Crônicas

Sou Brasileiro!

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Sou negro,

Sou branco,

Sou mulato,

Sou alemão,

Sou índio,

Sou português,

Sou espanhol,

Sou italiano,

Sou europeu,

Sou ocidental e oriental,

Sou homem,

Sou Mulher,

Sou de todas as religiões e de nenhuma,

Sou de direita;

De esquerda;

Do Centro;

Do lado;

De cima;

Sou de baixo!

Sou pobre e sou rico,

Sou eu,

E sou você,

Sou nada e sou tudo!

Somos nós. Nós somos!

Fui colonizador

E fui escravo.

Quê? Sua raça sofreu mais?

Se acabo de te mostrar que não tem raça?

Mas se quer insistir, te digo: 

A Inocente!

Não tenho orgulho de raça alguma, tenho orgulho de todas.

Cem por cento Miscigenado, cem por cento Brasileiro!

Cem por cento Cosmopolita!

Há alguém mais brasileiro que os brasileiros?

Que diabo de cota?

Que diabo de 20 ou 30 por cento?

Enfiem no cu suas cotas.

Eu dei cem por cento e o meu sangue;

Demos cem por cento e o nosso sangue,

Quero duzentos e Hemocentro!

Queremos duzentos e Hemocentros!

Não tentem me/nos enganar,

Canalhas e vagabundos!

Filho da puta racista divisor.

Sou seu inimigo!

Sou Brasileiro!

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16 comentários em “Sou Brasileiro!

  1. Agora, sim (também, depois de vc ter dado a dica noutro comentário, rsrs), percebo a influência do Olavo, seja em brilhantismo verbal, seja em conteúdo.
    Pergunto-lhe, meu caro amigo: Gilberto Freyre ainda reconheceria o Brasil?

    Curtido por 2 pessoas

    1. Não sei, caríssimo Laércio. Provavelmente não só reconheceria como choraria. Ou ainda seria levado ao constrangimento. Não conheço a obra e a pessoa profundamente, mas se você o cita foi certamente um Brasileiro com B maiúsculo. Tempos desses estava lendo Oliveira Martins e sua História de Portugal. Sim, porque entendo que estudar a História do Brasil sem a de Portugal é não saber nada. Embora ainda esteja engatinhando, porque esse não é nada fácil, não é um Jorge Amado. E Oliveira Martins passou a aguçar a minha mente com a tal pátria. Com a tal homogeneidade. E não parece muito distante de nós brasileiros, veja trecho que fiz anotação dele sobre o português: “Até hoje todas as sucessivas tentativas para descobrir a nossa “raça” têm falhado. Latinos, celtas, lusitanos e afinal, moçarabes têm passado: ficam os portugueses, cuja raça, se tal nome convém empregar, foi formada por sete séculos de História.” Junte-se a isso os séculos brasileiros, com portugueses, índios, africanos e todos os outros que nem posso imaginar e teremos o brasileiro que, como ele disse dos portugueses ,”Se tal nome convém empregar”… Agora querem que sejamos somente índios ou somente negros. Querem lutar contra a desigualdade criando outras e fomentando discórdia. E os jovem caem nisso como bestas. Enganados e manipulados o tempo todo por essa corja que aí está. Não percebem que estão perpetuando o racismo? Não percebem que estão destruindo a convivência? Infelizmente, prezado Laércio, é preciso realmente seguir Olavo e mandar todos esses ir tomar bem no meio dos seus cus. Abraço, caro amigo. Obrigado pela coragem de vir num post desse. Sabia que viria. Ótimo resto de tarde e noite.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Concordo com a sua opção por estudar a história de Portugal – uma história muito bonita e rica. Também tenho grande curiosidade, embora sobre aspectos mais específicos. Nunca a li de cabo a rabo, mas trechos que me aguçam a curiosidade, como a parte relativa ao Império Português – especialmente em lugares mais distantes, como Goa, Macau e Timor. Também a parte relativa à participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial. E alguns temas por reflexo da monarquia. P.ex., a figura de D. João VI, tão enxovalhada – mas Paulo Napoleão Nogueira da Silva disse que foi o maior estadista que o Brasil já teve. E explica por quê.
        Enfim, temas muito específicos. Creio que não justifica, mas explica meu desconhecimento desse autor, Oliveira Martins. Cujo trecho que vc transcreveu é realmente muito, mas muito interessante, mesmo. Parabéns pela escolha.
        Quanto a Gilberto Freyre, pergunto porque ele foi o grande defensor da miscigenação, enquanto característica que haveria de constituir o povo brasileiro. Há muitas críticas a ele, a começar pelo rótulo de direitista. Mais recentemente, os cientistas da área dizem que sua obra, hoje, só tem valor literário, não científico. Enfim, é preciso ter em conta tudo isso e se preparar para críticas nesse tom.
        De qualquer modo, tenho certeza de que ele ficaria triste ao não mais reconhecer neste país o Brasil que ele estudou e descreveu. É um outro país, um outro povo. Em parte, devemos todos reconhecer, graças a uma estratégia política de polarização da sociedade, de um partido político que se apóia em diversas dicotomias: somos sempre “nós” contra “eles”. Porque é um partido que gosta de demonizar seus adversários, a ponto de eles serem tratados como inimigos. Ora, no jogo em geral e no jogo democrático em particular, vc tem “adversários”, com quem vc compete. Na guerra, vc tem “inimigos”, que vc precisa eliminar. Esse partido, ao apresentar seus adversários como inimigos, na realidade pretende não competir com eles, mas eliminá-los. Quer uma prova? Um ex-presidente da república, eleito por esse partido, já disse: “precisamos extirpar o DEM da política brasileira”. Então, é um partido que não se contenta em vencer, pois seu objetivo é obter a hegemonia. Ou seja, sua pretensão não é democrática, mas totalitária. Essa, a meu ver, é a motivação estratégico-política da polarização que ele promove. E que vc, ao bom estilo olaviano, combateu nesse texto vigoroso. Parabéns.
        Um forte abraço e uma boa noite pra vc, meu caro amigo.

