Crônicas

Será que fiquei louco?

Se me apetece rir de um louco, não preciso de ir procurar muito longe; rio de mim mesmo.

Sêneca

Eu me pego falando sozinho o tempo todo. Mas nunca me lembro o que dizia. E quando estou no meio de um monte de gente, falo nada.  Eu acho gente um bicho muito estranho. Por isso gosto dos animais, dos outros que não falam. Preciso ir fazer terapia? No entanto, penso que os psicólogos são bem loucos. Eu conheci um que propôs ao paciente enfiar o dedo no cu quando estivesse angustiado. Só não recordo se era no cu do próprio paciente ou no de outros. Mas que coisa, terei que enfiar o dedo no cu de alguém para deixar a angústia? Outro mandava trancar-se na sala e gritar, chutar, espernear e rolar no chão. Nunca pensei que alguém estudasse tanto só pra isso, dopar pacientes e faze-los palhaços.

Afinal, qual o critério que dá a palavra final sobre a loucura? Andar nu? Então nas praias de nudismo são todos loucos? E as mulheres que andam mostrando a calcinha nas ruas por usar roupas curtas estão ficando loucas? Por que elas podem trabalhar mostrando as pernas e os pés num banco com minissaia e sandália, por exemplo, e nós homens não podemos trabalhar de bermuda e chinelo? Preconceito? Eis a questão, eis a questão. Que é um doido, enfim? E, se estou louco, como saberei? Geralmente os loucos acham que estão sãos. Então todos os sãos estão doidos? Porque todos os sãos também dizem ser sãos. Mas e quem diz que é louco, é são?

E se não existir ninguém, e se sou só eu no mundo pensando que estou falando com pessoas e estou é falando comigo mesmo. E se gozei com meu pênis na minha própria vagina esse tempo todo? Mas que loucura! Eu inventei tudo ao meu redor e não há nada real. Todos os blogueiros são eu, e esse texto nunca foi publicado ou digitado. E se eu já morri e não percebi, como no filme Sexto Sentido? Mas como cito um filme se é claramente criação minha. Puta que pariu. Olha lá. Eu estava me vendo no espelho. Comecei a rir do que via, e o espelho ria de volta. Porém, eu achei o espelho mais doido e ri mais. Ri pra caralho. Quase morri de rir. A criatura refletida era absurdamente ridícula. Total. Maluco. Também sempre vem uma música na minha mente. Uma música que diz, ai ai ai, sei sei sei. Mas que que é isso? Por que canto essa música? Será que dói saber?

Hein, psicólogos da web? Como é? Dói? Eu to falando com quem? Vocês não existem. Não existem. Como foi que eu surgi? Será que eu surgi ou nasci? E não é a mesma coisa? Surgiu, nasceu, apareceu, tudo é igual. Isso pelo menos é interessante, só sei que nada sei. Não. Isso é muito idiota. E há vários. O amor é fogo que arde sem se ver. Ha! Fogo não arde, dói. Eu sei porque me queimei. O que arde é a queimadura depois. Ferida que dói e não se sente. Doer é sentir dor, como dói se não se sente? O que ele queria dizer é que não sabia o que era amor. Um burro. É isso. Um burro. E todos acham que ele descobriu, e eu é que sou louco? Mas quem disse que eu sou louco, não fui eu que propus isso?

Pior é o tal do Volta Já. Volta já como? Já é agora, mas aqui virou daqui a pouco. Olha o outro, tinha uma pedra no meio do caminho. Mas ele mediu? Andei dez passos até àquela árvore, se andar cinco, dará com uma pedra. E se o passo dele é meio meu? Ou 1,5? Conversa fiada. Ele só não queria dizer, tinha uma pedra perto da árvore. Queria ser preciso. Não sei de onde tirou que o meio é preciso, o meio é igual a metade 1 que é 0,5 e, por consequência, é 1/20 de dez. 1,58 é precisamente 1,58, caralho. Que porra, por que são tão burros?

Eu fiz um post e fiquei atualizando pra ver se curtiam bastante. Demorou pra caramba. Alguém curtiu. Mas não fiquei feliz, um é muito pouco. Fiquei esperando outra bola vermelha no sino. Por que a bola do sino é vermelha? É um nariz de palhaço?  Está me chamando de palhaço, WordPress? Hein? Bola vermelha? O sino amarelo fica vermelho quando batem nele? Mas esse sino é branco ou prata. E daí. Mas bola vermelha só se for a cabeça de algum blogueiro, aí sai sangue e restos cerebrais. Vocês estão matando blogueiros, WordPress?

