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Eleições 2014

Por que, invariavelmente, sinto que isso não serve para nada? A desconfiança política é um sentimento comum. Não por acaso. Nossos políticos desenharam e parecem ter perpetuado esse sentimento.

As alianças destruíram quase que completamente as oposições. Se é que um dia existiram, talvez fosse só revanchismo para ter poder. Olhando de soslaio, todos têm a mesma fuça: progresso, mudança, melhorias e milagres. Logo que assumem o poder, a verdadeira face é mostrada. Tudo atoarda cretina.

Afinal, qual o problema com nossa provável democracia, ou melhor, quais? Infelizmente, eu enxergo muitos, milhares. Enumerar os principais é difícil. Todos? Impossível!

São muitos partidos, dirão alguns. Mas esse não é um problema, desde que se tivessem muitas ideias e ideais. Mas são muitos com nada a acrescentar, a não ser candidatos. Contudo, até esses estão minguados. Na verdade, fica difícil ver diferenças entre eles, até a roupa é igual. Tal é a pobreza de propostas.

Corrupção seria algo aceitável, ao menos no campo das probabilidades quando se mexe com tanto dinheiro. Se, e somente se, roubassem quantias moderadas. Mas não. Além de roubar, tem que ser tudo. Desde a nascente até ao mar. O que sobra são pedaços de pau e água barrenta.

Justiça? Mensalão? Esperança de eleitor dura eternamente na provável democracia, alegria, pouco. Esta, talvez seja até ilusão de ótica.

Propostas… Ah!, propostas! Pena de morte para assassinos, estupradores, seqüestradores e traficantes? Nem pensar! Direitos humanos para não humanos. Prisão perpétua para corruptos e corruptores? O quê? Está-se louco? É inconstitucional, não só a perpétua, mas qualquer prisão. Além do mais, ficariam a comer até morrer com nosso dinheiro. Faz sentido!

Mas o que ocorre? Eleição significa escolha, opção. Diante do significado, dá pra dizer que é isso que temos? Por que as palavras também não dizem o que diziam, ou o que se propuseram a dizer? Se eu votar no candidato A, mas ele não é igual ao B?! Votando no C, este é igual ao D e parecido com o A. Anular… Não adianta. Eles não estão nem aí para a nulidade, ela é um dado estatístico.

Por que os americanos, tendo só dois, parecem ter mais que nós, com quatro, cinco presidenciáveis? Vai entender… No segundo turno a zona é maior. Fica até difícil raciocinar, só usando cara e coroa.

E o processo de escolha dos candidatos nos partidos? Se não escolhemos as escolhas estamos diante do quê? E por quem? Por nós? Quem disse que queremos Aécios, Dilmas, Eduardos e Marinas? Quem disse que não escolheríamos como opções Josés, Antônios, Guilherminas e Marias?

Se não podemos escolher àqueles que podem ser os escolhidos, logicamente, nunca tivemos escolhas. Quem garante que todas as opções não são de um único grupo político que domina o país? É um processo viciado, quem ainda não viu? Se você fosse votar numa escolha para melhor jogador do mundo, que não contivesse Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, e apenas jogadores (com todo o respeito) do Ituano seria um processo normal? Quem garante que o que temos aí são as melhores opções? Alguns nem mesmo vereadores foram.

E os protestos? Ora, não é à toa que são jovens. A esperança de que pedidos aos inimigos façam deles seus amigos é vista de qualquer osciloscópio de hormônios juvenis. Não é o grito de fora que muda, é a ação silenciosa de dentro. Qualquer que já foi elevado à condição de adulto sabe disso. Quando começaram a incomodar um pouquito (não os protestos mas o escândalo midiático), aí infiltrações de baderneiros por todos os lados. Crianças que esperneiam e gritam, geralmente, só apanham. Isso de pais, que diremos de opositores com poder.

Tudo é tão irreversível que o que se vê se assemelha a uma roda, mas, no fundo nem tão fundo assim, é uma corda. Bem amarrada no pescoço. Sufocante demais!
Desculpem, patriotas e entusiastas do verde e amarelo. O que vocês têm nunca foi otimismo, é utopia. Vocês precisam de doses mais cavalares da realidade?

As diferenças dos partidos são: cores, bandeiras e músicas. Dos candidatos: sexo, raça, idade. Tudo é muito bonito no discurso, na prática é horroroso. Agora, mesmo no discurso está ficando horrível.

Verdades? Só existem quando mutuamente se acusam. E, no momento, até isso estão abandonando. Todas as acusações passaram a ser mentiras. Aquele que mentir melhor ganha. Depois, telefonemas. “Fulano, você mente tanto que sou obrigado a aplaudi-lo e parabenizá-lo por sua vitória!”

