Microconto

Microconto Amor ao Primeiro Som – Quarta-feira Criativa 02-03

Obrigado pelas leituras. Vocês me estimulam demais.

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C__Data_Users_DefApps_AppData_INTERNETEXPLORER_Temp_Saved Images_Irasi.jpgAmor ao Primeiro Som

Nasceu cego, mas era feliz. Até que seus pais resolveram, desejaram e decretaram que ele seria músico. Várias foram as tentativas. Aos sete, aos nove, aos onze. Todas quase inúteis. Seus pais resolveram, não desejaram e decretaram que não seria músico. Nesse momento, Pablo resolveu, desejou e decretou que seria. Não somente um, mas o melhor de todos. É que ouviu uma música sendo tocada no teclado da igreja. Quando perguntou quem a tocava, disseram que era uma garota. Chamava-se Flor. E esta Flor era cega e tinha a mesma idade de Pablo.

Foram apresentados. Tornaram-se amigos. Pablo a fazia rir como ninguém. Zombava da sua cegueira, da dela e da cegueira real, a do mundo. Apaixonou-se perdidamente. Primeiro pelo som dos dedos ao teclado, depois pelos sons que saíam das pétalas vocais da Flor. Até que ela, bem levada, pegou a mão de Pablo e deixou-o acariciar seu rosto. A mente dele formou diversas cores, e toda aquela escuridão se transformou em luzes coloridas.  O que o levou ao desejo de pedi-la em namoro com uma música dedicada. Só que teria de voltar a estudar a música.

E voltou. Dia e noite. Seus pais ficaram preocupados. Aquilo estava com cheiro de loucura. Flor brigou com ele porque não lhe dava atenção. Pediu desculpas e brigou de novo trinta vezes. Ele continuou. Queria conquista-la. Conseguiu tocar o tema de Amor Sem Fim com perfeição pra ela. O sorriso de satisfação foi sentido por Pablo. O beijo estralou como a fogueira. Eles ou-viram o Amor.

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20 comentários em “Microconto Amor ao Primeiro Som – Quarta-feira Criativa 02-03

  1. Meu amigo, que produção mais emocionante! *-*
    A pureza e vivacidade estão estampadas em cada linha.
    B e l í s s i m o ! ! !
    Forte abraço e continue a privilegiar-nos com seus maravilhosos microcontos ;D

    Curtido por 3 pessoas

      1. Os textos que li dessa semana, estão muito bons. Fico até receosa em escrever e decepcionar rs Mas mesmo assim, se a inspiração vier, tentarei participar , vamos ver no que dá. Um abraço e bom restinho de semana. ❤

        Curtido por 2 pessoas

  2. Bom dia, Waldir, tudo bem?! Achei super fofa a história. Trouxe-me a memória a época em que eu comecei as aulas de violino.Deu saudade! Interessante perceber justamente a questão dos limites, até onde podemos ir e porque não quebrar essas “barreiras”.O amor na verdade acontece quando somos capazes de reconhecer os pequenos “grandes sentimentos”, não em relação ao outro, mas a si mesmo. A parte da escolha dos pais muito me chamou atenção. Na realidade, escolhas, me chamam atenção. O ser e o não ser. Você quebrou tudo, logo na primeira frase: “Nasceu cego, mas era feliz.” não houve nenhuma necessidade de aceitação. Quem precisa enxergar? A gente vai juntando nossas cegueiras e fica tudo certo. E assim a música da vida toca…../ Um abraço, meu amigo. Bjo