        Curtido por 1 pessoa

        1. De certo modo, penso que há alguns equívocos no que eu disse e puxei o trecho demais da conta para cá. Como exemplo amplo é válido no sentido da dificuldade de determinação de raças deste ou daquele país pela importância, hegemonia ou pela formação e disso extrair uma pátria. Mas como você entendeu o que eu quis dizer, pra mim está ótimo. Sobre o resto, é exatamente isso o que penso. E poderíamos talvez esticar esse elástico sem quebrar e dar de cara com 64 e o mesmo tipo de problema. Obviamente que o que se dá depois de 64 vira polêmica. E até a simples citação ao numeral já dá calafrios em muitos. Eu só posso dizer do que meus antepassados dizem: Comi, caguei, fizemos piquenique, andamos de trem e de carro, falávamos o que queríamos, ninguém sumiu, plantei e colhi. E não eram poucos. Se houve injustiças, se houve sumiços, se houve privações? Mas em qual época não há? Nessa ninguém some? Não sofre injustiças e privações? Proporcionalmente, muito mais. A questão é que se falou disso, já apontam o dedo: viúva da ditadura. Ora, pois… Mas quem diz que foi uma ditadura das mais cruéis da história do universo? Nossa imprensa querida. Mas é ser muito besta pra acreditar nisso. Se for consultar vários historiadores, cada um vai dizer uma coisa, principalmente se resolvermos na base de historiador de direita e de esquerda. O que nenhum será obviamente é historiador. Mas visualizando hoje e agora. Tenho somente dificuldade de decretar: estamos ou não numa ditadura que finge ser democracia? Será que não pensamos que por poder fazer uns posts estamos na democracia e com liberdade de expressão? Mas experimente ser um blogueiro bem famoso pra ver se não vai chover problemas pra dizer algo. E, que adianta poder dizer e não fazer nada. Veja quantos enganos, caro Laércio. Quanto engodo. Será que realmente pensam que somos idiotas? É provável que não, por isso impediram completamente reagir. Falamos o que pensamos, mas não podemos fazer o que queremos. Boa noite, caro Laércio. Obrigado por perder mais do seu tempo comigo e me fazer ganhar um pouco do meu.

