Crônicas · Entrevista · Recanto das Letras

Texto excluído que me trouxe aqui

Aos meus amigos de antes, e aos seguidores mais antigos, não há desconhecimento acerca dos motivos que me levaram a criar um blog. Esse nome Exilado conta um pouco da minha história. Há outros textos que explicam tudo. No entanto, devia aos colegas daqui do WordPress o texto que me trouxe até aqui. O texto que foi excluído e impeliu-me a sair do site em que postava anteriormente. Claro que a exclusão em si não foi o único motivo e nem principal, mas tudo o que ocorreu depois. Eu vou postar o texto aqui como um agradecimento aos que me receberam e têm me dado motivos para aqui continuar. Infelizmente, há todo um contexto em volta da entrevista satírica que prejudicará a risada quando não é conhecido. No entanto, se for entendido, vai levar diretamente ao “entrevistado”, o que seria uma grande injustiça. Não quero dar a audiência que não merece, nem também que me cause problemas por aqui. Por isso, retirei também o apelido que lhe dei e coloquei censurado.

Enfim, ótima tarde a todos e obrigado por me ajudarem ao chegar aos 100 posts em menos de três meses, com uma média quase duas vezes superior de leituras à que eu tinha no site anterior, isso depois de três anos lá escrevendo. Se o blog acabar amanhã, não há problema. Já me sinto realizado, hoje. E vocês são os responsáveis por isso.

OBS: A parte final eu acertei em cheio, foi exatamente o que aconteceu depois de publicada a “entrevista”. Xingou-me bastante de tudo o que se possa imaginar, xingou também os que riam, depois me denunciou num mimimi interminável aos administradores do site. Hehehe.

Segue o texto na íntegra, exceto o apelido.

Evita-estas-frases-en-una-entrevista-de-trabajo

Entrevista com Recantista Censurado.

Já aviso de antemão: o que segue é total idiotice. Portanto se você se acha muito sério/a e cidadão/oa exemplar, não leia. Se ler, não vá depois fazer textos com indiretas à minha pessoa, falando que meu humor é inválido ou falando que devo guardar tolices pra mim, quando não tem coragem de dizer isso pra mim, pessoalmente. Basta não ler. Obrigado pela visita.


O entrevistado chegou ao estúdio carregado numa liteira por quatro mendigos que moldavam manhãs maravilhosas a ele, sustentando-o. Havia também uma mendiga abanando-o. Outro mendigo fazia cafuné e ainda outro ia narrando os comentários de sua página no recanto, em latim. O Entrevistador achou tudo isso muito estranho, mas preferiu calar-se. O Entrevistado desceu da liteira, sentou-se na poltrona e, incrível moveu a cueca e coçou.

– Comece logo, Imbecil! Preciso ver o que WLD anda fazendo e xingá-lo. É um dos únicos que deixa comentar ainda.

– Quem é WLD, Senhor Censurado?

– Não sei.

– E por que precisa xingá-lo, se nem ao menos o conhece?

– É que… Eu o amo. Não, não publica isso. Eu o detesto, mas dava pra ele. Não, pros diabos. Dava umas porradas nele. Petulante! Eu amo odiá-lo e odeio amá-lo.

– Vejo que és poeta, mas vamos começar. Qual o tamanho do seu pênis?

– Quê?

– Não, não. Desculpe. Mil desculpas. Peguei o bloco de anotações de Pedro Jeba, ator pornô que vou entrevistar mais tarde.

– Mas que idiota! És amigo de WLD?

– Não, não. Deus me livre.

– Ainda Bem.

O entrevistador enfim achou o bloco, com bastante dificuldade, pois havia vários a entrevistar naquele dia, inclusive o Lula. O título no bloco o ajudou a identificar: Exímio Produtor de Tautogramas C de você sabe o quê.

– Bom, Senhor Censurado, vejo que produz Tautogramas inigualáveis com a letra C, poderia falar sobre isso?

– Oh sim. Claro. Sou mesmo inigualável, não precisa me dizer. Disso já estou absolutamente convencido. Mas por você reconhecer isso rapidamente, vou citar trecho editado depois que conheci o WLD:

“Cuando Cumer Cuz-Cuz Cum Cuminho Cum Cupuaçu Cuidar-se-á cum Curativo Cuzal.”

Viu, isso é inigualável. Sou imbatível. Mas aquela mula do WLD não reconhece meu valor, daí tenho que xingá-lo e xingá-lo e xingá-lo.

– Mas deixe WLD, fale-me de suas outras qualidades?