    Curtido por 3 pessoas

  3. Caríssimo, não sei se foi intencional, mas colocar dois cegos para descobrir o amor parece justamente uma grande sacada, porque é transformar a metáfora de que “o amor é cego”. Não sei se houve alguma intenção no nome Pablo (Neruda? Picasso?), mas no nome Flor, gostei que é uma indireta a outro sentido aguçado nos cegos: o olfato.
    Gostei particularmente desta frase: “Primeiro pelo som dos dedos ao teclado, depois pelos sons que saíam das pétalas vocais da Flor”. Bravíssimo! Esse som involuntário dos dedos, seja ao raspar as cordas do violão, seja ao bater com as unhas no teclado, ou ao percutir teclas que estão com o marfim meio solto ou oco (o que era comum em pianos antigos), sempre me fascinou. As orquestras também emitem sons involuntários, das chaves do oboé, do arco do contrabaixo e assim por diante. Também me fascinam.
    Quanto às pétalas vocais, sabe o que me ocorreu? A tal “voz aveludada”. Algumas cantoras a têm. É um timbre muito interessante, parece que o sopro de ar precisa ser mais forte para virar as cordas. Aí pensei justamente naquela textura das pétalas de rosas, que não são lisas, mas “aveludadas”, como essas vozes. Então, imaginei que Flor tivesse essa voz especial.
    Em resumo: belíssimo conto, parabéns.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Muito obrigado, caro Laércio. Veja, pensei inicialmente na questão Amor à primeira vista, e como isso soa contraditório no caso do deficiente visual. Sobre o Pablo, não pensei em nada não. Foi uma escolha sem qualquer intenção digamos simbólica. Já sobre a Flor não, quis aí realmente trazer uma aplicação literário-poética ao sentido mais aguçado pela perca de outro como, nesse caso, a visão. Assim como ao da audição pela música e o do tato. Sobre suas considerações musicais, é maravilhoso ler isso. Você deveria escrever mais sobre, percebe-se que ama a música como ninguém, além de nato conhecedor, e isso desde o recanto pude perceber. Amigo, novamente, muito obrigado. É um estímulo grande pra mim seu feedback, como sempre. Forte abraço.

      Curtido por 2 pessoas

  4. No casamento de duas pessoas cegas existe um heroísmo quase acima da compreensão, pois um não poderia ajudar o outro no que se referisse a esta limitação. E a visão é o sentido que mais falta faz.
    Mas o mundo tem muitas histórias reais de superação (como Hellen Keller) ainda que as pessoas tendam a estranhar.
    Passei para visitar seu blog, nem sempre sobra tempo (sobre os tais smartphones e o vício que provocam, conforme meu artigo que você comentou, fico estarrecido em que essas pessoas tenham tempo para ficar dia e noite mexendo na COISA; claro que prejuízos estão ocorrendo).

    Curtido por 2 pessoas

    1. Certamente, caro Miguel. Um grande heroísmo. Sob o ponto de vista religioso, dos milagres do Nosso Mestre, vejo os da cura de cegos como mais impressionantemente belos e admiráveis, mesmo quando comparados às ressurreições e fazer andar paralíticos. Além de tudo, são emocionantes ao extremo. A superação, contudo, em meio à limitação, não deixa de ser um milagre e um exemplo dado por Deus a todos nós, como a citada por você. Que, pelo que consultei, não era conhecedor da história, também era surda. Off: esses touchs, bem poderiam mesmo ser categorizados de COISAS. E se estão caro Miguel, se estão ocorrendo prejuízos. Eu mesmo estou em processo de desintoxicação dessas drogas. Forte abraço, amigo, ótima semana. E obrigado pela visita.

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  5. Fico feliz de ver a repercussão do seu belo conto, Waldir!

    Acho que a quantidade de elogios apenas confirma que esta foi sua melhor participação na Quarta-Feira Criativa até o momento.

    Continuo na torcida para que você se supere a cada participação 🙂

    Grande abraço,
    Lucas Palhão

    Curtido por 1 pessoa

    1. Boa noite, Lucas. Pensei ter respondido, mas parece que algo falhou e não enviou minha resposta de agradecimento. Muito obrigado novamente. Sem deixar de dizer que quase tudo isso se deve ao projeto e à capacidade dele de nos levar a intensa reflexão para construir uma história. É desafiante e estimulante. Sem ele por base, tantos belos microcontos jamais surgiriam. Portanto, divido qualquer mérito contigo e o genial Quarta-feira criativa. A recíproca é verdadeira. Desejo que esse projeto seja, a cada edição, superior e melhor. E sei que será. Não sei quais são seus planos, mas manifesto o desejo de que continue, como fã e participante. Forte abraço, Lucas, ótima noite.

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