Contos · Série

O Cafajeste e a Pervertida – Parte 1

Sim, ela: A Pervertida. Um espetáculo de mulher. E o mais incrível, não era loira. Morena, seios fartos, bumbum à brasileira, mas tudo perfeitamente combinando, sem exageros. Sexy, sensual, deslumbrante, tudo ao mesmo tempo sem ser vulgar. Cabelos esvoaçantes, lisos, fios finíssimos que balançaram ao vento e mostraram melhor seu perfil. Que mulher! Espetáculo da cabeça aos pés. O oh! Implícito foi geral em todos. Não era pra menos, ali estava a simbiose perfeita da selvageria erótica e sensualidade de Sharon Stone, olhar hipnótico de Angelina Jolie com o corpaço de Monica Bellucci. Só podia resultar em estupefação generalizada. Cada um à sua maneira procurou disfarçar. Mas ninguém conseguiu evitar outros olhares espantados de soslaio. Ela, claro, percebeu todo o impacto que causara. E flutuou, aparentemente não dando a mínima. Acho que já estava acostumada a tudo isso. Seus desfiles deveriam ser frequentes. Não pensei em algo diverso de fazê-la desfilar em meu quarto, completamente nua e rastejante. Só havia um problema. Muitas amizades. Conversas ao redor dela. Uma disputa dos infernos. E pelo que via dos membros, muitos ainda tentariam.

Eu precisava conseguir meu ingresso de membro selecionado àquele clube o mais rápido possível. Ainda mais agora depois de vê-la. No exato momento em que pensava como, alguém bateu em meu ombro. Um homem. Mas certamente não era hetero.

– Oi! Novo por aqui pelo que vejo. Uma deusa, não?

– Certamente!

– Acho que preciso me apresentar. Enfim, não quero me gabar, mas acho que não é autopromoção quando se fala a verdade. Sou o proprietário disso daqui. Geralmente, não falo com convidados, somente com membros. Mas você me chamou a atenção. Não sei, pressinto que vamos ser bons amigos, se é que você me entende. E eu adoraria que você fosse membro permanente. Já deve saber o que é preciso.

– É um grande prazer conhecê-lo. De fato, sou novo por aqui. Mas o parabenizo. Este lugar é um oásis nesse país cheio de deserto. Chamar sua atenção foi um prêmio. Eu estava aqui nesse exato momento pensando em como iria conseguir três convites em apenas um dia para me tornar membro deste espetáculo de lugar. Acredito que não vá conseguir. Contudo, um dia aqui compensa um fracasso posterior.

– Ah, não desista tão fácil. Se existe alguém que pode quebrar essa regra, sou eu. Porque eu mesmo as criei, todas. Só não sei se você irá aceitar minha proposta condicional. Creio que assistiu ao filme de Kubrick, De olhos bem fechados, não?

– Sim, assisti umas três vezes de olhos bem abertos. Confesso que não entendi bulhufas.

– Acho que você está sendo modesto. Reconheço alguém inteligente há quilômetros. E você é não só inteligente, mas sagaz. Entendeu, sim. Mesmo que não tenha entendido, isso não importa. O que eu quero dizer com isso é que tenho um casarão semelhante. Toda a alta sociedade estará lá, daqui a dois dias. Tudo o que precisa fazer é ir lá, me encontrará no quarto 2222 esperando-o, não ligue se me achar vestido de noiva. Para… Você sabe. Darei a senha. Senha minha de proprietário. Pode ir até sem máscara, não há problema. Essa senha te dá poder sobre a vida de todos lá dentro. Faça o que quiser. Mas no escritório em que o aguardarei, terá que fazer a sua parte. E eu farei a minha. Te darei um convite pleno para o meu International Palace Club e também para esse seleto grupo da mais alta sociedade brasileira.

– É uma oferta tentadora… Preciso pensar. Mesmo que não aceite, fiquei lisonjeado. Contudo, surgiu uma dúvida. Quando você fala seleto grupo, não está falando de políticos de Brasília, ou donos de empreiteiras e atrizes globais, está? Nesse caso, devo discordar do termo “alta sociedade”.

– Não, as pessoas que lá estarão são as que dominam o abrir e fechar das cortinas, e não estão no palco, meu querido. Pessoas das quais você nem imagina existir.

– Bem, nesse caso, agradeço o convite.

– Aceito seu agradecimento depois. No momento, não espero outra coisa senão um sim. E para que isso aconteça, e acontecerá, te dou aqui esse cartão com a senha e o endereço. Memorize e desfaça-se dele o mais rápido possível. Não preciso pedir para manter sigilo, e alertá-lo para as consequências que podem vir de um vazamento. Kubrick não estava brincando. E nem eu.

