Opinião · Recanto das Letras

Análise dos argumentos pró-aborto da jovem tuber Julia Jolie (Republicação)

Tenho sempre interesse em conhecer pessoas que divirjam de minhas opiniões. Que mostrem argumentos válidos que façam vislumbrar os motivos plausíveis para a defesa em assuntos controversos, como, por exemplo, aborto. Selecionei alguns desses argumentos de uma opinião divergente através de um vídeo já um tanto antigo de uma jovem tuber que tem por nick em seu canal “Julia Jolie”. O link para o seu vídeo colocarei no final do texto para quem quiser assistir na íntegra. Achei interessante o vídeo por alguns aspectos, os principais: é uma jovem e, principalmente, é mulher.

Em sua primeira defesa, ela argumenta que o primeiro motivo de ser favorável à descriminalização do aborto é de que a proibição não impede que as mulheres façam aborto. Nesse ponto ela está certa. Há as clínicas clandestinas e embora eu acredite que as estimativas são infladas, não se pode negar que abortos ocorrem no país diariamente. No entanto, esse primeiro argumento dela é bastante fraco e vicioso. O aborto é um crime assim como é crime o homicídio, latrocínio, o racismo entre outros. Assim sendo, se eu fosse usar esse argumento dela pela lógica que ele me leva, eu diria que descriminalizar o homicídio, o racismo e o estupro também seria uma boa opção porque a simples “proibição” existente nas leis não impede que as pessoas cometam tais crimes.

Após essa introdução da sua posição, ela vai ao ponto da saúde pública. Citando a cirurgia de curetagem pós aborto como uma das mais realizadas pelo SUS. Com mais de 3 milhões de mulheres fazendo por ano a cirurgia no país. E que, em uma eventual descriminalização do aborto, esse tipo de cirurgia se extinguiria. Gerando menos custos para o governo. E trazendo mais informação (?) para as mulheres. Levando a abortos seguros que não trariam risco de morte para a mãe. Enfim, novamente há o fato de ignorar o crime. Mas há um sofisma nessa segunda argumentação de Julia.

Ela cita a cirurgia de curetagem pós aborto como se só fosse realizada em mulheres que tenham tentado fazer abortos clandestinos. Ignorando, não sei se por desconhecimento, que tal procedimento também é realizado em mulheres que tenham abortos espontâneos. Em que a mãe não quis abortar. Levando o espectador desavisado a pensar que esse número de milhões de mulheres fazendo cirurgias de curetagem se trata apenas de cirurgias para tratar de problemas com abortos clandestinos. Um erro imperdoável a meu ver para quem se propôs fazer uma argumentação de defesa sólida e honesta. Só a título de exemplo, eu tenho duas conhecidas, só nos últimos 8 meses, que tiveram abortos espontâneos. Mas não conheço nenhuma que tenha procurado clínicas de aborto clandestino. Quem garante que a quase totalidade desse número de cirurgias de curetagem não seja de abortos espontâneos?

Ela continua abordando sua defesa focando agora na hipótese de que as mulheres que têm dinheiro já fazem aborto seguro. Podem viajar ao exterior e fazer o aborto em países onde o aborto é legalizado. Ou podem procurar as clínicas clandestinas. Que todo mundo (?) sabe onde fica. E que, depreende-se disso, o aborto só não está na prática legalizado a quem é pobre. Vê-se que nesse ponto de sua argumentação a defesa é colocada sob o foco social. Eu sempre que vejo o argumento social, não sei exatamente o motivo disso, encaro como apelação. O coitado do pobre não pode nem abortar? Não pode nem viajar para o exterior para fazer abortos? Coitado do pobre…

O problema do uso desse argumento é que, em todas as pesquisas feitas sobre o aborto, a maioria é contrária à prática, inclusive os pobres. Pesquisa recente do Ibope mostrou que 79% são contra, somente 16% a favor e o resto não sabe. Considerando esses dados, nem o pobre e nem o rico quer a descriminalização do aborto. Logo o pobre não está pedindo descriminalização de nada. Muito pelo contrário. Está pedindo é salário digno e oportunidade pra criar seus filhos. É o pobre o maior interessado em que a prática continue sendo crime. Usar o pobre na argumentação é prática comum para defender anomalias. Muitas vezes agindo como se o pobre não tivesse opinião própria. Ou fosse um monte de gado que precisa ser guiado.

