Crônicas · Poesia

Minha Morte Desejada

Flor_e_bolha

Minha Morte Desejada

Absolutamente calado murmurei seu nome

Doce foi renomear suas curvas simétricas assimétricas

Entre lençóis pelo tato duro pego de mão inteira

Dou de cara com a impossibilidade de segurar firme em soco. Vontade não falta.

Todo esse produto é escorregadio e não pertence a si mesmo

Só posso mesmo apertar e seguir redesenhando

Sinto um gosto molhado que não evapora com o calor mas flui

O portal não é guarda-roupa infante
Parece mais Caverna ondulante

Por esta entro sem qualquer dificuldade e medo

E dela não quero sair vivo.

Está inundada de luzes por todos os lados e dentro chove

Não gotas d’água mas de mel

Ouso entrar com uma tocha toda em brasa que líquido algum apaga senão o que dentro vai

Vou até o fundo, mas o segredo estava no início

Em um dos retornos, observo com cuidado a estalactite

Enquanto fora vem grande terremoto

Tudo está prestes a desabar e é o que desejo

Que tudo se acabe se me deixar se acabar!

Do intenso movimento vem pedras sobre pedras

Que não machucam mas pressionam como se amortecessem

Corpos sobre corpos e gritos últimos desesperados

Deixo de ser gente, deixo de falar,
Só lato, uivo, mio e mordo.

Descobrindo finalmente como não mais pensar nada e sentir tudo

Impossível não fechar os olhos e respirar fundo.

Na calmaria completa de desmoronar em outro corpo, braços, seios e cabelos.

E morrer desejando morrer de novo.

Sem deixar de reviver dizendo:

Danem-se o mundo, a métrica, a rima, o poeta e a poesia,

Eu quero e amo é você, Minha Morte Desejada!

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10 comentários em “Minha Morte Desejada

  1. Eu já estou ficando sem graça de tantos elogios que distribuo aos seus incríveis textos. Fazer o que?! A culpa é sua! kkk
    Pessoal, o Waldir não está me pagando pra isso viu? Mas pensando bem… Poderia! hihi
    Brincadeiras a parte, meus parabéns querido. Formidável! Você sabe usar as palavras. E usa!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Morte desejada…Em algum momento eu a desejei profundamente, mas agora com a idade mais avançada, repenso no que posso admitir: O pavor exacerbado de topar com ela, dar de cara e me calar pra sempre. Isso me assusta. Mas dizem que o contrário, que morrer é viver, então… que a ignorância não me tolhe, jamais. Um bj, meu querido WLD.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Minha cara, grande honra ter você aqui que seja de dois em dois meses ou de ano em ano. Ou mesmo de década em década. Não esqueça dos mortais, viu, rsrs. Um outro beijo. Obrigado.

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