– Fique tranquilo. Também não brinco quando digo que vou pensar em um sim e em um não. E que os dois podem ocorrer. Na verdade, estou pensando em como poderia te matar em caso de um não. Creio que não será necessário. Você é até apetecível e, daqui, deu pra sentir que é cheiroso. Comê-lo não será problema.

– Você é bem humorado além de inteligente. Não errei desde o princípio. Lembre-se que não são só mulheres que gostam de cafajestes, alguns de nós também.

– Não posso dizer que gosto de ouvir isso. Mas procuro sempre a lei da compensação. E você compensa bem a ausência da heterossexualidade por alguns minutos. Porém, aviso de antemão, terá esse prazer uma vez. E faça o favor de colocar umas duas putas do meu lado me chupando, ou não vai rolar.

– Não só duas. Terá dezenas.

Desse modo não muito fácil, consegui a entrada definitiva naquele clube. Não muito fácil porque não gosto de ser ameaçado e ainda persuadido. Mas ia valer a pena meu sacrifício. Fui então me preocupar com a maravilha que cruzou o clube. Mas para minha insatisfação, não se encontrava mais em parte alguma. Grande infelicidade. Fiz algumas apresentações e perguntas inúteis. Ninguém sabia dela, onde estava, de onde era e nem mesmo nome. Essa era realmente misteriosa. Voltei ao hotel desiludido. Precisava dar uma descansada, tomar um banho e depois descer ao bar pra ver se encontrava algo pra comer em todos os sentidos. Fiz tudo isso, e no melhor estilo cafajeste. Saí. Antes dei uma coçada para não ter que coçar por aí. Aprendam, cuecas! Cocem o saco somente na privacidade.

Cheguei lá chegando, e com quem me deparo? Ela. Sem qualquer empecilho dessa vez, vou direto onde ela está, sem deixar de dar o melhor olhar que consigo. Estava mais gostosa ainda, com um vestido preto curtíssimo que delineava suas curvas com perfeição. Ela me nota com interesse ameaçador. Aproximo-me, e já disparo: (aprendam cuecas, negócio de apresentação é coisa de antes de ontem, a moda agora é chegar mostrando logo que quer comer e ponto final).

Posso te oferecer um drink?

Esse oferecer é com segundas intenções?

Talvez até terceiras.

Aceito, mas com uma condição. Diga-me seu nome.

Digo, com outra, diga-me primeiro o seu.

Acho que você é o rato, não?

Posso ser mas, de repente, posso ser um rato que sabe ser gato.

Vejo que você sabe se defender. Gosto dos que tentam, pelo menos têm alguma atitude.

Atitude de fato é o que não me falta. No entanto, eu não tento, eu consigo. Garçom. Veja o que essa bela quer, é por minha conta.

Garçom. O que eu quero está na minha frente, pode se retirar.

Entendo, você não gosta de ser a que recebe, mas a que dá.

Como você preferir. Mas nunca dou mais do que recebo. Lembre-se disso.

Digo o mesmo. Contudo, eu dou muito e recebo muito mais. E o que consigo pode te custar caro.

Você não está muito apressado? Até agora não conseguiu nem me dar um drink? E eu já recebi a oferta, não?

Reconheço esse equívoco, mas agora o conserto. Você vai me dar um beijo. Como sei? A inclinação do seu corpo, seus olhos que disfarçadamente estão mirando minha ereção, além da respiração, é claro.

Você está certo. Darei, mas enquanto dou, estou a receber seu beijo de volta e o prêmio por ter sido eu a querer e executar primeiro.

Ela colou sua boca na minha, mas não me beijou, foi apenas um roçar de lábios que quase me fez ter um orgasmo. Retirou a boca e com um olhar inominável e um sorriso pornográfico, lambeu os lábios. PQP. Essa não vou comer, vou esfolar. Ela, percebendo que o golpe machucou, disse:

Pronto! Não dei nada, mas recebi muito…

Fiquei meio perdido, mas rapidamente me controlei. Isso é uma loba. Preciso ser aqui um lobo. Arranho a garganta e tento contra-atacar.

Ótimo, não me importo com a primazia, mas com os meios e os fins. Gostaria de dançar comigo? Pelo que vi do seu modo de andar mais cedo, creio que dança muito bem!

Diga-me, por que eu deveria?

Não penso em um motivo específico, a não ser o de que se descobre muito sobre alguém apenas pelo jeito de dançar…

Com essa justificativa, eu aceito. Todavia, não me responsabilizo se eu não gostar e te deixar no meio do salão. Detesto homens que não sabem dançar.