Continua sua defesa dizendo que nós estamos punindo as mulheres por causa de um erro. Depois ela parte para o campo da religião e comete o primeiro desastre total. Diz que na Bíblia há regra contra o aborto. Bem, inicialmente, punir a mulher a meu ver é descriminalizar o aborto. Não tenho a menor sombra de dúvidas de que toda a mulher que um dia fez aborto nunca mais esqueceu. Levará consigo essa dor para o resto da vida. Sobre a Bíblia, nunca achei nela, e olha que não leio pouco, algo sobre feto e aborto. Religiosos são contra o aborto, e nem são todos, por diversos motivos, não por mandamento explícito na Bíblia. O Não matarás é exemplo, pois entende-se a vida no momento de sua concepção. E isso é científico. O esperma e o óvulo e pronto, vida em desenvolvimento. Ah, mas não pensa e não sente, podem objetar outros.

Quem te disse? Se for por falta de memória, então devemos também autorizar o infanticídio, pois nunca conheci ninguém que se lembrasse dos seus primeiros passos. Nem da primeira palavra dita. Você já foi um feto, e se tivesse deixado de ser, hoje não pensaria e nem sentiria. Além disso, há vídeos estarrecedores mostrando o batimento cardíaco acelerado desses minúsculos seres quando próximos do aborto. Mostrando reação física semelhante a qualquer ser adulto próximo da morte. Dizer que a vida não começa na concepção é fácil a um marmanjo que já deixou de ser feto há algumas décadas sem ter sido assassinado.

Parte, então, para outro campo complicado, de que o aborto descriminalizado não é obrigatório, você faz se você quiser. Ninguém vai te obrigar a fazer. Enfim, mais um argumento inválido. Porque a questão não é a obrigatoriedade, mas os custos que todos (sem falar da consciência religiosa), inclusive religiosos, terão que pagar pelos abortos. Ou se ignora que a descriminalização é para que o Estado custeie o tratamento? E o Estado custeia com o meu dinheiro e o com o de todos os que pagam impostos, ou cristão não paga imposto? Falo isso porque ela diz que os religiosos querem tirar o direito (?) das mulheres de fazer aborto pela imposição da crença num estado laico. Mas, pelo menos no Brasil, só seria direito se fosse descriminalizado. Como não é, os religiosos estão na verdade lutando pelos direitos que existem, enquanto os outros estão provavelmente fazendo apologia a um crime.

Ao fim, ela argumenta sobre os métodos contraceptivos não serem cem por cento seguros. E nisso ela tem razão. Nenhum método contraceptivo é cem por cento seguro. A não ser a masturbação ou o celibato. No entanto, há controvérsias. Se os laboratórios dissessem que os métodos contraceptivos fossem cem por cento seguros, e mulheres ficassem grávidas após o uso destes, falo dos anticoncepcionais, tais laboratórios teriam que pagar volumosas indenizações. Naturalmente, para evitar processos e prejuízos porque alguma mulher esqueceu de tomar o comprimido por um dia, eles jamais colocarão em suas bulas que é totalmente seguro.

Contudo, mesmo ela provavelmente sabendo disso, diz ainda que mesmo que não se use camisinha, não se pode “punir” uma mulher a cuidar de uma criança por anos e anos. Essa foi realmente de doer. Ser mãe é realmente uma grande punição… Nisso todas as mães concordam, não? Ainda que concordasse com ela, diria que é só oferecer a criança à adoção. Não faltará interessado, isso eu garanto. O problema com a adoção é outro, burocracia e não falta de interessados. E assim, dando para adoção, a mulher não será “punida” para ter que criar seu próprio filho saído de suas entranhas. Eu realmente respeito as posições contrárias, mas se a jovem Julia quer realmente convencer alguém, vai precisar mudar todos os seus argumentos. Pois os que ela usou não podem ser nomeados doutra forma senão de ruins. Muito ruins.