Enfim, eu tive várias curtidas em alguns textos. Quase gozei. Só que queria mais, nunca estou satisfeito. Se todos os humanos curtirem meu post, vou sonhar com alienígenas. O que isso quer dizer, psicólogos? Falta do que fazer? Só sei que depois de muitas curtidas alguém comentou. E eu vi que tinha comentado, claro. Mas eu tenho medo de comentário e de gente. Fui com muito custo e cliquei. Estava lá! “Oi, hihi, Gosti!” Ai eu pensei, como vou responder isso? Não dá, não dá. Vou curtir. Contudo, veio à mente: Diz obrigado. E eu disse: Obrigado! A pessoa voltou e disse: De nada. E eu pensei, e agora? E agora? Que que eu falo? Se ainda tivesse dito de nada e boa noite, eu diria “pra você também” e tudo estava resolvido. E se eu só curtir, será que ficará chateada a pessoa? Não, não. Preciso dizer algo. Preciso. E aí eu comecei a digitar: Obrigado por dizer de nada. Mas quando foi publicado, eu achei uma merda. Pus pra editar rapidinho, e coloquei: Boa noite. Mas ela respondeu, kkkkkk. Que estranho você. Aí perdi a paciência e falei para a pessoa, animal, já editei o comentário, tá? Essa pessoa deixou de me seguir. Puta que pariu. To falando que gente é um bicho estranho?

Tem umas gravataras estranhas pra caramba, puts. Tem uma gravatar muito gostosa, que olha pra mim. Ou será que olha pra todo mundo? De vez em quando ela faz bico. Por que faz bico? Será que alguém se masturba olhando uma gravatara? Esses dias eu vi uma gravatar e queria abraçar ela. Eu maximizei o gravatar e depois de maximizar em quinhentos por cento, meu navegador travou. Eu soquei o computador com fúria. Mas é estranho, eu não quero a pessoa, eu quero o gravatar. Vou ver se tem como fazer uma boneca de um gravatar e colar a folha com o rosto do gravatar na cara. Vou bater, vou xingar, vou chutar aquele gravatar. Gravatar, toma! Porrada, porque não me curtiu hoje, gravatar. Por que comentou me criticando, gravatar. Por que você é um gravatar, gravatar. Vai me curtir? Vai? Hein? Se não me curtir, vou te encher de porrada, gravatar. Fica pelado aí gravatar. Quero ver, vai, faz bico agora, faz. Por que fala tanta bobagem, gravatar. Para de me encher, gravatar.

Também fui num puteiro quando era adolescente. Puteiro de pobre é foda, a maioria das putas são tristes, barraqueiras ou assassinas. Cada uma custava 30 reais. Mas pra entrar era 20. Eu só tinha 45. Resultado? Pedir desconto para o segurança ou para a puta.  Decidido, fui entrar. Ei, ei, ei. Você não é maior. Fudeu, pensei. Agora vou  pra casa bater punheta com a playboy da tiazinha. Mas falei, sou maior, sim, senhor. Não é não, pirralho. Sou sim. Não, e cai fora. Sou maior e ponto final. Você tem cara de 15, vai bater uma punha em casa, marginalzinho. E aí, já me preparando para correr em caso de revolta, tirei o pau pra fora e mostrei. Tá aqui meu documento ó, fila da puta! Riram muito e gritaram pra eu não correr. Eu fiquei ressabiado com medo de tomar tiro, travei e esperei. Me deixaram entrar, mas nada de desconto, queriam era cobrar mais. O que não permiti. Puta dar desconto de 5 reais ainda vai, mas 10, nem pensar. Eu queria uma igual a Hilda Furacão. Mas a coisa tava feia pro meu lado. Uma descia com um velho safado. Essa era boa. Tanto que fiquei com vergonha de pedir desconto por um momento. Vergonha que passou quando vi as pernas, a bunda, a boca e todo o resto.

