Contos · Série

O Cafajeste – Parte 4

 

Coitada! WLD

Fiquei um mês incapacitado até mesmo para sair de casa. O motivo? Quebrei meu pênis. Pensam que é brincadeira? Nunca falei tão sério. Obviamente, alguém deve estar pensando: como? Quem? É claro que foi fazendo sexo, e é claro que foi com Pâmela. Nunca uma mulher me fez tanto mal. Eu não gosto de deixar ninguém curioso. Fazendo mistério. Sou obcecado por clareza. Por isso digo.

Pâmela estava subindo pelas paredes com minha dieta sexual. Não iria mais ficar dia e noite com aquele perigo. Fazia ela esperar, no mínimo, uma semana para ter minha presença desejada. Ela esperava, não eu, claro. Eu me tinha todos os dias. E não virei um ermitão. Comia outras por aí. Por engano, quase um travesti. Mas esse acontecimento não estou afim de contar. E não vou mesmo. Não por engano, visitei minha vizinha de 60 anos por uns dias. Não me arrependo. Eita mulher que insiste em não envelhecer. O que mais me surpreendeu, no entanto, foi o que fazia com a danada. Danada você sabe, cueca. Pois é, essa danada fazia o que uma boca não faria nunca. Movimentos variados e impressionante poder de sucção. Houve momentos que pensei não se tratar de uma vagina, mas um aspirador de pó, ou de rola, como preferir.

Mas voltando à questão do pau quebrado, Pâmela vinha aqui totalmente louca. Não sentava, pulava e dançava. Pensou que meu saco era pula-pula. Parecia a menina do filme O Exorcista. Cheguei a ficar com medo. E estava certo, numa dessas posses, meu membro estralou, meus bagos arroxearam, e fui parar no urologista, arrebentado de dor. Diagnóstico? Blá-blá-blá membrana. Quando pedi para falar minha língua, ele disse: Vai comer ninguém por um mês. Dar pode, comer não. Uma notícia horripilante. Assustadora. O impacto foi tão forte que quase entrei em depressão. Mas como diz o ditado: enquanto tiver língua e dedo, mulher nenhuma mete medo.

Pâmela vinha toda culpada cuidar. Ou melhor, provocar. Fazia Streep-tease, andava nua. Jogava coisas no chão e ia pegar de quatro. Um diabinho. E passava a conversar com ele: Tadinho! Tão inchadinho. Deixa dar beijinho, deixa. Filha da mãe. Eu queria logo me recuperar. A vingança precisava ser posta em execução. Antes que a paixão voltasse arrebatadora de novo. Minha sorte era que Pâmela não sabia do término com Carla. E me visitava pouco. Só contei toda a verdade quando estava recuperado e pronto pra outra. Mas dessa vez, fiz como manda outro manual, o do exorcismo. Amarrei-a e joguei até pingo de vela no bico do seio. Fiz todo o ritual. E só pra rir um pouco depois que terminei, deixei-a umas doze horas amarrada à cama. Até ela chorar, claro. Por causa disso, fez biquinho e ficou de mal por uns cinco dias. Porém, entendeu que não se zomba de um homem com o pinto aleijado sem ter vingança.

Pedi-a em casamento logo depois. Foi num carro de som perto da janela dela às duas da manhã. Ela aceitou, e eu fui preso. O delegado só dava risada e tirava o sarro. Nem fui pra cela. Por fim, mandou me soltar de manhã. Essa semana foi cheia de correria feminina sem importância. Preparativos. Era óbvio que não iria me casar. Meu plano era ridicularizar a noiva completamente. Pâmela chamou uma amiga de infância para ajudar em toda aquela baboseira de casório. Andressa. Uma ruiva interessante. Casada, dois filhos, mas apetitosa. Não era lá muito bonita, digamos, exótica. Só que tinha fartos seios, uma bunda espetacular de redonda e empinada, e uma testa que deixaria os fãs do fusca invejosos. Apertar e mordiscar aquele capô deveria ser sonho de muito marmanjo. E era agora o meu. E se era o meu, todos os marmanjos e seus sonhos se danaram.

Minha vingança planejada era traí-la com alguém que ela gostasse muito. E que ela nos pegasse no flagra na véspera do casamento. Andressa veio bem a calhar. Porém, o marido era o problema. Trabalhou muito tempo no Judiciário e entre outros cargos na Polícia. Excelente atirador. Tinha receio de tomar uns tiros. Mas, grata surpresa.

– Preciso falar com você a sós. Papo de homem.

– Sim, Júlio. Manda!

– Eu estou desconfiando da minha mulher. Ultimamente, ela não está querendo muito sexo. Você é confiável. Boa pinta. E já vi que é um cara que sabe manter sigilo. Cara do bem. Não fica falando tolices. E ela me falou que acha você um gentleman. Quero saber se você daria em cima dela pra eu descobrir se é fiel ou não.

– Quê, Júlio? Não dá. Mas nem pensar. Isso seria loucura. Imagina se Pâmela descobre. Estou perdido! E tem mais, se sua mulher aceita? Seu casamento acaba, claro. E eu não estou querendo ser responsável pela destruição da sua família.