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 19/10/2015

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25 comentários em “Análise dos argumentos pró-aborto da jovem tuber Julia Jolie (Republicação)

  1. Oi Waldir , ando ocupada com a mudança de casa, quase não sento. Esse assunto é tão complicado, aliás, esse fim de ano fiquei me questionando se temos o direito de confrontar ou dissuadir alguém dos seus pensamentos , da sua religião da sua opinião sobre qualquer coisa. Sei lá, me bateu uma aflição e um sentimento de fracasso como se não soubesse mais a verdade ou no que acreditar, vejo todos argumentando sobre política, religião, gosto… E fico pensando em quem está certo e se ESTOU CERTA. Sou contra o aborto pra mim, não abortaria nem se fosse estuprada , sei que não o faria. Mas, prefiro saber que a “Mariazinha” abortou mesmo sabendo que o feto sentiu dor do que saber que ela pariu pra deixar a toa, pra negligenciar, pra espancar, pra sofrer tortura física e psicológica… Sei, VC vai dizer que eu não estou sendo egoísta pq não quero sofrer, não quero mesmo. Sabe, estou cansada de sofrer e ver o sofrimento das pessoas e das criancas jogadas no lixo como se fossem lixo, estou cansada de tudo. Sim, VC vai dizer que aquela criança espancada e abusada pode crescer e ser feliz e que ela talvez prefira ter vivido os horrores do que ter sido abortada , claro que pode, mas, ultimamente tenho assistido ID e tenho percebido que 90%dos psicopatas ou assassinos tiveram uma infância traumática, com abusos de todos os tipos o restante não, e se tornaram assassinos cruéis também. Mas esse número me assustou e me questionou se sabemos alguma coisa da vida, se sabemos alguma verdade. Me pergunto se o amor não é a coisa mais importante, o carinho , atenção. Esse mundo nunca será perfeito, sim elas podem pensar antes, se cuidarem, podem pensar que alguém com amor vai criar e amar e elas podem dar… Mas elas não pensam, e sei que a legalização vai ser caos, vai ser uma carnificina mas o mundo já é do maligno e ele foi e sempre será uma carnificina …
    Desculpe, to meio pra baixo hoje !

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    1. Nossa Cris, esse comentário tem muito conteúdo. Mas acho que você, com todo o respeito à sua suposição a meu respeito, não presume bem minha contra-argumentação nesses casos que levantou. Eu não adotaria essa linha de que é melhor isso ou aquilo que aquilo outro. Na verdade, enxergo o aborto do jeito que está previsto na nossa lei: estupro, anencefalia e risco para a mãe bons motivos para abortar. Quanto a outros motivos, não fui convencido. Por causa da qualidade dos argumentos apresentados mesmo. Mas também sei dizer: não sei. E usando o citador de citações, com todo o respeito, diria como Rubem Fonseca em alguns finais de seus contos, modificando para a situação: não sei, foda-se. Não há como salvar este mundo. Faço a minha parte, que é quase nada mas é minha. Mas não posso atinar com tanta merda. Abraço e boa sorte com a mudança.

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  2. Pois é, eu sou contra, gostaria que não o fizesse, mas não vamos mudar isso e creio que mais dia menos dia vai liberar pq afinal o Brasil tem tendencia a seguir os estrangeiros. Eu lamento, lamento profundamente Waldir, mas tu já viu uma criança sendo espancada? Já viu , já soube dos abusos sexuais, já soube das loucas que jogam no lixo? e tanta coisa? Isso não vai mudar e eles estão perdidos pq não são iguais a nós que confiamos em Deus, que acreditamos na Bíblia e sabemos distinguir o certo do errado, talvez elas saibam ou talvez o mal já esteja tão enraizado já estão cauterizando a consciência que não ligam, e eu fico pesarosa de ver criança sofrer, seria bom se não o fizessem , se se cuidassem, mas procuram a solução mais drástica pq não amam, e de que adianta colocar mais marginais no mundo? Mais crianças sem pai, sem amor? Esse é só meu pensamento entendeu? Não significa que eu assinaria apoiando o aborto, jamais!!

