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Evangelicatólicos

Diante de tantas anomalias, “ecumenismos”, junções, heresias e modismos, ambas as Igrejas, Protestante e Católica, históricas tanto no Brasil como no mundo, fazem uma fusão pra lá de pitoresca. Cada qual tem suas características próprias, estando certas ou não, tendo defensores e opositores, são e foram importantes para o desenvolvimento do cristianismo na Europa e América, além do crescimento cada vez maior da pregação evangelística em diversos países da África, Ásia e no Oriente, este último em menor escala. Ambas têm identidade própria e diferem e muito em quase tudo o que professam, não no principal, creio eu. Isso não é de maneira alguma ruim, as divergências fortalecem e inspiram, além de estimular o estudo da história e também da Palavra de Deus, que deve ser sempre um dos objetivos principais dos cristãos.

No entanto, os defensores perpétuos de uma aproximação das duas são, na verdade, inimigos das duas. Fazem com que ambas percam suas identidades tradicionais e históricas. É claro que o diálogo, o respeito e a boa convivência são regras para as duas, mas isso não deve ser confundido com silenciar as verdades de ambas através de pregações entusiásticas, normalmente sem fundamentação, usando exemplificação isolada para apenas tentar dizer: “Vejam, a diferença é tão pouca que quase podemos ser iguais.” Ou: “fulano de tal protestante ou católico era favorável a isto e aquilo, os outros é que são intransigentes, mas não são em maioria.” Disfarçados num discurso que pretende ser respeitoso, por trás não se vê muito respeito nem pela sua Igreja nem pela do outro. É apenas uma fachada para uma se impor a outra, negando a identidade de ambas. Tentando misturar água e óleo.

Outros se isentam de qualquer discussão teológica com medo de desagradar, de desunir o que, historicamente, está desunido há pelo menos 500 anos. São participantes do mesmo grupo em tese, pois pecam pela tentativa de serem imparciais, mas são apenas omissos, tendo até vergonha de defender seus pontos de vista. Eu os chamaria mornos e são esses que causam estragos em ambas as Igrejas. Pois a relativização é perigosa tanto para os católicos quanto para os protestantes. Que a bem da verdade, são poucos no universo cristão. O que mais existe no Brasil é o Evangelicatólico. São os fundidos de ambas as cristandades. Não tendo identidade própria nem em uma ou outra. Siameses do mundo cristão. Correndo risco muito maior de não ser cristão nem na Igreja Católica ou na Protestante.

Isso surge também de um intenso desejo de se unir contra o que consideram muito mais prejudicial ao cristianismo como um todo, que seriam: o neoateísmo, a extrema esquerda e também o avanço do Islã. Ou assuntos que encontram eco comum na cristandade, tais como: aborto, casamento gay entre outros “progressismos”. Porém, ao se perderem no mar de sincretismos, adulterações perniciosas e cretinices as mais bárbaras para as duas Igrejas, estão apenas fortalecendo ainda mais seus adversários e enfraquecendo a própria identidade restrita de ambas as cristandades. Surgem exemplos absurdos, como “Arraiá gospel: Sem João mas com Jesus”, ou grupos “católicos” em que mulheres pregam. Eu mesmo fui a um “culto” desses, obviamente meio clandestino, convidado por católicos amigos desde infância, que tentavam me reconverter e provavelmente achavam que se me colocassem em algo parecido com protestantismo, antes de me levar à missa, iria funcionar. Saí de lá com uma péssima impressão, isso sim. Pois não encontrei nada parecido com protestantismo nem com catolicismo.

Nossas divergências, sejam de ordem teológica ou histórica, (pra quem ainda não sabe, não sou católico) não são inimigas e nunca serão ao ponto de fazer nos abster de nossas responsabilidades cívicas e morais. Não é preciso implodir nossas bases para tanto. Nem achar que o ecumenismo tal como proposto por alguns evangélicos e católicos é bom, porque inclusive fez e faz dizer que nosso Deus é o deus do islã. Qualquer deus que se tem acesso sem ser pelo nome de Jesus Cristo não é Deus, e não podemos ser considerados irmãos, nem primos, a não ser no conceito puramente material, humano. O conceito de irmão no cristianismo é sério e é espiritual, pressupõe sermos filhos espirituais de Deus por adoção através do sangue de Jesus. E essa é uma verdade cristã, absoluta, que alguns papas, pastores e, em determinado momento, até eu mesmo acabei negando na minha ignorância, e que nada mais é que uma negação totalmente contrária à Palavra de Deus. Isso só acaba por criar mais um indivíduo estranho: O “evangelicatolâmico”.

Devemos ter cuidado para não cair em muitas dessas tolices. Pois como já disse o apóstolo Pedro: “Mais importa obedecer a Deus que aos homens”. E muitos têm se desviado da verdade, procurando obedecer ideais humanos de “tolerância”, desagradam a Deus pela intolerância à verdade. Além disso, fazendo das duas Igrejas uma única coisa disforme, esquisita, mais parecida a cyborgs que organismos realmente vivos.

É claro que não ignoro discussões inúteis, oriundas de polemistas por natureza, provocadores por essência. Falar de Maria no sentido protestante aos católicos é desnecessário até certo ponto, pois vai ser como se estivéssemos xingando sua mãe. Assim como falar de Maria no sentido católico para os protestantes será como xingar Jesus. Esse tipo de assunto, realmente, deve ser evitado. São discussões tolas, que só tentam incutir na consciência do outro a sua própria. Mas isso não quer dizer que não devamos mostrar quem somos, com nossas identidades e individualidades, mantendo o respeito, e pulando de cima do muro, que é o local favorito do traidor. Certamente isso será bom para ambas as Igrejas, e destruiremos assim o poder destruidor dos sincretistas. Estes que, pretendem destruir tudo, dizendo construir.

Publicado em: 01/07/2015
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4 comentários em “Evangelicatólicos

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