Crônicas

Microconto Interrogações

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Interrogações

De frente para a lápide… Por que estou aqui? Quem é Maria Fernanda? Procuro logo uma saída, e acho! Meus olhos se voltam para todos os lados. Do outro lado da avenida há um pedinte perto de uma igreja. Por que não o colocam pra dentro e cuidam? Uma mulher passa perto com um carrinho e dentro um bebê. Nos ombros, o peso das sacolas e bolsas e do mundo, onde está o pai pra ajudar? Vejo algo mais e fico paralisado. Um pouco à esquerda, perto de onde vi o mendigo, há um assalto em andamento. Só pode ser um salão de beleza. Bem pequeno. Quase não se nota. Ninguém nota. Vejo o cano semi-descoberto apontado para uma mulher de meia idade que deve ser a dona. Aquele com certeza não é cliente, ou é? Mas há uma garota aos prantos no fundo. Uma criança. Quinze? Doze? Ela está sendo arrastada por um homem forte e outro tenta pegar seus pés. Eles conseguem a levar para mais fundo ainda, onde há uma porta que é aberta e depois fechada com os dois e a garota lá dentro. Por que não roubam e vão embora? O que segura a arma está do mesmo jeito, sem qualquer alteração. A provável dona chora e parece implorar. Ligo para a polícia? Estou armado. Minha filha, ou podia ser a sua! Vou atravessar a avenida correndo e sou lançado aos ares. Vejo toda a minha vida. Atingido o ápice, retorno enquanto caio no presente e no asfalto. Vislumbro antes da morte uma cruz de ponta-cabeça. Finalmente entendo todo o mistério. Tenho todas as respostas, mas é tarde demais

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8 comentários em “Microconto Interrogações

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