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    1. Já vi, claro Cris. Já vi mais coisa ruim do que gostaria. Coisas absolutamente abomináveis. Mas esse tipo de indução também conheço. O apelo à desgraça para realizar outra. Tudo isso pode ser desfeito olhando do outro ponto de vista. O da criança que não foi abortada e que deu certo. Tenho certeza que há milhares de exemplos bons que fazem inclusive compensar os ruins. Se formos pensar assim, pelo mau exemplo, vamos acabar achando bom o suicídio, e até passar a desejá-lo. Se de cada dez crianças não abortadas uma deu certo, já compensou não descriminalizar. Eu procuro somente não me filtrar pela lama. Olho pro céu e de lá busco exemplo. Nas estrelas. A terra que se exploda.

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      1. Você está certo Waldir, a lama esta crescendo e eu, tem dias que fico doida e angustiada com tanto mal e desejosa de sair logo daqui ou que Cristo venha o quanto antes. Isso acontece naqueles dias em que olho sem esperança alguma, mas depois fico em paz porque a paz é Deus que coloca em nossos corações e dá alivio, porque senão, piramos de vez . Hoje acordei melhor, mas tem dias que desejo , não a volta de Cristo, mas um meteoro fulminante kkkkk

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  3. Ah! não estava tentando te convencer rsrs só expressei minha opinião. O mundo é e sempre será uma merda! Ainda continuo buscando de Deus uma boa explicação para tudo isso aqui. Tenho minhas teorias mas não sei se são verdadeiras, afinal está escrito que um dia saberemos o mistério de Deus!

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  4. Vê-se que além de religioso o autor do texto é homem.
    Se o vídeo da garota trás argumentos ruins, o texto acima trás exageros de várias formas, uso da bíblia para defender argumentos arcaicos e achismos absurdos como ” toda mulher sofre quando faz um aborto”.

    Sou totalmente a favor da liberdade individual, isso significa nesse contexto a mulher decidir o que fazer com o corpo dela, e não uma lei de Nem sei quantos anos atrás, ou uma bíblia de milênios antes de Cristo.

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    1. Usa da Bíblia, onde? Quem usou a Bíblia foi ela. Eu apenas disse que não há na Bíblia nada do que ela disse haver. Leste o texto? Parece que não. Liberdade individual é justamente o que defendo, há um indivíduo na barriga da que aborta. Há vários indivíduos que irão ter que custear as despesas operacionais e psicológicas. O que você defende não é que a mulher faça o que quiser com o corpo dela, mas que faça o que quiser com o corpo de outro ser em desenvolvimento.

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            1. Nós dois sabemos que tudo é questão de tempo. Em pouquíssimo tempo, essa forma singela poderá ser uma mulher. Você defende o corpo da mulher do presente, eu defendo a do futuro e a do presente. Afinal, sou favorável ao aborto em caso de estupro, anencefalia e RISCO DE MORTE para a mulher que você se preocupa. Não somos tão diferentes assim, não é mesmo? Mas, mudando o foco. Quanto custa uma pílula do dia seguinte, uma camisinha? Achas mesmo que a porcentagem de irresponsáveis é tão pequena que compense pagar por isso? Confia mesmo nesses números de abortos clandestinos?

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              1. Na verdade confio sim nesse número dos abortos. Para de fazer um aborto hoje em dia não é necessário procurar uma clínica clandestina, basta tomar alguns remédios abortivos e correr o risco de morrer no banheiro.

                Quanto ao valor da pílula, engraçado é que pessoas ricas fazem aborto seguro, nós sabemos. Isso significa que nem uma pessoa rica consegue comprar uma pílula? Não. As coisas não são tão simples assim.

                Quanto aos métodos contraceptivos: existem métodos muito mais eficazes do que os que se encontram no mercado hoje, mas o capitalismo desenfreado proíbe que esses métodos sejam trabalhados e apresentados, afinal que farmacêutico não lucra com pílulas e camisinhas?
                Você já disse que não gosta do argumento social, mas me diga, quem vai usar o SUS para realizar um aborto: uma mulher rica ou uma mulher pobre?