          Curtido por 1 pessoa

          1. De fato, é um tabu. Qualquer discussão sobre 64 e o depois vira um Fla-Flu de posições irreconciliáveis. Assim como agora. (Daí que sua analogia é perfeita. E o detalhe é que temos a concordância de um historiador à esquerda, Marcos Napolitano fez essa mesma descrição do período imediatamente pré 31 de março) E o traço comum a ambos é: sempre que se transforma o debate político num Fla-Flu, deixa-se de lado a racionalidade. Que é trocada por um xingamento, um urro, um murro. Aliás, que fique claro: de parte a parte.
            Vamos a um caso concreto: eu gostava das músicas de Chico Buarque. Pretérito imperfeito, devido à insistência dele em não reconhecer o óbvio. No entanto, pessoalmente, não concordo com abordá-lo na rua com ofensas ou coisa que o valha. Fazer isso é renunciar ao debate democrático. Se fizermos isso, não teremos moral para exigir deles que respeitem a democracia. Mas não é só uma renúncia à democracia, é uma renúncia à racionalidade. Por essas e outras, estou muito pessimista com os rumos que estamos tomando. Acho que só tende a piorar.
            Quanto aos historiadores, para ler sobre 64, creio que estaria mais de acordo com sua opinião o livro “Ditadura à brasileira”, do Marco Antonio Villa – aquele de que lhe falei, da bancada do Jornal da Cultura, nas segundas-feiras.
            Quanto à liberdade de expressão nos blogs, lembra-se da Yoani Sánchez? Lembra-se de como ela foi recebida aqui no Brasil pelos “tonton-macoutes”?
            Em contrapartida, há os blogs patrocinados pela Caixa… É uma guerra assimétrica.
            Meu caro, eu é que ganhei nessa ótima conversa! Um forte abraço e boa noite.

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            1. Anotado, caro Laercio. Com certeza, um tabu, sintetizou perfeitamente. Eu não fiquei sabendo ao certo o caso Chico. Pra te falar a verdade, ausentei-me do noticiário, não siporto mais. De vez em quando vejo um resumão. Mas ficou tão insuportável quanto Facebook. Mas concordo contigo, uma tolice, coisa de aborrecente. Antidemocrática. Não que não seja irritante ver o que esses artistas fazem, até pelo clamor de influência que reclamam, mas é discutir dentro da racionalidade e legalidade. O pessimismo seu me é comum. Mas eu ainda era mais, antes de passar a mergulhar na escrita de postagem, não pensava que iria encontrar tantos brasileiros como eu, até fora do país. O que me deu esperança. Tenha um bom dia, caro amigo. Obrigado pelas sucessivas aulas e indicações. Abraço.

              Curtido por 1 pessoa

              1. Caríssimo, aulas sou eu que tenho nessas nossas conversas. Quanto ao noticiário, já estava como vc, sem suportar mais o repugnante viés bajulatório da mídia mainstream, até que finalmente instalaram a antena coletiva lá no prédio e agora, diariamente, assisto ao Jornal da Cultura. Ontem à noite, na bancada, o ex-min. do STM Flávio Bierrenbach falou o que me parece óbvio, mas que não é dito na TV aberta (salvo a Cultura): que, hoje, não temos oposição no país. Por dois motivos básicos: 1) na realidade, ela não se opõe; 2) ela não apresenta alternativas. Irretocável.
                Caríssimo amigo, um forte abraço e um ótimo dia pra vc.

                Curtido por 1 pessoa

                1. Pois eu ainda não consegui pegar o JC. Muitas ocupações e desocupações. Sabe como é. Mas estou a programar. Pelo jeito que fala, parece estar num ritmo interessante demais para se perder. Abraço, e ótimo dia pra ti também.

                  Curtido por 1 pessoa

                2. Começa às 9 da noite. Espero que sua esposa não reclame, pois é horário de novela na Globo (blergh). Mas é nessas horas que vc precisa impor o pátrio poder e decretar o monopólio do controle remoto, rsrs. Abraço!

                  Curtido por 1 pessoa

  2. Muito boom texto, Waldir. O Brasil é um grande país, cheio de miscigenação e é exatamente aí onde reside a sua beleza. Somos um povo rico em criatividade e dinamismo, tudo fruto da mistura de raças, que compartilharam o melhor de si (é claro que o pior também). Mas aí estamos. Grande abraço.

    Curtido por 3 pessoas

    1. Obrigado, Cara Claudine. Pelo sucinto e direto e imutável comentário. Senti falta de sua voz por aqui. Você é insubstituível. Volte sempre. Sua visita é sempre aguardada. 😉
      Buenas Noches.

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