Crônicas

Por que Deus é Bom? (Republicação)

Para os ateus e muitos anticristãos de variadas religiões, Deus é mau. A resposta vem a eles da observação do mundo, da pregação evangélica e da leitura da Bíblia, principalmente. Isto é, da observação do mundo porque todos os dias acontecem catástrofes, desgraças, assassinatos, abominações, crueldades, injustiças, fratricídios, peste etc. E, por Deus ver isso tudo e não fazer nada, Ele seria mau. Da pregação evangélica porque o inferno eterno é algo absolutamente injusto para quem recusou a própria salvação e continuou causando catástrofes, desgraças, assassinatos, abominações, crueldades, injustiças, fratricídios, peste… (se você já achou uma incoerência nessas duas explanações, não culpe a mim, mas o que dizem eles).

De acordo com o ateísmo, para Deus realmente existir, os homens só deveriam merecer o céu eterno ou, no pior dos casos, umas chibatadas e uns dias no presídio de Pedrinhas/MA, se não der pra fazer isso em vida, Deus deveria simplesmente esquecê-los sem, contudo, deixar que eles provoquem catástrofes, desgraças… Enfim, da leitura da Bíblia porque novamente, segundo o ateísmo e anticristianismo, Deus jamais deveria ser Deus e ficar fazendo o que Ele quiser. Deus deveria obedecer à cartilha de Direitos Humanos da ONU ou aderir à constituição de 1998 pra julgar (exceto quando o assunto é família e casamento, aí deveria observar o que diz o STF). Ou ainda obedecer às leis e não fazer qualquer tipo de milagre. E na Bíblia não há isso, então, Ele seria muito Injusto e Mau.

O Salmo 14:1 decreta: “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus!” Néscio é isso mesmo que você pensou: Estúpido, ignorante, inepto, um “bestão” no popular. Sabe aquele que de tanto estudar a evolução esqueceu que um casal fez sexo para ele nascer? Pois é, esse mesmo. O problema é que só agora reparei: há outro problema com a Bíblia: ela não é politicamente correta. Veja, chama pessoas de estúpidas! Que farão? Processarão João Ferreira de Almeida ou Davi e os outros salmistas? Ah, já sei, processarão um livro e o chamarão ao banco dos réus. Bem típico. Mas agora, gostaria de lembrar um fato ao querido leitor: esse não é propriamente um texto teológico, afinal, pra dizer que Deus é Bom, bastaria sugerir a leitura da Bíblia, sem esquecer de prestar atenção ao primeiro versículo. Nele diz que Deus é Deus e também é Criador, não é criatura, e também não é um homem, por isso, régua de direitos humanos não dá. Isso significa que se você quiser entender Ele, deve olhar pra cima, não para frente ou pra baixo. Dito isto: gostaria apenas de chamar a atenção do leitor cristão para certos questionamentos ateístas e anticristãos. Agucemos a mente e enxerguemos bem, pois só pode haver nele necedade, não sou eu quem diz isso, mas o salmo da Bíblia.

Questionamentos dos néscios e questionamentos dos não néscios.

Néscio detected: Se Deus é bom, por que 1/3 da terra ou mais passa fome?
Não néscio: Se Deus é mau, por que 2/3 de pecadores ou mais comem, inclusive a comida que daria para o 1/3 que passa fome?

Néscio detected: Se Deus é bom, por que criou o mal?
Não néscio: Se Deus é mau, por que criou o bem?

Néscio detected: Se Deus é bom, por que criou o diabo e 1/3 de anjos malignos?
Não néscio: Se Deus é mau, por que enviou Cristo e criou 2/3 de anjos benignos?

Néscio detected: Se Deus é bom, por que permite que milhares de crianças morram?
Não néscio: Se Deus é mau, por que permite que milhões, bilhões de crianças cresçam e se desenvolvam, incluindo você?

Néscio detected: Se Deus é bom, por que criou um inferno eterno para punição por apenas 30 anos de maldade?
Não néscio: Se Deus é mau, por que criou o céu eterno para glória por um dia de bondade, mesmo que essa pessoa tenha feito 80 anos de maldade?

Portanto, se Deus não é Bom, eu gostaria muito de saber quem é. Ah… Seria o néscio, o toddynho? Claro que é. Então me dá aí mil reais, tenho contas pra pagar e mais o que fazer.

