Artigos · Opinião

Eduardo Jorge e o Aborto

O candidato pelo PV à Presidência da República, Eduardo Jorge, disse que o aborto é uma questão pessoal e consolidada, e que a lei brasileira diz que as mulheres que fazem aborto são criminosas, e que elas são tratadas como criminosas. Mas eu acredito que o aborto não é uma questão nem pessoal nem consolidada. Não é nem mesmo uma questão, é uma ação. Pessoal é a escolha de candidato e consolidado é o voto obrigatório. Abortar é apenas um crime.

E as mulheres que fazem aborto não são tratadas como criminosas, elas são criminosas. Ele mesmo diz que é lei. Afinal, Sr. Candidato, leis são pra quê? Elas não dizem aquilo que a sociedade expressa e discute como valores irrevogáveis? Para ser mais exato, no momento, oitenta por cento da sociedade diz que não concorda com o aborto, mesmo se ele não fosse considerado crime. E a lei diz que é crime. Portanto, para cem por cento da sociedade brasileira o aborto é crime, como é crime o assassinato e o latrocínio. O Sr. quer convencer-nos dizendo que a lei poderia não ser lei, que o crime poderia não ser crime e que os valores da sociedade poderiam não ser os valores da sociedade?

Convença-nos com argumentos, candidato, não com discursos sem sentido e patrocinados por ativistas que nem sabem o que significa as palavras filho e filha.

Engraçado que esse partido, certamente, defende os ovos de galinhas e uma árvore, mas não defende a prole humana. Duvido muito que defendam a pena de morte para quem mata. Pena de morte pra assassino é imoral pra essa turma esquerdista, mas pena de morte para um ser inocente e indefeso, não? A cada dia nutro menos respeito por “ecologistas” e esquerdopatas. Alguns são capazes de deixar pessoas morrerem de fome pra ver uma dúzia de azaleias vivendo. O candidato ainda diz que a mulher que faz o aborto sofre muito por ter feito. Ora, então é simples: não faça e não irá sofrer, não irá fazer alguém inocente sofrer e nem será criminosa. Ainda falam que ele é médico, como se isso atenuasse de alguma forma suas declarações ou as validasse.

Oras, a opinião de um médico que defende o aborto é a mesma que um policial que defende a pena de morte. No sentido relativo, pois o policial pelo menos tem argumentos reais para ser favorável à pena de morte do assassino, afinal, os assassinos matam, fetos não. Devo concordar com o aborto só por que um médico é favorável a ele? Que tipo de argumentação é esta? Você deve concordar com a eutanásia porque médicos fazem a eutanásia? Se as pessoas favoráveis ao aborto, incluindo candidatos e médicos, querem realmente discutir o aborto, façam pelo menos o favor de discutir o aborto. Saber fazer aborto e ver mulheres sofrendo por causa do aborto não é argumento pra legalizar o aborto. Pelo contrário, é síntese para não fazer. Uma coisa é certa: no PV não voto nem para boneco de posto de gasolina.

Eu posso até ouvir os argumentos favoráveis ao aborto e refletir sobre eles; desde que sejam argumentos…

Publicado em: 11/09/2014
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5 comentários em “Eduardo Jorge e o Aborto

  1. Meu caro, vc tem razão quanto ao EJ. Mas eu te pergunto: era de se esperar o contrário? Se olharmos a trajetória política dele, o resto do discurso, tudo parece muito coerente. Portanto, não me surpreende – confesso que eu não sabia que ele tinha dito isso. Então, por incrível que pareça, até aí, tudo bem. O problema, meu caro amigo, me parece ser a postura da Marina. Um colega meu, evangélico, falou que não votaria nela justamente pela forma contemporizadora com que ela tratou do tema – salvo engano, teria dito que é contra, mas que é matéria para plebiscito. Ele disse que plebiscitar esse assunto também é inaceitável, sendo mais inaceitável ainda vê-la dizer-se evangélica com um discurso desses. O que vc acha? Um forte abraço!

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    1. Não faz muito tempo que eu conversei com um amigo sobre Marina. Veja que observando em um primeiro momento, ela é elogiável. Foi o que fiz. Mas depois disso, passei a ler algo sobre, e cheguei à conclusão de que é totalmente questionável. Li palavras e vi atos bem suspeitos no que concerne ao conservadorismo e postura de alguém que se manifesta acima da tipologia uma cristã. O que vejo do seu comentário é que EJ está sendo ao menos coerente. Isso dá o que pensar… Abraço amigo e obrigado pelo convite à análise minuciosa. A farei.

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      1. Pois é, se formos mais adiante, a coisa complica pro lado dela. Veja, p.ex., como foi a adesão a Aécio no 2º turno de 2014. Lembrando que ambos são ex-petistas. EJ, até para minha surpresa, foi o primeiro a aderir! E o fez de forma incondicional. Já a MS, vc lembra, foi um “parto de ouriço”.
        Quanto ao aborto, a diferença está, pelo visto, entre um jogo mais aberto, às claras (diante dessa afirmação de EJ, um eleitor dele não poderia se surpreender depois), e um jogo camuflado, que não quer perder o eleitorado evangélico, mas quer deixar aberta a brecha para uma política abortista – qualquer coisa, culparia o plebiscito – que ela mesma convocou…
        No atual momento, não sei o que pensa EJ, até porque não dou a mínima. Mas não é estranho o silêncio de MS? Pior que o silêncio, a omissão! Num momento grave como este, quem se esconde quer o quê, afinal? Minha resposta especulativa: deixar abertas as portas da Rede para receber os próximos ex-petistas. Que serão aqueles, como Marta, que só sairão por motivos circunstanciais (má fase do partido, briguinha local etc.), não por motivos estruturais (discordância de suas políticas e práticas). Por isso, a porta da Rede não pode ser muito estreita. MS a mantém bem aberta. E estende o tapete… vermelho.
        Talvez – e encerro a especulação retornando ao seu tema – seja por isso mesmo que ela tenha dado respostas tão evasivas sobre o aborto…

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        1. Perfeito. Muito bem delineada toda a estrutura de ação. Se não for isso, não se sabe o que pode ser. O ex-petismo é algo que nunca produziu coisa que preste. Pelo contrário, parece ir da extrema esquerda para o quinto da esquerda. Ficam num processo de pena. Eles sofrem pelo PARTIDO. Creio que até choram e se jogam no chão no particular. Com esse pessoal do socialismo cristão, apelidado de bancada evangélica, tem que ficar bem esperto. Alguns indivíduos estão ali claramente num descaramento digno de prêmio. E o pior é que muitos evangélicos acreditam. Eles ajudaram eleger Lula e assumiram isso publicamente, dizendo terem se “arrependido”. Esse jogar pra plateia é sempre coisa de: Banana ou mentiroso. Definitivamente, vale, no mínimo, um arquear de sobrancelhas. Abraço, amigo.

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