Crônicas

Três “foras” de uma única garota (Republicação)*

O primeiro fora machuca e magoa. O segundo causa ira. O terceiro que se foda, to pouco me lixando. WLD

Se você tem dificuldades para entender as mulheres, conte sempre comigo. Quando mais jovem, e não sou tão velho, acabei de beijar os inta, conheci uma garota linda, simpática, extremamente sensual, ao natural, sem apelos de ordem vulgar. Nem é preciso dizer que me apaixonei. Mesmo assim digo. Paixão avassaladora. Eu era tímido, e ela era o exato oposto. Transitava por todos os cantos. Seus cabelos viviam a pular, seus pés a correr e seus lábios a bater. Palavras saiam aos turbilhões só superadas pelos sorrisos, sem qualquer dificuldade. Silêncio perto dela era impossível. Eu, meio travadão, fiquei louco, completamente louco.

Pois não durou muito tempo e comecei a soltar as asas. Parti para cima dando uma de Senna atrás de Prost. Ela vivia me elogiando, nossa você é lindo! Fofo! É tão bom conversar com você! Você fala coisas diferentes! Nossa isso, nossa aquilo. E eu, lançado por ela ao auge da soberba, pensei: Tá fácil! Essa daí vai ser moleza. Sim, tomei um fora daqueles! Quero conversar com você a sós, sim? Um sorriso meio estranho e uma resposta meio gélida: Sim, tudo bem…

Não! Eu realmente gosto de você, mas é que… Ai, você me pegou de surpresa… Eu… Bem, Eu quero ser sua amiga! Amiga? Não to entendendo! Você gosta de mim? Gosto. Mas é que… Ai, eu não sei. Posso pelo menos pensar? Xiii. Algum sábio nos assuntos do amor, diria: Você se ferrou! Ok, amanhã você me diz. Amanhã? Tão rápido? Sim, amanhã e nenhum dia a mais. Ok. Ok. Tchau. Tchau. Mais um idiota a não entender as mulheres? Posso estar errado, mas quando uma mulher diz: quero tempo, está querendo dizer: vai procurar o que fazer e me erra?

No dia seguinte, cinco, seis amigas perto. Paredão. Chance nenhuma. Nem de resposta. Deixei pra lá. Fui deixando, passou-se mais de uma semana. Quem me procura? Já estava melhorando. Voltando a ser gente. E eis que a dita vem mais linda do que nunca. Com sua característica de seduzir até os ares em volta. Certamente que a mais linda da escola. Olha! Gosto mesmo de você, não consigo ficar longe. Mas… diabo de mas. Seja clara pelo amor! Não consegue nem ficar longe demais nem perto demais. Amigos? Não quero amizade com você. Pra mim chega. Você é um estúpido, ignorante! Sou mesmo! Adeus.

Após um ou dois dias, lá vem sua irmã. A garota é mesmo garota. Oi! Oiii… Ela namora, bem, na verdade, ela ta meio que confusa… Ah! Que novidade! Se você não fala, nunca ia descobrir. Enfim, quase… compromissada. Enfim, ela gosta de você e não sabe. Aham. Que legal! Pois diga a ela pra saber e me contar depois. Tá. Mas você precisa ter mais paciência. Está fazendo ela sofrer. Aham? E o que ela faz comigo é o quê? Propus um teste. Não sou tão besta. Já era a época das ficadas. Lá vai eu de novo. Terça? Terça!

Um garoto genial. Xeque-mate. Fico e me torno inesquecível. Quem vai competir comigo? Oras, não tem como. Sei os segredos dos ruídos na orelha e no pescoço e abraçar, sou especialista em abraço. Caixa de bombons, corrente para seu pescoço sardento. Nossa, você é um gênio. Dom Juanito. Como se tira uma dúvida? Experimentando, sem compromisso, claro. Uns 16 anos de pura sabedoria.

E a terça que não queria chegar chegou chegando. Ihu. Irmã, amigo e ela. No encontro, local da vitória. Filha da mãe! Não quer ficar sozinha comigo. Sou algum tipo de perigo? Nossa, velho. Eu to com essa caixa de bombom. Joga, joga fora. Putz. Que vergonha! Danou-se. Oi, oi, oi, oi. Que é isso? Ahn? Isso? Essa caixinha embalada em papel de presente? Pra minha mãe. Ah, ta! Minha mãe? Você disse isso, cara? Todos riem, mas eu por dentro quero matá-los na porrada. Não faço porque não sou violento. Sou violento só na minha cabeça de vez em quando. Mudança de estratégia. A risada vai ser invertida.

Passo descaradamente a zombar dos três. Zombaria no mais alto grau. Que isso? Esse batom seu escapou, não sabe passar batom? Tem até nos dentes? Claro que era mentira, to nem ai. Elas acreditam. Hein, que aconteceu com vocês, três mosqueteiros no meio da rua. Onde você comprou esse tênis? Num camelô do Brás? Onde vocês pensam que vão? Quando conseguimos fazer uma fila de dois, eu e ela atrás, aí engasguei e fiquei calado. Muito bom. Idiota antes, durante e depois. Esse segundo eu mereci muito. Não, não e não. Nem ficar nem nada.

Dias e mais dias se passam. De novo? Sim, de novo. Passava e agora fingia por vergonha e também amor-próprio que nem conhecia. Até que, aos poucos, olhares vão se cruzando. Cumprimentos vão ressurgindo. Conversas vão aumentando. E estou de novo perdidamente apaixonado. Cada vez mais e cada vez mais confuso. Dessa vez não ouso mais nada. Não peço mais nada. Totalmente traumatizado depois de tanto fracasso. Já virei motivo de piada para muitos, porque eu mesmo espalhei que tomei dois foras seguidos. Muito inteligente da minha parte.

