Crônicas · Microconto

Quinta Autoral Criativa “Microconto Oferecido”

Assim que criei o blog, tomei conhecimento de um projeto interessante chamado Quarta-Criativa. Tratou-se de uma proposta para criação de Microcontos que seriam (foram) postados entre os comentários de posts que continham uma imagem temática. Posteriormente, seriam selecionados alguns para lançar uma Antologia. Achei a ideia excelente e inclusive adquiri a obra. Nesse momento, na verdade desde ontem, foi lançada a segunda versão do projeto. Onde, por meio de uma simbiose, Quarta-feira Criativa foi unido à Quinta Autoral, outro projeto literário que não conhecia profundamente e que, a rigor, tem o mesmo objetivo: estimular a escrita, a leitura, a imaginação e a descoberta de novos talentos. Enfim, os dois transformaram-se em Quinta Autoral Criativa. Participei com um Microconto e, desde já, publico aqui com o objetivo de fazer uma ressalva, pois fiz um comentário antes do Microconto que considerei totalmente ridículo, após releitura. Sou muito crítico comigo mesmo, e já enviei comentário pedindo desculpas aos autores e aos outros participantes. Só ocorreu-me depois, geralmente nunca faço comentários em que não pese as palavras, mas desta vez não pesei nada e fiz um que considerei desagradável. E nunca é tarde ou cedo demais para pedir desculpas. O que peço aos leitores que me acompanham, explicando a necessidade.

Segue o comentário antes do texto:

Tenho imensa dificuldade em entender essas imagens. Acho que devo ter algum problema sério com imagens. Mas fiz um aqui para através da vergonha que causarei alheia e minha, dar coragem a outros que pensam ser ruins apenas por não terem me visto escrever. Se o que entendi de uma das imagens não foi fechadura e tartaruga e uma cara de besta, aí só posso pedir desculpas. rsrs. Parabéns aos dois e a todos os que participam e participarão. Desejo-lhes sucesso. Abraços.

Claro que alguns podem dizer: Não vi nada demais. Mas é como eu disse, sou realmente muito crítico com o que faço, e me importo com a opinião alheia respeitando-a, mas ela raramente muda a minha opinião sobre si próprio, seja para o bem ou mal. E não gosto de me expor, mas neste caso, acho que mereço.

Sobre o comentário, eu não tive dificuldade alguma em entender as imagens. Entendi-as perfeitamente, queria mesmo era ser engraçadinho. Não estava com vergonha alguma de publicar o Microconto, também não acho que escrevo mal, e após finalizado, achei ele bom, por isso publiquei nos comentários. Estava tentando ser humilde ao dizer que queria causar vergonha alheia pela minha falta de talento e acabei sendo o inverso: soberbo e pretensioso. No fim, tentei fazer mais uma piada com a “tal” cara de besta, o que fechou com chave de ouro todas as tolices iniciadas, já que a cara de besta foi a minha.

Na minha análise, fosse eu o autor ou autores do projeto, bloquearia o comentário e o Microconto e me mandaria passear com minha arrogância. Talvez nem os leitores ou mesmo os autores tenham tido essa interpretação que tive. Mas não é somente por eles ou por quaisquer outros e, nesse ponto, sou mesmo arrogante, é também por mim mesmo e pelos meus poucos leitores/escritores, mas que admiro e respeito. Não poderia deixar de me desculpar. E é o que faço nesse momento. Peço desculpas a todos. Foi um erro que pretendo que não se repita.

No mais, segue o microconto. Espero que gostem e também participem do projeto. Forte abraço a todos, ótima sexta e bom fim de semana.



Olhei e chorei.

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Olhei. Olhei fundo pelo buraco da fechadura. E vi pela fresta a inocência sendo perdida do lado de cá. Muito jovem, só sabia que sentia. Não sabia direito o que fazer daquilo que sentia. Torcia para que jogasse a toalha logo, mas que não se vestisse tão logo. Que secasse os cabelos lentamente, como anda a tartaruga, enquanto girava sua nudez no quarto e na minha cabeça. E foi o que aconteceu. Vendo todas aquelas gotas que caíam dos cabelos e dos ombros percorrendo o corpo, tudo o que eu queria era percorrer junto. Cheguei a ficar tão eufórico que uma lágrima teimosa caiu do rosto, pequenina. Pra ela, talvez, nenhum ruído. Pra mim um ruído tão grande que provoquei outros para silenciar o primeiro. Por instinto, cobriu-se. E, por outro instinto, minha mente nunca mais.

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24 comentários em “Quinta Autoral Criativa “Microconto Oferecido”

  1. Caríssimo amigo, curti lá e repeti aqui, é claro. Li também a sua troca de comentários sobre o “prólogo” (por assim dizer). Assim como a Juliana, também não vi nada, mas… sabe-se lá, né? rs, já li tantas interpretações equivocadas sobre tantas outras coisas que é melhor deixar “tudo explicadinhos nos seus mínimos detalhes”, como diria o outro.
    Abraço e bom fim de semana.

    Curtido por 3 pessoas

      1. PS: aquele trecho do ruído relativo da lágrima foi espetacular. E o final, então, nem se fala. Coisa de mestre. Digo a vc o que já disse à Abá: sua escrita tem uma verticalidade tão forte que provoca vertigem.

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  2. Olá, Waldir… é justamente o seu estilo sarcástico e essa sinceridade a flor da pele que modela seu estilo literário… Acho que ficou bacana… E curti o conto e ri com o comentário… porque você ruim? qualquer um sabe que é no mínimo modéstia… rs… E o conto tem aquele ar de descoberta de menino na puberdade… rs rs

    Curtido por 3 pessoas

    1. Muito obrigado, Laynne. Modéstiazinha terrível, rsrs. Foi tipo baseado em fatos reais, só que romantizado, sem ter que subir em escadas ou nas costas de um primo/irmão/amigo e olhar do maldito vidro embaçado pelo vapor do chuveiro, kkkkk. Beijo, bom fim de semana, querida amiga.

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        1. Verdade, Laynne. Há escritores, creio eu, que têm uma imaginação muito fértil, e conseguem criar quase tudo proveniente dela. Eu fiz algo assim, mas nem sempre tomou consistência quanto misturar o universo criado com partículas do real. E fico demasiado feliz quando recebo um retorno como o seu e de outros, é realmente envaidecedor. Beijos, e obrigado por tornar meu dia mais azul.

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  3. Escrevi uns minicontos no recanto. Gosto deles e se leio algum minha fértil imaginação vai longe, embora nunca sabemos qual foi a real intenção, o que o autor quis dizer, ou talvez saibamos em alguns casos. Algumas vezes só o autor sabe! Eles dão, pra quem tem imaginação, uma boa continuação.

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