– Você falou qualidades? Qualidades? Qualidades? Oras, tenho tantas que é impossível narrar todas em um milênio. Além disso, tenho também feitos impressionantes. Por exemplo, um dos meus maiores feitos, absolutamente impossíveis de ser superados: cursei faculdade pública. Passei no vestibular antes, claro. O que já é incrível. Mas há outras. Também tirei CPF, RG e CNH: AB com um recorde: 15 vezes reprovado, até que comprei-a. Antes de casar, tirei cópia da certidão de nascimento, autentiquei e pus num quadro na sala. Sou um dos poucos casados, talvez o único, que ainda tem Certidão de Nascimento. Quando criança, na verdade minto, tinha 18 anos quando ganhei o primeiro torneio de amarelinha. Também preenchi completamente duas dúzias de palavras cruzadas: nível impossível. Ganhei duas partidas de xadrez. Também fui orador da turma da faculdade, escolhido por unanimidade (porque ninguém queria ser, mas isso eu fiquei sabendo depois). E também…

– Tá bom, Seu Censurado. Já está excelente. Deu pra perceber que o Senhor é mesmo inigualável.

– Mas voltando ao assunto Tautograma, lembra? Como o Senhor faz isso tão bem, há algum segredo?

– Isso o quê?

– Tautograma.

– Que é isso?

– Formar frases que tenham sentido com palavras iniciadas pela mesma letra, ok?

– Ah ta, eu faço isso como já citei o caso do C. Mas publico como artigo político.

– Artigo? Político? Nesse momento o entrevistador segurou o riso o máximo que pôde. Não podendo, se mijou. Mas ninguém percebeu, apesar do cheiro. Para disfarçar, continuou: Fale-me mais sobre suas qualidades.

– Qualidades? Qualidades? Hum. Gostei de você, meu amigo. Mas é difícil contar todas como disse anteriormente. Sei lavar, Sei passar, Sei cozinhar, Sei escrever, sei cagar. Mas veja, não é tão simples. Eu sei mirar enquanto faço. De maneira que quando ela sai, ela você sabe o quê, cai com velocidade próxima à da luz e passa voando pela poça de água da privada, entrando de uma vez pela abertura, depois de fazer movimento de desvio, semelhante à cena daquele filme da Angelina Jolie em que as balas desviam de trajetória, o que faz ser completamente desnecessário dar a descarga e também usar o bidê, pois o cálculo matemático que faço também contempla o espirro de água da poça da privada em meus glúteos, em quantidade suficiente para lavá-los. Com isso tenho ajudado o país a economizar. E já patenteei a invenção e pretendo lançá-la em evento tecnológico próximo.

O entrevistador, ao ouvir isso, foi ao banheiro. E lá soltava gargalhadas e mais gargalhadas, se jogava no chão, e quase teve um ataque cardíaco. Sendo ajudado pela equipe também em transe segurando a barriga com uma mão e a boca com outra, chutavam o entrevistado. Censurado não entendeu. O entrevistador voltou para terminar a entrevista o mais rápido possível.

– Conte-me para finalizar, como o Senhor começou a escrever. Quais os motivos que o levaram a ser escritor.

– Bem, eu estava saindo com uma garota lindíssima, tinha 85 anos. Numa de nossas aventuras noturnas em Bahêa, ela fez carinhos bocais em partes mesocráticas. Com manufatura. Por acidente, ela raspou em C de, você sabe. Naquele momento, se houvesse um Pedro Jeba, eu tinha ficado feliz, juro. Mas eu nunca contei isso a ninguém. Preferi iniciar Tautogramas e confessar escondidamente, mas WLD denunciou o fato em comentários.

– O Senhor é gay?

– Uma vez ou outra. Mas em segredo.

– Como assim? Como diria Jô Soares, não existe alguém meio grávida. Assim como não existe alguém meio gay.

– Oras, e o que é um bissexual, anta? Os gays querem que eu seja gay. Os héteros que eu seja hetero. Assim como os Bi querem que eu seja bi. E depois falam que a pior praga é a homofobia, mas não é. Claramente é a Duvidofobia. Já inclusive propus aos LGBTTXYZ que incluíssem a letra D de Duvidoso, mas são ditatoriais. Kkkk. Outro tatólogramato. Ditatoriais desgraçam duvidosos. Kkk.

– Não tem graça.

– És um burro, igual o WLD. Não sabes interpretar textos, animal.

Nesse momento, antes de agressões físicas, Censurado é interrompido por um assessor mendigo. – Senhor, Senhor Magnânimo, Maravilhoso, Magnífico, O WLD acaba de publicar essa entrevista com algumas modificações nada agradáveis. Ele colocou escuta provavelmente em seu cérebro.

– O quê? Não pode ser! Vou lá xingar.

Série: perdendo leitores como nunca e gostando.
De quem viu Nununo produzir Entrevista de Marília Gabriela com o capeta e pensou: por que não posso eu entrevistar Censurado?

