Crônicas · Poesia

Rúach

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Tudo está tão parado dentro e fora

Não há um único movimento seu

Só lata, plástico, pesadelo e sofrimento

Nesse calor infernal

O frio é o que corta!

Estou com medo da morte!

Estou aterrorizado de medo

De que você venha Como tempestade!

Estou com medo!

Eu estou com medo!

Eu juro que tentei no meio de ímpares

Estou só, sem par. Sem nada.

Quero estar a sós com você.

Um novo velho único par-ceiro.

Onde está?

Por que não está?

Será tarde demais?

Mesmo sem nunca ter sido manhã?

Bata com leveza em meu rosto

Não como bate meu coração agora

Não como bate a tristeza no semblante

Igualzinho a ontem e anteontem

Levante meus cabelos e meus olhos

Levante minha alma, eu estou morrendo!

Levante pela sua mão invisível

O meu invisível espírito

Todos os pesos das desgraças todas estão caindo sobre mim!

Estou segurando ajoelhado, não posso aguentar mais

Leve todo o lixo embora com um tufão

Carregue todo o peso, toda a sujeira como um furação

Leve-me, leve, lave-me, me deixe leve, limpo!

Impenetrável, Impensável e Impesável!

Faça-me dançar com seu redemoinho

Enquanto afaga meu rosto, carinhosamente

Seque minhas lágrimas

Faça-as escorrer pra longe de mim

Estanque o sangue que vasa e encharca

Eu sou hemorrágico!

Eu estou com medo!

Assopre minha ferida que arde

Como dói ter dor!

Eu choro com meu amigo e minha amiga.

Tire-me o dom de afastar os que me amam

E de aproximar-me aos que me detestam

Quero Sentir de novo sua calma

Uive e produza o caminho nas vielas

Do submundo me lance por sobre-o-Universo

Quero as escadarias de novo!

Correr atrás das borboletas

Pegar os vaga-lumes

Subir nas árvores em vez de rastejar no asfalto

Do fundo do poço

E do fosso e da fossa

E de todos os eus que não eu

Este demônio que me sufoca é muitos, milhares

Assuste-o com Seu assopro Poderoso!

Como rugido dO Leão da Tribo de Judá.

Quero sua brisa, Quero seu frescor

Quero respir-ar!

Penetre em meus poros dramáticos

Caminhe em minhas veias entupidas de lodo

Atinja o ramo do cone arterial

Balance a corda cardíaca

Bombeie sangue vermelho

Nesse coração roxo do susto

E que trepida com muito custo

Resfrie o meu calor e esquente o meu frio

Equilibre-me nesse desequilíbrio!

Dance até meu cérebro

Infiltre-se nos meus pensamentos

Faça-me mais leve que o ar na pena

Desfragmente-me, formate-me

Mate-me e Ressuscite-me outro!

Junte esses cacos e me faça vaso de novo

Um novo eu que sempre fui

Avance até a alma e a eleve a Deus Criador!

Nem que seja no murro e no pontapé!

Avise O Meu Pai que eu Sinto a Falta Dele!

Avise O Filho Amigo Irmão que eu estou batendo!

Avise a Ele que espero ajoelhado e até deitado, enterrado.

Chorando com meu coração na mão

Sem saco e cinza

Nu

Oferecendo a Ele no desespero e no desapego

Para uma troca que não mereço.

Leve o que eu destruí e dá-me o que não mereço!

Eu quero o Empréstimo Dele que sempre é Doação!

Ele é O Deus dos iméritos!

Como eu!

Ele disse pra eu bater à porta.

Já bati!

Não deixe que os diabos me façam chutar.

Não me faça dizer Deus meu, Deus meu!

Eu não suportaria a primeira cusparada.

Quero o Cristo Redentor

Mas o de Braços Fechados nas minhas costas!

Como João com a cabeça no Seu Peito!

O Peito onde Reside todo o Amor do Universo!

Se eu passar pelo vale da sombra da morte.
Eu estou com medo!

Quero Sentir do meu lado e à minha frente!

O RUACH HA KODESH

Não sou Jó,

Ainda não vejo e não sinto na plenitude,

Mas vou calar minha boca e esperar!

Maranata!

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