Pois não é que ela sente isso e gruda em mim. O gato passa a correr do rato. Em todos os lugares onde estou, lá vem ela. Não fico mais em lugar algum sem que ela esteja perto. Da outra sala, éramos vizinhos de sala para piorar. Ela simplesmente senta-se onde dá direto pra mim. Quatro, cinco aulas olhando para minha cara. Que tortura. E eu não tenho coragem nem mesmo de retribuir, mas sei que ela me observa. O tempo todo. O que fazer? Tentar e ser o recordista de foras da escola? Mas recordista de uma mesma garota ainda por cima? Mas não vou tentar mesmo. Ela, se quiser, que faça o papel de me pedir qualquer coisa. Aham? A quem você quer enganar, meu caro…

Nossa, você está estranho, me evitando, por quê? Eu? Não. Eu sou assim mesmo. Mas não é mesmo. Eu te conheço. Conhece nada. Sim, conheço mais do que você imagina. Penso: toma! Isso é pra você aprender. Zombou de uma garota que guardava até papel de bala que você havia dado. Ria e muito. Agora seja zombado. Muito zombado. É que eu… Não consigo ficar perto de você sendo amigo. Ai, lá vem você de novo! Não, é sério, não consigo. Ahrr, vamos mudar de assunto? Não. O que você quer de mim? Eu não quero nada de você. Só quero ser sua amiga. Ta bom, mas eu não quero ser seu amigo. Você está me magoando. Que seja. Faz o seguinte, não chegue mais perto de mim, por favor. Não quero mais falar com você. Ficar perto de você. Por favor, me esqueça. Considerando as circunstâncias, certamente esse foi o terceiro.

Agora sim. Livre. Finalmente. E por cima? Talvez não. Mas pelo menos livre. Algumas aproximações por meio de amigas. Resisto. Resistente. Machão. Sou o cara. Sai da minha aba. Depois, algum anjo mau sopra que estou sendo zombado. Nem sei se estava. Mas acho ela estranhamente feliz. Fez uns dias cara de enterro. Mas, de repente, está sorridente. Oras, só pode estar zombando. Algum outro anjo mau sopra, a irmã. A irmã? Sim, a irmã. A irmã…
Vingança!

E foi. A irmã. Sem muito desembaraço. Consigo até com extrema facilidade. Mas, acostumado às dificuldades, não dou muita importância. Passo mais o tempo falando da irmã da irmã do que propriamente curtindo o momento. E ela se arrepende no dia seguinte. Nunca mais fico com você! Falei pra ela e ela ta sofrendo muito. E ela me disse que terminou dias atrás toda aquela relação com o “fulano”. Hahaha. Desgraça alheia, maior prazer! Fingi surpresa, mas por dentro um enorme prazer. Oras, o que sua irmã quer é que eu fique louco. Que eu vá parar no hospício. Ela me detesta. Eu gosto é de você! Mentira cruel. Caminhos desviados.

Um ano depois, caminhos novamente se cruzam. Mas deixa pra lá. Quem sabe em outra oportunidade. O texto já ficou longo demais e o seu título contado nos mínimos detalhes.

Hoje, olho pra tudo isso somente tentando entender. O que havia ali? Continuo sem entender. Será que ela entendia? Oscar Wilde disse: “As mulheres não sabem o que querem, e não dão descanso, enquanto não recebem aquilo que querem”. É realmente isso.

* Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 12/11/2015 
Eu acho que tenho que fazer alguma coisa, então, se eu der uma sumidinha, não liguem. Bom nem tem como, ninguém tem meu telefone. E a propósito, não tenho conta no Facebook, Twitter, Instagram, G1 ou G+, Sonico, Youtube, Facegloria, Tumblr, Bebo, Cyworld, Cuzão.com ou qualquer rede social. O motivo: detesto rede social, detesto rede social, detesto rede social. Aquilo é uma bosta. Uma bosta. Mas respeito quem gosta, porém continuarei achando uma bosta. Usei Facebook por uns três anos, só não virei assassino porque saí. Portanto, só por e-mail, o que duvido que vá acontecer, pois vocês são muito tímidos e também só gostam de conversar em comentários do WordPress. Mas Se alguém precisar, estiver próximo da morte, não mande e-mail, ligue 193.
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7 comentários em “Três “foras” de uma única garota (Republicação)*

    1. Muito obrigado. Vocês não são um mistério não, são milhares de mistérios. Talvez milhões. Por exemplo, não há nada no mundo que me irrite tanto quanto “se cuida”. Porque sempre que alguém diz isso pra mim eu presumo que está dizendo: tem juízo esse bosta não. Mas não fiquei irritado com você. Pior, até gostei. Por quê? Mistérios. Se você não me excluir em um ou dois meses, o que eu duvido, eu vou descobrir o que você tem de errado. Se é parafuso a mais ou a menos. (Brincadeira) kkkk. Eu vou, mas eu volto. Se cuida, Má! Off: onde você fez psicologia? E onde fez curso de retórica?

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  1. PS: sobre a verdadeira roda-viva que é acompanhar o WP, o que conversamos noutro texto (caramba, já nem sei qual), postei uma citação de Antonio Cicero que, na parte relativa a tempo livre, tem algo a ver com isso: https://laerciobecker.wordpress.com/2016/01/15/tempo-livre-poesia/
    Bom esse cara, não? Gostei.
    Vi que tem material bom, novo e polêmico para ler mas, falando em tempo… já estou atrasado novamente, que desgraça.
    E, falando em tempo livre, bom fim de semana!
    Um forte abraço e bom fim de semana pra vc

    Curtido por 1 pessoa

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