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Heresias Evangélicas: Dízimos (Republicação)

No texto anterior fui chamado de ignorante entre outros adjetivos nada gratificantes. É curioso notar que as pessoas leem o texto e partem para ataques pessoais: retrógrado, ignorante, burro, etc. Mas não fazem questão alguma de demonstrar sua inteligência respondendo com conhecimento e fundamento sobre a obra, não o autor. Essa é apenas uma das formas de não se sentir medíocre. Afinal, debater ideias é complicado, precisa estudo, debater pessoas só precisa de adjetivos. Não recebi um único comentário debatendo a ideia, embora eu mesmo saiba diversos aspectos do meu texto anterior que poderiam ser debatidos e até vencidos. Espero que nesse venham ideias e não ataques…

Dízimo. Não ignoro que esse é um assunto controverso. Dificilmente haverá unanimidade, mesmo assim vou expor o que acredito ser a verdade. O Dízimo é Bíblico? É! O Dízimo é mandamento? É! O Dízimo é cristão? Não!

É preocupante que a maior parte das pessoas não saiba de onde vem exatamente a ordenança quanto ao dízimo. Trata-se de uma ordem direta a Israel, como nação religiosa, para servir o Templo de Deus (Único, pois não deveria existir outros templos), e também os Levitas, que eram os responsáveis pelo serviço do templo. O qual não tinha herança nem parte com o Israel terreno, mas estavam a serviço do próprio Deus, que Era ou É sua herança.

Trazer isso ao Cristianismo transformou-se no maior malabarismo já visto até hoje, como interpretação forçada. Basta se ater aos fatos. Primeiro: para dar dízimo é necessário existir um único templo. Para receber os dízimos só os levitas são autorizados. Quase que um absurdo trazer isso ao Cristianismo, pois essa estrutura está claramente ligada a um povo, uma origem, um templo, uma cidade, uma nação, ESPECÍFICOS. Não há como colocar o dízimo como ordenança no cristianismo sem ter que fazer uma grande e complicada conversão de valores e instruções.

Não digo, é claro, que a Igreja deixa de necessitar de uma estrutura também institucional e terrena. É claro que precisa, e como! Que o diga Paulo. Porém, em suas inúmeras cartas, nenhuma vez cobra dízimo de ninguém. Convida-os a ajudar os irmãos pobres em Jerusalém, requisitando “coletas”, que certamente não têm valor especificado, pois não era para o Templo ou levitas, mas sim pessoas de ordem comum, cristãos pobres, enfim.

Não há qualquer menção de nenhum dos apóstolos ou discípulos para incorporar o dízimo na Igreja Primitiva. Há uma menção a salário, mas que Paulo veementemente aconselha a seguir o exemplo dele e não cobrar. Ele mesmo só aceitou ser servido por uma única Igreja, para não ser pesado a ninguém. Muitos apelam para o texto em que Cristo diz que alguns deixavam de cumprir a lei quando apenas davam o dízimo, mas não exerciam o principal da lei. Sendo necessário fazerem ambos. Atropelando a hermenêutica, alguns se apropriam desse texto para dizer que aí ele instituiu o dízimo cristão.

Total equívoco. Jamais. Ele está falando da estrutura antiga, com o Templo que ainda não havia sido destruído. Ou seja, quando usam esse texto o fazem em uma tentativa um tanto esquisita de converter o dízimo ao cristianismo à força.

A Igreja, como um todo, tem ordenança clara de cuidar dos pobres. É esse o objetivo das coletas e também das ofertas. Isso não foi abolido pois é uma lei perpétua, independente do Templo. O dízimo só existiu enquanto existiu templo. E era, na verdade, uma forma de reconhecimento da Terra que Deus lhes havia dado, a Canaã Terrestre. Eu desafio pastores, presbíteros e todos os religiosos que cobram e deixam ser cobrados a me provar que estou errado.

Se o Dízimo realmente fosse bíblico os primeiros a usar dele teriam sido os apóstolos, o que jamais ocorreu. O início da Igreja é marcado por uma divisão total de bens. A própria Bíblia afirma que ninguém recebia mais do que necessitava. Tudo era dividido. Não dez por cento, mas cem por cento. O cristianismo trata de forma bem mais intensa a respeito dos bens. Digo isso para que os cristãos saibam que têm muito mais responsabilidade nas contribuições, não apenas 10 por cento, mas tudo. E não pra enfeitar igrejas ou equipá-las com ar condicionado, mas, sim, sustentar desempregados, adotar órfãos, socorrer viúvas, dar comida, roupa e dignidade para qualquer cristão que esteja passando dificuldades. Até mesmo tratamentos médicos, enfim, todas as necessidades dos irmãos. Aliás, seria excelente que alguns fossem estudar porque os cristãos tratam-se de irmãos…

Foi exatamente isso que os primeiros fizeram, impressionando o mundo da época. Despojando-se de tudo em favor de todos. Hoje, infelizmente, os cristãos estão impressionando o mundo andando de jatos particulares, sendo carregados como super estrelas, e sendo mais ricos do que qualquer ateu ou empresário do mundo atual. Isso é uma lástima completa, uma vergonha, da qual todos nós acabamos por fazer parte.

Publicado em: 19/02/2014

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3 comentários em “Heresias Evangélicas: Dízimos (Republicação)

  1. Muito bom a reflexão que todos e cada um de suas postagens trazem. Meus Parabéns por estimular-me a questionar e refletir cada dia mais através delas.
    Um abraço, Waldir!

    Curtido por 1 pessoa

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