Estamos rindo do feudalismo, nas aulas de história. Das monarquias, ditaduras, que, no Brasil, só existiram na cabeça de comunas e esquerdopatas. Mas os direitistas não ficam atrás. São aficionados por delírios. Se uma barata aparecer é envenenada pela esquerda. Não posso duvidar muito. De baratas e ratos a esquerda entende. Até porque uma “ditadura” que provavelmente matou uns 400 num país com 100 milhões é no mínimo o ápice humano. Só hoje devem ter morrido um terço disso pela manhã, assassinados por nossa digníssima democracia. No fim, muito provavelmente, todos vão rir de nós também, posteriormente, de si próprios.

Quem me dera, acreditar no voto como a única e melhor ferramenta para mudar. O voto é sim uma conquista, desde que faça parte do fim e não do início do processo democrático. Aqui ele age como o princípio final. Infelizmente.

Quando o povo puder escolher a escolha. Quando puder ver qualquer pessoa sendo presa, quando digna de prisão. Quando 233 votos contra 131 favoráveis derrubarem um deputado corrupto (a matemática diz que 233 é maior que 131, nossa democracia não). Quando o salário de um deputado for menor que o de um professor. Quando o professor for preparado sob a verdade para ensinar e não sob o socialismo e comunismo medieval. Quando pararem de confundir progresso com bunda e dancinhas pornográficas. Quando… Quando…

Fim do voto secreto? Essa não era uma das defesas dos parlamentares que ainda queriam votar contra ideias absurdas? E agora, se não votarem junto com o partido a guilhotina os aguarda. Ficha Limpa? Aham, alguém já ouviu falar de “laranjas”. Fidelidade partidária ou escravidão ideológica?

Quem está no poder, desde as diretas já, quer que o país se exploda. Quem não vê?!

Soluções? Várias. Nenhuma delas contêm pedras, cartazes e votos sem escolha na mão.

Publicado em: 09/11/2013
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16 comentários em “Eleições 2014

  1. Taí, mais uma vez. Texto de 2013 e continua atual. Neste país, isso não é mérito de vidente, mas mérito de quem sabe observar o presente. Nisso tudo que vc falou, o que muito tem me incomodado é o discurso vazio dessas dezenas de partidos. Ontem foi o cúmulo: estamos à beira de uma mega-manifestação, o país em ebulição, e me aparece um partido de aluguel na TV para tomar nosso tempo com abobrinhas bonitinhas como “nós fazemos a diferença”? Pois não passam de lixo! Por isso e tudo mais, parabéns pelo excelente artigo.

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    1. Verdade absoluta, assino embaixo. Não passam de lixo. Como chegamos a isso, caro amigo. Onde foi que erramos tanto pra produzir tanta porcaria em ritmo industrial chinês. É uma vergonha que não tenhamos uma porcaria de partido que aja explicitamente representando de maneira legítima os brasileiros. Isso é o fim da picada. Uma mega manifestação da qual alguns imbecis querem se apropriar. Essa oposição calhorda, panaca que nada fez em mais de década para evitar o aparelhamento e o saque. Esse povo sofrido que vai gritar não merece tamanho abismo político. Temos dezenas de partidos iguais em tudo. Não há um que possamos olhar e falar voto na legenda. É uma tragédia política talvez sem precedentes na história da humanidade. Você que conhece de historia pode me corrigir. Temos uma classe política que representa ninguém a não ser uma minoria safada e bandida. Esses marginais do poder ainda querem nos usar. Nem sei mais o que dizer. Lamentável, lamentável.

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      1. Concordo integralmente e assino embaixo. Sobretudo em sua crítica à “oposição”. Já republiquei aqui algumas coisas do RL para colocar o PSDB no seu devido lugar, mas nunca é o suficiente. Estou armando a garrucha, mas é um procedimento lentíssimo. Quando vou terminar de pôr a pólvora e o chumbinho, não sei. São muitos os alvos que se apresentam. Como vc é mais rápido no gatilho e seus tiros são mais certeiros, conto contigo! Um forte abraço, caro amigo.

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        1. Criou uma expectativa sobrenatural essa preparação. Tenho certeza que o escrutínio com o cuidado seu produzirão algo único. Precisamos de fato denunciá-los. O muro que eles sentam parece ser mais difícil de implodir que o de Berlim. Quando vão dizer que são petistas de terno? Abraço, amigo. Ótima noite.

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          1. De fato, o muro parece indestrutível. Mas está cada vez mais fino, cada vez mais difícil de se equilibrar nele. Uma hora essa turma vai ter que escolher um lado. Ou farão slackline no muro? rsrs… Um forte abraço, caro amigo.

