Crônicas

O medo que paralisa (Republicação)

Pensou em escrever sobre suas posições políticas, mas isso poderia desagradar vários de seus leitores que eram petistas.

Pensou em escrever sobre a sexualidade, mas isso poderia desagradar vários de seus leitores gays, bi, poliafetivos.

Pensou em escrever sobre religião, mas isso poderia desagradar vários de seus leitores de outras religiões, ateus etc.

O medo de desagradar foi, paulatinamente, privando-o de escrever e falar sobre qualquer coisa. Escolheu a ficção. O lugar onde é possível colocar na boca de outros o que se pensa e sair pela tangente. Mas não convenceu, porque a construção ficcional requer a prática de saber o que pensam os que se lhe opõem. Pouco a pouco, foi perdendo todos os leitores. Até não ter mais nenhum. Por sempre soar fingido e inexperiente.

O medo de os perder o levou a perdê-los. Ou, o medo de perder alguns fez perder todos.

Publicado em: 17/10/2015
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