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 01/04/2015

Anúncios

20 comentários em “Por que Deus é Bom? (Republicação)

  1. Perfeita argumentação; o mau vem sendo a arma mais poderosa de quem não crê, a induzir outras pessoas a seguir o mesmo caminho. O mal existe.Não apenas ao nosso redor, o mal está dentro de nós. Livre arbítrio. Deus quer que o amemos de todo o coração! Deus poderia destruir o mal agora mesmo. Basta destruir toda humanidade. Mas Ele, em sua infinita bondade enviou seu Único Filho para que por meio dele pudêssemos ter a chance de salvar-nos caso caminhemos na estrada trilhada por Cristo. Não é fácil. Porém é bem simples.
    “Há bastante luz para os que desejam ver, e bastante escuridão para os que têm uma disposição contrária”.

    Curtido por 2 pessoas

  2. Gostei do texto, só achei equivocado esse trecho:
    “Da pregação evangélica porque o inferno eterno é algo absolutamente injusto para quem recusou a própria salvação e continuou causando catástrofes, desgraças, assassinatos, abominações, crueldades, injustiças, fratricídios, peste…” eu particularmente nunca vi um ateu dizer isso. Eles dizem que é injusto Deus condenar eles no inferno eterno simplesmente por renegar. Se Deus deu o livre-arbítrio, porque diabos ele condenaria quem simplesmente não quis acreditar nele? Veja, não segui-lo não quer dizer cometer “catástrofes, desgraças, assassinatos, abominações, crueldades, injustiças, fratricídios, peste…”. Nunca vi nenhum ateu defender quem comete este tipo de coisa. O que eles defendem é, novamente, o direito de não acreditar em Deus.
    Lembrando que não estou defendendo, só estou mostrando o ideal dos ateístas que eu conheci. Se o autor só conheceu ateus “tomadores de toddynho”, como vários teístas chamam, aí fazer o que…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Ariel. Discordo, acho que o equívoco foi seu. Eu não sei se já teve oportunidade de saber, mas se não teve, eu o faço saber. Venho de outro site. Estou aqui há pouco tempo. Publico bastante, tenho 93 posts com esse último. No site anterior, publiquei mais de 400. Entre eles o intitulado: “Ateus que fazem o bem vão para o inferno?” Obviamente, nesse texto falo dos ateus que somente não creem, mas praticam boas ações e que, creio eu, são maioria. Esse texto trata do tema que você propõe como equívoco por ausente. Presume, obviamente, por não conhecer todos os tipos de ateus, assim como eu também não conheço, que não exista o tipo citado. No entanto, presume errado, pois onde foi que eu disse que há ateu que defende quem comete assassinato? Disse que há ateu que constrói uma argumentação contra a Bondade Divina que é claramente ridícula. Mas é claro que não irei conseguir tratar de todas as hipóteses sobre ateísmo e tipologia em um texto. Esse texto além de circunstancial estava em outro Foco, a Bondade Divina. Não sei se você é ateu, cristão ou de alguma outra religião, isso pouco importa. Se você aguardar, talvez até o fim do ano poste alguns que aumentem não só a minha como a sua lista de tipos. Sobre sua provocação, devolvo-a. Talvez o autor do comentário só conheceu ateu inteligente e “tomadores de vinho do Porto ou Johnny Walker” como vários teístas e ateus, aí fazer o que…

      Curtido por 1 pessoa

  3. Dos textos que li W. lá no recanto( não foram muitos pq vc exilou-se ou foi exilado rs) Esse foi o que mais gostei, é tipo o otimista e o pessimista. Fazer o que se o pessimista vê tudo pior e o otimista vê o melhor na mesma situação?

    Curtido por 2 pessoas

  4. Realmente o equívoco foi meu, me expressei mal. Quando eu disse “nunca vi nenhum ateu defender quem comete este tipo de coisa” acabei me referindo as pessoas que cometem atrocidades. Mas o que eu realmente queria me referir era para com a argumentação contra a Bondade Divina. Nunca vi nenhum ateu fazendo essa argumentação. Só vi usando a do comentário anterior, que critica a suposta hipocrisia de Deus em condenar aqueles que não acreditam nele.
    Sobre o texto “Ateus que fazem o bem vão para o inferno?” eu fiquei bastante interessado em lê-lo. Você poderia colocar o link dele aqui?

    Curtido por 2 pessoas

    1. Obrigado pela explicação, Ariel. São textos que eu recolhi em Backup após desativar a conta anterior e que, aos poucos, estou fazendo republicações aqui. Estou procurando variar para não ficar cansativo. Saí do Recanto das letras, excluí a conta e todos os links foram desativados. Mas certamente republicarei. E o incluirei na lista de prioridades das próximas semanas. Muito agradecido pelo interesse, caro Ariel. Tenha um ótimo dia. Um abraço.

