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Ecumenismo é Totalitarismo

A diversidade não é de maneira alguma um problema a ser resolvido. A difusão da diversidade como único meio de existência da liberdade e respeito irrestritos; coletiva e individualmente, é um problema gigantesco a ser resolvido. Porque do primeiro modo ela existe em si mesma, do segundo, existe por decreto e indução. E tudo o que surge como “Único” é método de controle, por vezes social, por vezes mental. No primeiro há a diversidade, no segundo “parece” haver a diversidade. Essa é a diferença. Conclui-se disso algo óbvio: a unidade da diversidade não é diversidade, mas imposição totalitária disfarçada. Exclusão de toda a subjetividade e individualidade. Características essenciais da diversidade real. O grande paradoxo é que o segundo é praticamente a mesma coisa do primeiro. Como diria alguém: o diabo reside nos detalhes.

Por esse e outros motivos sou totalmente contra o Ecumenismo. Pois ele se apresenta como unidade de diversidades. Logo, representa como meta o fim da diversidade em si mesmo. Toda a oposição é boa. Não existe liberdade ou democracia sem oposição. É claro que se pode contrapor que o Ecumenismo é apenas um entendimento universal das religiões. O problema reside nisso mesmo. Isto é, e quem se nega a agir sob esse entendimento universal das religiões, como será tratado? Como diverso ou separado do diverso? Obviamente que separado do diverso como se não diverso fosse, mas intransigente, ignorante e separatista. Ou seja, acusado do que faz o acusador. Eis a meta: outra inquisição silenciosa. Apregoada como diversidade, mas agindo sob forte anseio de unificação, forma-se em segundos na consumação de totalitarismos.

Não se pode negar que muitos aí estão nas melhores das intenções, ao quererem o entendimento. Mas confundem entendimento e respeito com Assembleia equivalente. O entendimento e o respeito não precisam de representações caricaturais. Precisa tão somente da existência de opostos agindo exatamente como opostos no campo das ideias. Toda a representação unilateral é comício de vaidades sem fim. Em uma igreja protestante existem diversas posições ideológicas, filosóficas, teológicas e empíricas. Fica claro que colocar um representante único, ainda que seja uma única congregação com quinze membros, é o absoluto desrespeito. Pretensão ridícula.

E, hoje em dia, nem mesmo os católicos estão conseguindo ter simpatia e unanimidade por todos os atos de seu líder. Vários são os que não se sentem representados pelo Francisco, assim como vários são os que não se sentiam representados pelo Bento. As igrejas evangélicas brasileiras estão todo o tempo buscando unidade na diversidade. Nisto se veem eventos grandiosos como “A marcha pra Jesus”, e associações comuns, inclusive sociedades bíblicas, que têm por presidentes quase que a Voz total dessa cristandade difusa. Isso é um grande erro. Pois nos tratam como gado. Eu não sou ovelha de homem. Na minha diversidade não me cabe líder a não ser Jesus Cristo, O Senhor. Por que sou classificado como se fosse um dominado? Por certo alguém quer me representar à revelia. Isso é ou não totalitarismo?

Teria algum líder desses a humildade de dizer que não representa nem sua casa muitas vezes? Precisamos da ordem de um líder para respeitar budistas, umbandistas, mulçumanos e ateus? Não, claro. A não ser que aceitemos o domínio da nossa própria liberdade. E o que é respeitar? Seria calar a nossa individualidade e clara oposição, obedecendo o bem maior? Que bem maior seria esse, se eu penso que muitos estão sendo enganados? Oras, se me calar vendo um crime, não sou eu cúmplice? Se sou cristão é porque não sou budista, oras. Ou ateu.

Mas querem me constranger. Querem nos constranger. Todas as vezes que se unem em seus escritórios estão constrangendo a mim e a todos. Por quê? Estão lá tirando fotos e publicando-se como se fossem milhões e não dez ou vinte. É muita pretensão para aturar e ficar calado. Ignoram os boçais que todas as igrejas existem porque são seus membros, inclusive os pobres, que as sustentam? Por que muitos deles nem mesmo trabalham? Acaso não recebem e comem por causa dos cristãos? Ou dinheiro nasce deles e para eles? Raça de víboras. Querem meu sangue, mas não o terão. Agora alguns ousam dizer que me representam até no congresso nacional. Evangélico isso, evangélico aquilo. Líder da bancada evangélica e blá, blá, blá. Ótimo. Representem-me. Cortem seus salários, durmam nos albergues, e deem o dinheiro do povo de volta, andem descalços, façam jejuns e tratem de parar de tentar controlar a população e dizer que são representantes.

E o que isso tem a ver com ecumenismo? Tudo. É assim que seremos representados, nos mesmos moldes. Como gado. Como produto de seus anseios como se anseios nossos fossem. Aí alguns podem dizer que o Ecumenismo não é nada disso. Bem, sabemos que a pregação do Ecumenismo como ideal nos tempos contemporâneos é da Igreja Romana. E o que ela quer? Vejamos artigo tirado do próprio site do vaticano, somente a introdução. (1)

“PROÉMIO
Natureza do movimento ecuménico
1. Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II. Pois Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Todavia, são numerosas as Comunhões cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido(1). Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura.”

Pronto. Está dito. Quem aí duvida que essa Única Igreja é a Igreja Romana. Ela mesma falando de si mesma. Agora se o ecumenismo romano é contra a divisão, será a favor da unidade totalitária ou não? Claro que, lendo todo o texto que vem do excerto, a concepção de que quem divide a Igreja não é a Igreja Romana mas as protestantes. No entanto, essa visão é parcial e autoritária. E se eu achar que quem divide a Igreja é justamente a Igreja Romana? Argumentos não me faltam. Eis o problema de certas pregações em favor do ecumenismo. Elas não encaram a realidade da parcialidade evidente. Ninguém há que assuma a responsabilidade por tantas denominações. Um sempre culpa o outro. O melhor não é justamente um aceitar o outro? Seria isso o ecumenismo, isto é, um culpar o outro e induzir à perfeição sua? Claro que não. Se for o ecumenismo romano, muito menos. A realidade é que esses ecumenismos só vão criar mais divisão. Por isso, digo não ao totalitarismo ecumênico. E, sim, às brigas, troca de farpas, empurrões e até cismas. É assim que todos nós garantiremos nossa própria existência como indivíduos autônomos, e não como gado de paspalhos.

(1) http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19641121_unitatis-redintegratio_po.html

Publicado em: 27/05/2015
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Um comentário em “Ecumenismo é Totalitarismo

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