– Não esquenta comigo ou com a família. Só quero mesmo é saber. Não vou me separar nem que ela transe com você e mais dez. Palavra de homem. Sigilo total. Além disso, pretendo te pagar 50 mil reais. Dinheiro não é problema. Estou te oferecendo porque não acho justo você ter esse trabalho de graça. E sei que você tem interesse. Somos homens, não precisa fingir, já peguei você olhando o capôzão com grande interesse…

– Júlio, calma lá! Estava apenas admirando uma bela paisagem sem qualquer interesse. Pretendia inclusive te dar os parabéns por uma escolha tão perfeita. Mas aceito para te proteger. Considero os amigos de Pâmela meus amigos. Pela amizade, veja bem. Amizade! Não quero você correndo o risco de ter que pedir isso a um cafajeste chantagista. Aceito também o pagamento como garantia. Cheque nominal. Qualquer desavença, da qual ninguém está livre, certifico que foi você quem propôs.

– Não se preocupe com desavença. Nem com escândalos. Cuido disso. Mas quero que se ocorrer sexo, seja filmado. Quero ver para ter certeza absoluta.

– Entendido. Aviso que vou editar e tapar meu rosto. Fica a seu critério fazer com o dela. Claro que tenho certeza de que essa filmagem jamais existirá. Ela é uma mulher muito séria. Contudo, para que o teste seja real sem qualquer vício, leve os filhos para se divertir por alguns dias na casa dos avós.

– Ok, combinado, farei isso ainda essa semana…

Foi assim que ganhei todo o roteiro para a vingança sem o menor esforço e ainda com a promessa de muita grana. Só que Andressa era das difíceis. Bem escorregadia. E sempre que ficava a sós, criava um motivo para ir embora. Não foi muito fácil. Tive que passar a fazer longas observações para descobrir um ponto fraco. Não tinha tempo para ficar mimando criança. Por isso pedi para Júlio sumir com os pentelhos. Demorou alguns dias, mas achei o nervo. Exibicionismo. Não gostava de nada escondido. Ficava excitadíssima com toda a safadeza sendo feita na frente de todos na maior cara de pau. Ela me mostrou isso com um gesto simples. Testando o terno que ia usar no casamento, ela estava junto com Pâmela na loja. Gostou de me ver tão bem arrumado, mas foi ajustar minha camisa e a gravata. Colou em mim na frente de Pâmela e, enquanto fingia ajeitar o desarrumo, pressionou aquelas duas luas contra mim. Senti também aquela proeza mais abaixo tocando pouco abaixo do meu cinto. Até Pâmela ficou constrangida. Eu fingi ficar, mas saquei todo o enigma.

Dali em diante era mão e pé por debaixo da mesa do jantar. Esbarrão na cozinha. Sessão cinema a quatro com mãos andantes nas coxas. E que coxas macias! Um tesão e uma safada total. Essa era Andressa. Num belo dia, surge a oportunidade definitiva. Convite para a chácara de Júlio. Passaríamos todo o fim de semana lá, só os quatro. Preciso dizer algo mais? Claro, não é? Eu obedeço sua ordem, caro cueca. Já na primeira noite, enquanto ela preparava algo na cozinha e estavámos eu e Júlio na sala, Pâmela havia acordado cedo para tirar fotos de pássaros. Fingi ir tomar água. E, disse perto dela que ultimamente estava dormindo mal. Sempre acordava pelas duas e não pregava mais o olho. Ela riu. E que risada safada meu amigo, se fosse você ia comer ali mesmo. Mas sou eu. E comi às duas no sofá, às duas e alguma coisa no banheiro e lá pelas três e tantas na dispensa. Por fim, no corredor. Tive que segurar a boca dela, estava querendo gritar. E ia ferrar tudo. Queria aproveitar um pouco mais aquela testa majestosa.

Depois disso, era em todo o lugar. Cheguei a pegá-la no galinheiro da chácara. Na cozinha. E até no banheiro, com Julio e Pâmela na sala jogando dominó. Mas havia algo que poderia preocupar quem não fosse cafajeste, nenhum controle de natalidade. Mais um corno a cuidar de filho meu? Se é que ele já não cuidava de dois de alheios como se dele fosse. Sou um cafajeste, e espalho minha semente sem maiores pretensões que deixar por aí. Ou seja, to nem aí com quem vai cuidar. Sempre tem algum idiota a querer. Problema dele. O final de semana naquela chácara foi uma loucura. Pâmela e Andressa. Só não comi o Júlio. Ainda bem que isso ele não gostava.

O fato é que precisava filmar. E filmei. Nem precisei filmar escondido. Sabia que ela ia aceitar. Só pedi. Guardar de recordação. Eu estava lidando com alguém que sente verdadeiro tesão em risco. Inclusive no risco de uma gravação dessa ir parar na web. Uma noite no meu apartamento, com direito a vários xingamentos ao corno. Meu e dela. Não sei se ela sabia que o corno ia ver. Quase certeza que sabia. Mas, como já disse. Tô nem aí. Problema deles. Sei que recebi meu cheque. E passei a planejar o desfecho. O casamento se aproximava. Tudo estava ficando perigoso. Precisava de uma oportunidade para dar o golpe final.