Isso não irá acontecer. É impossível. O provável é você nunca mais querer parar de dançar.

Tomei logo sua mão e fomos até à pista de dança. Eu queria a música mais feroz, para mostrar todo o meu repertório de anos de dança. Iria fazer do seu corpo um ioiô. Mas logo começou uma música lenta. Ela lança aqueles braços pelo meu pescoço. O jeito foi dar uma disfarçada na excitação para a execução de um contra-golpe certeiro. Passei a acariciar suas costas. Subindo e descendo com suavidade. Passei meus lábios suavemente pelo seu pescoço, sentido o perfume fatal que me inebriava. Ela devolve-me uma mordida convidativa na orelha que me leva pra outra dimensão. Aperta meu glúteo com força.     Nesse momento, trouxe-a mais próximo ainda, fazendo-a sentir o que a aguardava e fazendo-me sentir espremer aquele par de seios naturais e pontudos como flechas. Ela deu uma leve estremecida. Percebi que o impacto foi positivo e não titubeei. Encostei o rosto naquela orelha, que mais parecia uma obra de arte de exímio escultor, e sussurrei para buscarmos um lugar mais “reservado”. Se ela negasse, eu iria dar um jeito de fazer sexo ao vivo no meio do salão.

Só que ela não era do tipo que recusava. Muito menos do tipo que respondia nada sem que a resposta já fosse o próprio ato. Afastou-se, olhou pra mim sorrindo, pegou em minha mão e me conduziu. Ah, loba! Não conseguimos ir muito longe. Ao chegar próximo dos elevadores, fomos impedidos pela quantidade de hóspedes, duas famílias, cheio de pirralhos. Eu não pretendia aguardar mais nada. Nem ela. Passamos pelo elevador e ela me conduziu às escadarias, nos beijamos. Nem sei se dá pra chamar beijo, o mais apropriado é dizer que tentávamos nos engolir. Eu não perdi tempo. Levantei aquele vestido e, com fúria, arrebentei aquela calcinha minúscula, nem sei onde foi parar. Ela, mais feroz que eu, me arranhou todo ao abrir minha calça e abaixá-la com força.

Eu não podia deixar mais nada acontecer, estava correndo sério risco de dar uma de adolescente e ter ejaculação precoce depois de anos. Puxei-a de volta pra cima, e a depositei ali mesmo em cima do corrimão da escadaria, de pernas abertas. Não aguentei ver o que vi, e fui fundo de uma vez. Ela gemia ferozmente, eu fui tapar-lhe a boca e recebi uma mordida, que me deixou ainda mais alucinado. Saímos dali depois de uns minutos, acabamos indo aos tropeços ao apartamento, eu não consegui nem abrir a porta, tal meu desespero para possuí-la outra vez. Entramos e, em instantes, contemplei-a completamente nua, era ainda mais do que eu esperava. Possui-a em todos os cantos, e depois foi tudo uma confusão de sensações que me invadiu e enlouqueceu que não dá nem pra começar a descrever. A não ser o fato de que a derrubei no chão e caí por cima. Pensei a ter machucado, mas ela parece nem ter ligado. Continuou me beijando, só que de maneira mais doce. Que mulher! Que noite! Depois de muito tempo, capotei. Mas…

Nem tanto, porque percebi que ela estava ao meu lado, sussurrando, Descanse meu… Ah, querida. Acho que a surpreendi, não? Devolvi com um beijo e um Tão linda! Ia continuar a dizer algo mais, mas preferi guardar comigo. Depois disso, desmaiei de vez mesmo. Acordei com um bilhete no travesseiro que teve a honra de sentir a cabeça daquela maravilha, seu cheiro estava por todos os cantos, enquanto o bilhete dizia apenas isso: Quando eu quiser! Implacável e provocante. Pelo visto, ainda não sabia com quem estava lidando. Devo mostrar a ela que não se brinca com O Cafajeste. Ou não!

Em Coautoria  com Mayara K. Do Blog Devaneadora de Ideias.

Leia toda a saga do Cafajeste, abaixo:

O Cafajeste

O Cafajeste – Parte 2

O Cafajeste – Parte 3

O Cafajeste – Parte 4

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9 comentários em “O Cafajeste e a Pervertida – Parte 1

    1. Pois é, J.R. acho que agora o Cafajeste encontrou alguém de peso para testar forças… Hoje pretendemos publicar o fim. Logo mais à noite. Eu agradeço imensamente a leitura sua. Se tiver um tempo, nos privilegie com sua leitura. Forte abraço, ótima tarde e noite, amigo.

      Curtido por 1 pessoa

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