      Curtido por 1 pessoa

  5. Parabéns, que bom que vc guardou esse acervo todo do RL.
    Duas observações:
    1) sobre Deus ser mau e injusto – coincidentemente, no último domingo, o padre falou na homilia sobre Deus ser justo e misericordioso. Ou seja, o oposto da acusação. A questão da misericórdia divina me chama a atenção. Porque, no ano passado, noutra homilia, ele falou sobre o trecho do Pai Nosso: “perdoai (…) assim como somos perdoados”. Ele destacou, naturalmente, que esse trecho nos exorta a perdoar para sermos perdoados. O que daria a entender que seremos perdoados na justa medida em que perdoamos. Só que ele acrescentou: que, apesar da dureza dessa regra (que, confesso publicamente, não consigo cumprir a contento; como diria Chico Buarque, tendo a ser “um copo até aqui de mágoa”), fato é que Deus é tão misericordioso que pode nos perdoar além do que nós perdoamos (ufa). Desde que nos arrependamos, é claro, etc. etc. etc. Até aí, tudo bem. O problema, meu caro amigo, é que fiquei pensando se “justiça” e “misericórdia” não são valores antitéticos. Porque, não lembro se já comentei aqui, mas me parece que um tratamento misericordioso soa injusto para quem não fruiu da misericórdia. Voltemos à parábola do filho pródigo. Pode parecer contraditório isso, diante da confissão acima, mas ela sempre me incomodou, por entender que, aos olhos do filho que ficou, o perdão ao filho pródigo foi uma grande injustiça. Estranho isso, eu deveria pensar nessa parábola como tábua de salvação para mim mesmo, no entanto… Enfim.
    2) Quanto à discussão acima, com o Ariel, creio que um aspecto a meditar seria o seguinte: até que ponto ateus e fiéis lançam uns sobre os outros exemplos de pessoas que fizeram o que fizeram não por serem ateus ou fiéis, mas por outros motivos. Pessoas cujo ateísmo ou crença era apenas mais um traço de personalidade, não porém o motivo central de seu comportamento. Dada a abstração, vou ao exemplo: me parece que certas crueldades de guerra (como o cerco à cidade de Rochelle) o cardeal Richelieu ordenou não porque era cristão, mas porque era um político. O fato de ser cristão, salvo engano, só serviu para galgar os postos do Estado francês, não para tomar as decisões que tomou. Digo isso depois de ler parte de seu “Testamento político”. A mesma coisa, creio, pode ser dita sobre certos políticos ateus que tomam atitudes eticamente reprováveis não porque são ateus, mas porque são pessoas eticamente fracas (amorais ou imorais). Alguém dirá: o problema é que o ateu não tem o freio moral da religião. É verdade. Mas ele pode ter outros freios morais, eventualmente inexistentes em pessoas que se dizem fiéis. Especialmente as que praticam atos terroristas em nome de suas crenças. Se bem que, nesse caso, como vc bem explicou naquela sua resenha, o problema está na própria ética daquela religião. Uma ética que se assemelha à de Lenin: “bom” é tudo que for feito pela causa. (Tenho cá minhas dúvidas se podemos chamar isso de ética, mas enfim…)
    Em resumo, salvo engano, o problema não me parece estar na existência ou inexistência de Deus, mas na forma que fiéis e ateus se comportam, motivados ou não por essa existência ou inexistência. Ou seja, a culpa é exclusivamente nossa, não de Deus.
    De qualquer modo, é um assunto muito complicado. Vou parar por aqui porque, a bem dizer, nem sei como continuar essa reflexão, rsrsrs… Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Interessante discussão pode ser iniciada aqui, claro que falo discussão no melhor sentido da palavra. Brilhante intervenção e reflexão, Laércio. Sobre o ponto 1, acredito que sua dúvida não é exclusiva. Eu confesso que quase todas as vezes que penso no Filho Pródigo, apesar de também ser talvez pior que ele, não o vejo com bons olhos. Seria isso o não gostar no outro o que está em si? Há ainda outra parábola terrível, a dos trabalhadores. Alguns que trabalharam desde manhã até a noite e ganharam o mesmo salário que o que trabalhou só o fim da tarde. No entanto, ambos ganham o mesmo. E Jesus explica. “Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” Enfim, acho que poderíamos ir nisso para descobrir nosso problema com a Justiça e a Misericórdia. Nossos olhos são maus porque Deus é bom. Não deveríamos ficar assim, mas acho que ficamos por ser a Bondade de Deus tão excessiva que acabamos vendo ela com maus olhos. E invejando nossos irmãos. O que é bem humano.

