristas, farão sem assinatura mesmo, terão seu casamento religioso tal como queriam. Mas se quiserem efeitos civis, terão que fazer outro ato, no cartório.
    Por isso tudo é que, na minha opinião, seria melhor chamar o casamento civil de união civil ou qualquer outro termo, para evitar essa confusão dos diabos – com perdão da palavra, rsrs. Um forte abraço, caro amigo.

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    1. Interessante o exemplo Judaico. O camarada tem que amar mesmo, kkkkk. No entanto, eu acho que a questão puramente verbal pouco influiria na polêmica. Por causa do enraizamento no consciente coletivo da questão. Pra se mudar isso, vão umas boas décadas ou até séculos. Se formos analisar, o mal estar vai ser sempre existente. Ao se pensar em soluções como você fez magistralmente aqui no comentário, surge pelo menos a esperança talvez utópica de se resolver a questão. Por isso a necessidade do debate. Que não acredito ocorrer nunca. Há muita emoção em jogo. E muitos riscos. Nós nem abordamos a questão adoção. Que é outra polêmica dos “diabos” como você diz. E se não houver adoção, entra-se na questão das “barrigas de aluguel”. Muitos gays já o fazem, creio que vi algo, não sei se usam a Índia ou outro país em que é permitido. Pagam lá uma mulher, faz-se inseminação e depois buscam a criança. No caso das lésbicas fica mais fácil. Pode uma das parceiras fazer o processo. Ou mesmo as duas. Amigo, pra falar a verdade, sei lá. É muito caroço pra pouca manga. Forte abraço.

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      1. Vc tem razão. Mudar de nome não resolveria. Na realidade, ainda acho que o uso do mesmo nome reforça o problema, porque reforça as influências recíprocas de ambas as uniões. Mas concordo contigo, para reconhecer, tardiamente, que só mudar o nome, ainda mais nessa altura do campeonato, não resolveria.
        Engraçado, acabo de me dar conta de outro problema terminológico. Sinônimo de casamento é “matrimônio”. Que, não estou com tempo agora de pesquisar, mas tudo indica que vem de “mater”, mãe. Seria outro obstáculo? Sinceramente, não sei, mas talvez desse uma boa reflexão. Quanto abacaxi pra descascar! rs
        Um forte abraço, meu caro amigo.

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  4. Como sempre, Waldir, sua argumentação é excelente, Clara e direta. . Estou totalmente de acordo, em gênero, número e grau. Às vezes nos sentimos mal por defender o que pensamos, porque pode ofender pessoas às quais amamos ou respeitamos provocação ou preconceito. No entanto sua exposição estava desprovida de qualquer provocação ou preconceito. Parabéns e obrigada por ter sempre coragem de expor a sua posição.

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