Veja só a minha sorte, passou por caminhoneiro barrigudo, por velho, por toda aquela corja de machos feios, ridículos e veio parar em mim, fazendo cafuné. Eita nós. Eu fui passar a mão por baixo da saia, mas tinha umas quinze mãos que não sei de onde surgiram. Passei a dar tapas. Ei, ei, essa é minha, canalhas, vagabundos. Alguém já estava querendo me bater, mas o segurança separou, dizendo: Deixa o cabaço se divertir, caramba. Acabei indo me divertir lá pra cima. Mas meu pinto sumiu. Sumiu. Eu sacudia, batia nele, e a porra do bilau morto, ridículo. E ela começou a rir. Detesto quando começam a rir de mim, ainda mais mulher, puts. Mas ela me fez rir também, caímos na gargalhada. Aí eu falei, finalmente, só tenho 25. O quê? Só tenho 25, caramba. E aí ela quase engasgou de rir. Dessa vez eu fiquei bravo. mas depois ela subiu em mim fez um monte de coisa que não lembro e a coisinha mostrou-se dura. Do que eu estava falando? Aff, esqueci.

E o que que tudo isso tem a ver. Não tem nada a ver com nada, isso. E, outra, ninguém vai ler. E outra se ler e daí. E outra, vou embora hoje e não volto mais. E outra, quem liga. E outra, e daí se ligasse. Foda-se. Se eu sou louco, e quem leu isso?

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18 comentários em “Será que fiquei louco?

  1. Oie!
    Vou voltar pra ler tudo o que perdi esses dias, mas passei agora pra dizer que publiquei o DARDOS, te agradecer mais uma vez e dizer que te indiquei também. Tá lá.
    Ah, outra coisa, eu estava procurando o post sobre islamismo que disse e sempre me distraio no seu blog e quando vejo, estou longe de lembrar o que deveria estar fazendo. Me manda o nome do post por favor? Ai eu vou direto e não me perco. rs
    Bjooo deixa eu terminar de avisar que eu volto.
    https://morgauseds.wordpress.com/2016/01/22/dardos-2/

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      1. Owwwnnn boa noite e aproveite bastante. Eu é quem tenho que te agradecer por tudo.
        Obrigada pelo link…sou meio enrolada e, as vezes, preciso ser, digamos, orientada no caminho certo. rsrs
        Bjooo, também fiquei feliz por ter sido indicada por você. Faz diferença, toda diferença.
        Aproveitem a noite.;)
        Beijos

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  2. Muito bom! Muito bem escrito, o texto tem um ritmo muito próprio, com discurso propositalmente fragmentado mas bem encadeado. E o humor, é claro, que é questão de estilo. Excelente.

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      1. Querido amigo, pois talvez seja justamente esse o melhor humor, com H maiúsculo. Nelson Rodrigues também não agradava a todos com seu humor. No entanto, é imortal; até hoje arranca-nos não só a gargalhada mas também nos põe diante de boas verdades. Em compensação, certos humores mais palatáveis de anteontem, eu diria até mais demagógicos, porque presos ao sorriso fácil que é comprado com alguns vinténs, hoje não arrancam nem um sorriso amarelo.
        Um forte abraço e, mais uma vez, parabéns!

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        1. Certamente. Acredito que antes de aprender a rir dos outros, é preciso rir de si mesmo. É o que faz rir sem que maltrate. Nunca ria de alguém sem que antes tenha rido de si. É a minha regra. Não gosto da risada cruel. Essa não é humor, é zombaria. Não faz rir, só demonstra ressentimento, angústia. Em todo o texto há mil risadas de mim mesmo, duas ou três contra outros, mas ainda assim sinto que alguém projeta o único riso contra si, aí fazer o quê. É melhor como dizem os narradores, apita o árbitro, e rola a bola!

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          1. Isso mesmo! Tenho grande apreço pela auto-ironia – e procuro exercitar, é claro. Ao fazer isso, vc meio que se dá uma licença para fazer certas críticas e comentários, sem ser arrogante.
            Quanto a interpretações equivocadas, paciência, né? Se levamos um gol, bola pra frente que ainda tem jogo.

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    1. Pois é, caro amigo. Aí está algo ao WLD pensar. Mas a estrela em si é bela. O que não é belo são os que dela fazem uso pela apropriação indébita. Ms não deixemos que eles arroguem a si o que deles não é, como já tentam com o Brasil. Abraço, Laércio. Ótima tarde.

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