      Sobre o ponto 2, penso também assim. Acredito que Deus produziu em nós a consciência, crendo ou não Nele, do contrário, não faria sentido haver Juízo Final. Todos temos de certo modo uma predisposição a ver bem e mal. Não é necessário conhecer o Evangelho. Obviamente, cada cultura vai interferir nessa consciência que considero coletiva, Universal, mas aí é pano pra manga e assunto pra mais de metro, rsrs. Mesmo assim, até terroristas, fazem o mal pensando no íntimo estarem fazendo o bem. Por mais que sejam malignos, não conseguiriam se não olhassem sob esse ângulo ridículo e leviano, fruto do auto-engano, mas ainda assim, se formos observar, eles pensam estar fazendo o bem. Todo o seu exemplo histórico não carece de acréscimo. Eu jamais formulei algo que fosse de encontro a: estuprou, matou, roubou porque não acreditava em Deus. Mas também não formulo o contrário: estuprou, matou roubou porque era teísta. Lembro que uma vez assisti um documentário sobre diferenças entre como orientais, especificamente, no Japão, olham um facto trágico e o os ocidentais. Até mesmo no tipo de fotografia que tiram para redes sociais. Os ocidentais tendem a tirar mais fotos do rosto. Os orientais tendem a tirar do corpo todo. Enfim, uma tese daquelas. Sobre o facto, diziam que nós observamos mais as conseqüências, quantos morreram, ou seja, estatísticas, dados. Aqui também usamos mais substantivos. Eles usam mais verbos. O que quero dizer com isso é que nós tendemos sempre a nomear: Pastor isso, ateu aquilo, católico isso, budista aquilo, e não temos maior profundidade em tudo o que está ao redor do facto em si e a enormidade de causas que levou àquele fim. Procuramos explicar pela desonestidade ou pela simplicidade. Acostumados, creio eu, a fugir da dificuldade da reflexão. No mais, acho que também já nem sei mais o que estou falando. A propósito, vem logo novo texto inédito intitulado, Será que fiquei louco, me aguardem. Kkk. Abraço, Laércio, ótima tarde, e obrigado por enriquecer o post.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Caríssimo, vc mesmo enriqueceu seu post com mais esse ótimo comentário.
        Quanto ao ponto 1, sua hipótese – de que nosso juízo decorra de nossos maus olhos – é iluminante. Lançou luz sobre essa minha velha dúvida/desconfiança. Acho que vc matou a questão. Mas agora vem o lado humano: mesmo levando isso que vc falou em consideração, continuo com dificuldades de aceitação da moral humana que nossos maus olhos extraem dessas duas parábolas. É difícil, acho que só uma lobotomia (rs) para afastar essa má (e humana; e rasteira) interpretação, que na realidade, provavelmente, decorre de nossa incapacidade (humana, demasiado humana) de compreender a magnitude da misericórdia divina. Talvez ela extrapole nossos limites de compreensão, não sei. Talvez explique, mas não justifica. É necessário um esforço maior nesse sentido. Como somos falhos…
        Quanto à visão oriental de mundo, veja só como temos muito a aprender, ainda. Infelizmente, o mundo não gira em torno de nosso umbigo, mas nossa visão de mundo, sim.
        Um forte abraço e uma ótima tarde pra vc também.

        Curtido por 1 pessoa

        1. Perfeito, Laércio. A palavra é esta mesmo, definitiva: incapacidade. Provavelmente, nunca entenderemos. O que não deixa de ser bom, teremos aí, se O Todo-Poderoso quiser, a Eternidade para entender. Eu vejo, às vezes, da seguinte forma. Paulo não merecia o céu. Teve. Anos e anos de pregação, prisão, surras, fomes, nudez, e por fim, a Tradição Católica e Cristã, diz que foi decapitado. Eu não fui preso, não fui surrado, não fiquei pelado no frio e, provavelmente, assim espero, não morrerei nunca, serei transformado nos céus. Veja, é um sonho, mas não custa… Agora, comparando, Paulo não merecia e recebeu, eu não merecia e, comparativamente a Paulo, também não merecia estar no mesmo lugar que ele. Ou seja, ele uma vez não merecedor, eu duas. E Deus foi misericordioso com os dois. Apenas foi um pouco mais comigo. Mas não foi injusto com Paulo, pois este merecia o inferno pelo que fez, inclusive fez alguns blasfemar, o que ele mesmo confessa. Mas, pode haver ainda outro, o que acho difícil, alguém que não mereça, depois que comparado a Paulo também não mereça e que, enfim, comparado a mim também não mereça. E Deus, mesmo assim, dê o céu a ele. Aí realmente deu “tilt” no cérebro com relação à Palavra Misericórdia e Bondade. Ainda relembro o nome desse documentário, e te digo. Forte abraço, caro amigo.