Pâmela, minha loirinha, resolveu o problema contra si mesma. Convidou-me para ir dormir em sua casa. Queria que saíssemos bem cedo para verificar minuciosamente todos os detalhes da decoração. Cardápio e coisas afins no salão onde se daria o grande evento com mais de duzentos convidados. Digo que ela resolveu o problema porque sua grande amiga ruiva iria também dormir lá naquele dia. Acho que devo agradecer às duas, tenho certeza que foi Andressa que convenceu Pâmela a me convidar. Só para dar pro noivo na casa da noiva enquanto esta dorme. Mais uma fantasia da ruiva. O que a ruiva não esperava e nem Pâmela era o grito de gozo alucinado que eu dei. Um Ahh, interminável. E lá correu Pâmela para me ver engatado em Andressa, sua melhor amiga, na sua própria casa, a cinco dias do casório.

A briga foi caso de polícia. Obviamente, eu não apanhei. Elas quase se mataram. Um puxão de cabelo. Um tapa, murro, pesada, voadora. E eu me segurando para não gargalhar. É claro que não separei. Ia perder uma luta dessa? Jamais. Não há coisa mais engraçada que briga feminina. É tão ridículo que chega ser engraçado. Depois disso, não sobrou nenhum sentimento por Pâmela. Acreditem, cuecas, ver mulher estapeando outra por sua causa faz sumir qualquer tipo de paixão. É absurdo!

Finalizada a vingança, tapei todos os rastros definitivamente. Mudei de estado. Fui me hospedar num hotel cinco estrelas. Gastar o dinheiro merecido e ver se ganhava mais algum. Já estava precisando. Meio pobre. Fui tomar um bom Whisky no bar do Hotel! Estou pleno. Realizado. Tomo e respiro e fundo. Desapaixonado. Vingado. E mais cafajeste que nunca. Nesta noite durmo com alguém. Não sei quem era. Não lembro. Acordo e sei que é feia pra caramba. Pelo menos é mulher. Tomo um café e a deixo lá dormitando. Vou dar uma caminhada. Organizar minhas ideias e ver se acho algo interessante que me dê lucro e prazer. Chamo um táxi e vou perambular. Fico sabendo de um clube, alta sociedade, e quero saber onde consigo um convite. Lá não se entra sem ser convidado por outro membro. E para permanecer e me tornar membro definitivo, devo conseguir outros três convites quando lá dentro estiver. Investigo se há meios de entrar a primeira vez sem convite. Sem chance, é preciso um. E, para conseguir, só desembolsando a bolada de 15 mil reais. Se fosse mulher, seria mais fácil…

Depois de passar pela portaria com o convite em mãos, fico fascinado. O lugar é fantástico. Até campo de golfe tem. Aqui vou finalmente ficar milionário. Não há como não ficar. O que deve ter de viúva riquíssima aqui não dá nem pra imaginar. Mas o que mais me fascina é o clima do dia e do lugar. Dia com um sol maravilhoso. Piscinas de todos os tamanhos e profundidades. Vou até o amplo salão onde se encontra o vestuário. Amplo, espaçoso e muito bem organizado. Ali não posso cometer erros estéticos. Ser vulgar. Preciso agir como alguém do lugar. Eu não vou dar uma de classe média e sair com uma sunga ridícula pra nadar, descalço. Isso não é clube de pé sujo. Mas já estou habituado. Sem nenhuma dificuldade, saio do vestuário como sairia um Richard Gere no Uma Linda Mulher. Ando confiante. Roupas de grife mas confortáveis. Relógio casual. Tênis despretensioso. Tudo combinando e, modéstia à parte, qualquer que me visse pensaria que eu era o dono do lugar.

Sentei à beira da piscina. Em uma espreguiçadeira que era mais confortável que muitas camas em que já dormi. Fingi não reparar que havia duas senhoras e uma garota com corpo escultural do meu lado esquerdo. Fingi o mesmo para um casal à minha frente em que a morena parecia a Demi Moore nos seus melhores dias. Não podia cometer a gafe num clube daqueles de alguém me pegar olhando pro traseiro de alguma mulher quase batendo bronha com a testa. Eu não estava em Santos, e deveria me comportar como alguém do meio. Todas as mentiras já estavam na mente. Operador da bolsa de valores. Morava em Manhattan e estava ali a passeio. Casado. Minha mulher está no Egito. Arqueóloga. E por aí vai. Mas esqueço de tudo isso quando vejo uma miragem. Uma escultura, uma obra de arte. Uma deusa. Meu queixo quase caiu na piscina e, por um triz, não pus tudo a perder. Até as mulheres ficaram constrangidas com aquela criatura que passava do outro lado. Quase me belisquei para verificar se não estava sonhando acordado. Ela me encarou. Como a uma presa. E estremeci. Pela primeira vez na vida, senti medo de uma mulher. Medo e desejo ao mesmo tempo. Um contrassenso. Não suportei o olhar, tive que olhar outra coisa enquanto pensava: Quem é essa mulher? Seria A Pervertida?

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