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 24/11/2015

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13 comentários em “Texto excluído que me trouxe aqui

  1. Ssr..lembro bem desse dia e desse texto, mas o nome do entrevistado não podia ter faltado, foi o melhor nome de entrevistado que já vi.kkkkk…….pelo que vejo foi muito bom pra você ter vindo para cá , parece muito bem adaptado e já enturmado, diferente de mim que nem no Rl consegui fazer um número considerável de leitores ou amizade também em 4 anos …. (Parece que sou assim…tem uma parte da solidão que eu gosto….a de ver o mundo se movimentando de fora dele) ssr.Parabéns pelos 100 grandes textos publicados….como você disse ” estive mas não estou” passando para matar a saudade. Abç

    Curtido por 3 pessoas

    1. Boa tarde, querida Abá. Pois é, preferi retirar, estou agora em nova fase. WLD de boa, sem treta. Não há nenhum risco, mas prefiro eliminar até a imaginação do risco. Tem sido excelente estar aqui. Mas não desprezo o que construí lá. Não fosse por tanta bobagem mútua, até voltava. Mas tens, sim, um número considerável de leitores e admiradores do seu trabalho, e eu sou um deles. A não ser que eu não valha nada, o que eu desconfio. Rsrs. Em todo o caso, eu te entendo. Embora pareça assim espalhafatoso, tenho o mesmo lado que quer ficar “de boa”. Não fossem textos como esse, eu de fato conseguiria. Porém, por causa desse e de outros, sempre me vejo em atrito com alguém. Alguns tentam até mesmo me doutrinar. Como se eu fosse um escritor contratado por eles para dizer o que eles querem ler. Enfim, eu já te pedi pra voltar pra cá. Vi que você publicou alguns textos no Recanto nos últimos dias. Enfim, seja onde estiver, seja feliz. E, se quiser voltar, e eu ainda estiver aqui, serei seu primeiro leitor, de muitos que terá. Abraço, até outra hora, de seu sempre amigo e admirador, Waldir.

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      1. Que bom que me leu por lá.Houve um tempo que eu valorizava mais isso e agora sei lá….eu gosto de estar trancada no “sótão sujo e escuro”.Tenho escrito muito pouco e lendo ” Crime e Castigo” só porque vc disse que era bom.Depois te falo o que achei. Mas claro que você vale muito, como que não? ! Mas ando doente….preciso sarar, mas prometo que volto…é só essa fase passar. Abraço Waldir

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        1. Li sim, ontem estive por lá lendo Miguel, Kathmandu, Athos, Bruninha e fui ver se havia algo novo do NUNUNO, infelizmente não, era pra mim a melhor descoberta que tive lá, sem demérito dos outros. E pena não ter tempo para ler mais e comentar outros. A sua não dá pra deixar recado, então… Mas espero e desejo que sare. Eu realmente fico feliz pela promessa, sei que as cumpre. Abraço, Abá. 😉

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  2. Fico surpreso com esse negócio da censura, dos “críticos de arte” que julgam como se o pudessem fazê-lo! Ética e moral, precisamos reconhecer as diferenças e a aplicabilidade disso tudo, aí sim! Texto supimpa!!! Tamu junto!!!

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    1. Se tamu, Brô! Nem todos, mas a maioria dos críticos são como comentaristas de futebol que queriam ser jogadores e não conseguiram. Aí resta ensinar o que não souberam fazer e ficar enchendo. Do ética pra lá e pra cá, só posso dizer, aí sim! Abraço, caro colega. Uma honra!

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    1. Grande Marcos, muito obrigado, amigo. Pensa num cara que revisita o Maluco Beleza. É uma história meio confusa, o que me levou a fazer esses textos foi o anonimato que ele se usava. Eu deixava livre porque havia não cadastrados no site que me liam e queriam dar algum retorno. Ele passou a usar isso pra me xingar. Bloqueei anônimos, aí ele chegou a usar 4 cadastros falsos (e lá pede cpf). Um zé ruela, com o perdão, Marcos, kkkk. Aí me impacientei e produzi essa baderna. Pensei que não iam nem entender direito, mas fico muito grato pelo seu retorno, caro colega. Sei que não pediu nada, só falo por cima porque fiquei muito feliz com tua visita e risada. Forte abraço, e ótima noite.

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  3. Vamos combinar, sorrir é a melhor coisa do mundo e afirmam os expert que cura. Adorei ler mesmo estando como peixe fora d’água. Essa trama deve ter sido terrível. Recanto das Letras, já ouvi falar e tinha um amigão meu que escrevia por lá. Eu não sou escritor nem poeta, mas gosto de brincar com aliterações. Faz uma visitinha para ver e se gostar é bem vindo. =D
    https://kambami.wordpress.com/

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  4. Caríssimo amigo, foi muito bom reler isso, muito bom. Porque, como alguém já havia comentado lá no RL, na época, é um dos seus melhores textos. Não encontrar mais essa preciosidade na web era uma violência intolerável, não só contra o autor, mas também contra o leitor que foi, durante todos esse tempo, privado do prazer da leitura e da releitura. E quer saber? Valeu a pena. O WP é muito melhor que o RL.
    Um forte abraço.

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