          Curtido por 1 pessoa

          1. Excelente sua reflexão. Irretocável.
            Aliás, é engraçado que nós, ao meditar sobre a parábola do filho pródigo, nos coloquemos na posição do filho que permaneceu junto ao pai. Como se nós não fôssemos pródigos, ou seja, pecadores. Como se fôssemos imaculados e impolutos. Quando evidentemente não somos. E talvez o nosso primeiro pecado, ao assim fazer, seja justamente o mais grave de todos, a soberba – de achar que não somos o filho pródigo (e de achar que podemos julgá-lo; e, pior ainda, que podemos julgar a própria parábola!). Agora deu “tilt” aqui também, rsrs. Enfim, espero que a misericórdia divina nos perdoe de mais esses pecados todos. O que não é impossível, pois, de acordo com o que sei, a misericórdia tem por premissa justamente a nossa falibilidade, a nossa condição humana. Talvez não seja justo (olha aí a justiça, agora associada à misericórdia, coisa que eu não estava enxergando) julgar humanos como se fosse possível serem perfeitos, o que nunca serão. Seria como faziam os professores de antigamente, minha mãe contava, que nunca davam nota 10 aos alunos, “porque 10 é só para Deus”. Um erro terrível de paralaxe, que equivale a comparar homens a Deus.
            Um forte abraço, meu caro amigo.

            Curtido por 1 pessoa

  6. Eu acredito que a ética e a moral não está no fato de crer ou não em Deus. Há religiosos sem moral alguma. Mas, imagino que como Deus diz que todo homem é mentiroso , e que tudo é vaidade, penso que somos um blefe . Os ateus que são “bons” e que tem caráter não acham justos irem ao inferno porque eles consideram que são bons, que são exemplares e não deveria ser esse “pequeno” fato de não crer em Deus, motivos pra não ganharem os céus. Os religiosos,( alguns) acham que pelo simples fato de crerem , e até se batizarem, já estão salvos e Deus perdoará algumas canalhices . Eu penso que há um critério que passa despercebido. Quando Cristo disse. ” aquele que crer e for batizado será salvo”… Imagino que além de crer, terá que fazer bem mais que somente crer, terá que ter obras e obras de justo. na maioria das vezes os religiosos se perdem nisso. Os ateus se perdem porque não conseguem enxergar e crer a não ser vendo, e como está escrito: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
    Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.
    Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
    Hebreus 11:1-3
    E digo que somos um blefe porque o próprio Cristo quando foi chamado de bom mestre disse: não me chames bom, há um somente bom que é Deus. Ora, se Cristo que foi tentado e venceu, que só fez boas obras não quis ser chamado de bom, por que nós que volta e meia cedemos a tentações, volta e meia nos iramos, nos vingamos, nos tornamos soberbos e idiotas… Queremos ser bons?
    Acredito que por sermos um grande mentira, acreditando em Deus, Buscando-o de coração, Ele tem o poder de nos moldar, quebrar e fazer vaso novo, eis a diferença do religioso e do ateu, o verdadeiro cristão reconhece sua fraqueza, reconhece que não é nada e portanto sem merecimento, mas buscando na fé , na oração o perdão. Como disse Paulo: a perfeição não vem de nós para que nenhuma carne se glorie, é dom de Deus!

    Curtido por 1 pessoa

  7. Meu caro, volto a esse texto, que já comentei antes, para dizer que ontem, depois da lan house, passei na Livraria Cultura, onde vi à venda, entre os lançamentos, o livro “Deus não é grande”, de Christopher Hitchens. Imagino que se vc o tivesse folheado, seu “néscio detector” ia apitar tão forte, mas tão forte, que a clientela toda ia sair correndo da livraria, pensando que era o alarme de incêndio, rsrs.

    Curtido por 1 pessoa

    1. kkkkk. querido Amigo. Olha, não iria ser muito bom não. No entanto, é preciso tentar entender o que diabos ele quis dizer com isso. Tratando-se de quem é, parece ser mais um pretenso evangelho best-seller neo-ateu. Mas poderia ser, se fosse outra pessoa, alguma reflexão filosófica sobre a ideia que se tem de tamanho. Enfim, Deus não é grande, ou seja, é o próprio tamanho que, por ser impossível medir, tornaria a expressão grande muito pequena. Abraço, caro amigo.

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s