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          2. PS: não alimente expectativas. Ontem, para minha própria decepção, percebi que perdi algumas anotações. Ou seja, além de lento, também desorganizado e perdido. Vai ser difícil de armar a garrucha desse jeito, rs. No final, dá medo de, depois de tanta preparação, sair apenas um tiro de festim…

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            1. Nem posso te recriminar. Por aqui, só acho coisas quando não as procuro. Nem sei se dá pra dizer acho ou trombo. Essas anotações vão aparecer, ah se vão. Quando não precisar mais delas, certamente. O que é estranho, não sei se isso ocorre com você, quando procuro anotar qualquer coisa, quase nunca preciso voltar a consultar. As anotações das quais preciso são sempre as que procurei criar e acabei por me esquecer. Esse esquecer de criar faz com que eu também esqueça posteriormente o que queria não esquecer de criar. Não sei que nome dar a isso. Talvez seja tão ridículo que é melhor nem nomear. Abraço, caro amigo. Ótimo dia

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              1. Mas é bem isso! rsrsrs… Ivan Lessa disse algo muito interessante sobre isso, é mais ou menos assim: dizem que escrever é difícil, mas escrever, todo mundo escreve; o difícil mesmo é tomar notas; pra isso, sim, é preciso talento. Rarará! Tome nota desta pérola, rs. Um forte abraço, caro amigo.

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  2. Quanto aos patriotas, não é interessante observar quando o verde-amarelo toma conta das ruas? Antes era só em Copa do Mundo. Agora, também nas manifestações. Acho que há uma explicação: parece ser uma percepção de que o partido no poder tem motivações alheias ao próprio pais, porque se trata de uma causa internacional. O que é muito curioso, porque eles, na oposição, sempre acusaram o governo de atender a interesses estrangeiros. Só que o episódio da invasão da Petrobrás na Bolívia mostrou, com todas as tintas (ou melhor, com uma só), qual é a “pátria” deles.
    De qualquer modo, há uma diferença muito grande entre nosso patriotismo e o americano. Lá, é muito comum ver bandeirinhas deles, sem data especial a justificar. Aqui, temos um patriotismo com data marcada, hora para começar e para terminar.

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    1. Comentei acima sem nem ver esse abaixo. Veja como flui tudo para uma síntese perfeita. É esse o sentimento. O verde-amarelo ê a denúncia maior de que o Brasil não é governado por brasileiros. Isso se encaixa no espaço vago que a monarquia retirada por bandidos nos deixou. Precisávamos de um rei brasileiro. Vestido com a bandeira do Brasil e sangue nos olhos. Dizendo ao mundo o que não podemos dizer. Será que não é por isso que não somos patriotas. Por terem roubado nossa história. Jogado no lixo nosso alicerce monárquico. Os EUA,tem sua história, nós não temos a nossa. Talvez esse tenha sido o problema. Maldita Guerra do Paraguai que deu aos milicos o poder pra destruir o país. Abraço, amigo. Bom fim de semana.

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      1. Pode ser, pode ser! Ontem, um mar de verde-amarelo. Hino Nacional, várias vezes (prefiro o da Independência, é menos contemplativo, mais combativo). E o grito de guerra: “a nossa bandeira jamais será vermelha”. (Só não fui com minha bandeira do Império porque ela é daquelas pequeninas, de mesa…) Mas se podemos agradecer alguma coisa ao grupo que está no poder, é justamente isso: eles conseguiram – contra a vontade, é claro – fazer ressuscitar o patriotismo. Não é curioso, isso? Durante o período pós-64, o patriotismo era identificado com o poder, então era evitado por quem a ele se opunha. Hoje, ele é identificado justamente com quem se opõe ao poder… muito interessante essa inversão de papéis… e certamente não foi por acaso, né, meu caro amigo? Um forte abraço e uma ótima tarde pra vc.

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        1. Curioso ao extremo. Diria que você criou uma frase que merce exclamação e post. Vou refletir sobre isso que disse durante algum tempo. É preciso calma pra digerir. Quanto à Bandeira e o verde-amarelo, acho aue os vermelhos não usam e não se apropriam por conta do Ideall da frase ser o exato oposto do que querem no Brasil, e no mundo. Abraço, amigo. Obrigado por sempre fazer pensar.

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          1. Bem observado. Tenho cá minhas restrições à bandeira republicana. Mas a restrição deles, ao lema, é de outra ordem. Digo, de outra desordem, rs. Obs.: se há mérito na reflexão, foi graças ao seu excelente artigo. Um forte abraço, caro amigo.

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              1. E tem outros problemas, já apontados pelo monarquista Eduardo Prado. Aquele lema é da igreja positivista. A reprodução do céu está invertida, como se a gente o olhasse por um espelho no chão. Não respeita a heráldica. Enfim… trocamos uma bandeira de verdade por um banner de propaganda. Um forte abraço, caro amigo.

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