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                1. Faz certo sentido. A pobre, óbvio. Mas, de certo modo, o SUS talvez consiga ser pior que uma clínica clandestina. Como o povo brasileiro gosta muito de transar, a fila para realizar abortos, se os números estiverem corretos, o que duvido, basta ver os números do Uruguai antes e depois da descriminalização (agora dizem que as mulheres ainda não sabem), o SUS vai agendar o aborto para quando a criança já estiver com 5 anos. E aí, aborta ou não? Nunca conheci uma mulher rica ou pobre que fez aborto. Nem em minha família, nem da família de ninguém, nem mesmo por boato. Agora abortos espontâneos, vejo direto. Pode ser que alguns sejam provocados. Quem sabe, não posso saber. Em todo o caso, não sei se já percebeu, mas os maiores interessados no aborto (dos filhos dos pobres, miseráveis) são os capitalistas e endinheirados. Assim diminui o custo de programas sociais que iriam ajudar a sustentar os, agora, assassinados. A teoria pode ter muita lógica. Se for observar, pode ser até desejo de racistas, pois me parece que a maioria assassinada nos EUA é filho/a de negro.

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                2. Talvez você concorde comigo, mas o grande problema da população brasileira hoje é a falta de uma educação consistente. Concordo quando você diz que o SUS não vai conseguir lidar com a demanda, já que ele não consegue lidar com nenhuma outra mesmo.
                  Deixo aqui uma analogia: a cirurgia de redução do estômago também só é feita pelo sus quando é necessária, como em caso de obesidade mórbida e que represente risco iminente a vida do paciente.

                  Não concordo com o SUS fazendo cirurgias de aborto a torto e a direito. Nem que indivíduos que tem condições de se cuidar antes que o fato aconteça apareçam no hospital depois de seis meses de gravidez querendo realizar um aborto.

                  Então o que fazer com relação a lei do aborto?

                  Acredito que a descriminalização é o ponto principal, e junto dela que o estado, usando de todo o conhecimento dos diversos eespecialistas na área criem uma regulamentação, seja a operação realizada em local público ou privado.

                  O certo pra mim é que a mulher seja amparada durante todo o processo do aborto. E quem sabe durante o processo, conversando com psicólogos ela não desista?
                  O que falta, realmente é educação.

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                3. Sua argumentação é lógica, e em minha opinião já superaste em reflexão nossa querida jovem Julia. É preciso sempre ponderar, seja contra ou a favor. Mas devemos admitir que há ignorância de ambos os lados dos contrários e dos favoráveis quando se metem a opinar sobre tão delicado assunto sem estudar suas demandas. Do meu lado, que sou contra, creio que sabemos que muitos são contra por pensarem que descriminalização é obrigação. Parece ridículo, mas sem a devida consideração, é a isso que se vai chegar. Dos favoráveis, o que vejo é uma incrível falta de habilidade em lidar com a questão das consequências financeiras, psicológicas entre outras, que, afinal, deveremos todos arcar, pois, uma vez permitido, é nossa responsabilidade ir até o fim com o cuidado, não adianta só permitir abortar, é preciso depois disso, como você bem reparou, realizar o processo psicológico antes, que pode fazer realmente mudar de ideia (porque quantas não teriam deixado de fazer se houvesse alguém do lado a fazer considerações pertinentes?) durante e depois. E sabe-se lá por quanto tempo. Precisamos realmente de educação, instrução e, sobretudo, pensar. Obrigado pela interação, inclusive as provocações, sempre boas quando acompanhadas do respeito. Pensamos diferente, mas jamais seremos inimigos por conta disso, não é mesmo? Abração e feliz ano novo, pra você e sua preciosa família.

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                4. Obrigado você pelo debate. É sempre bom quando a gente conversa com respeito (e um pouco de provocação), acredito que os dois lados tem muito a crescer, principalmente daqueles que querem mudar alguma coisa, pois isso exige muito trabalho e nem todos que defendem a mudança estão dispostos a trabalhar por ela.

                  Feliz ano novo para você também, e um abraço pra toda a família. 🙂

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                5. Você consegue imaginar uma clínica de aborto particular que cobre por exemplo 2 mil reais para realizar a cirurgia? Você ainda seria contra, mesmo que isso significasse que não foi utilizado dinheiro de imposto? Você não acredita que para alguém que recebe mil reais por mês, pagar dois mil em uma cirurgia faria a pessoa aprender a se cuidar mais, já que como diz o ditado ” só aprendem quando foi no bolso”?

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                6. Na verdade, não conheço nenhuma amigo. Se conhecesse, sem brincadeira, denunciaria. Mas considerando sua hipótese, é injusto mesmo, desconsiderando toda a minha posição e atentando somente para a possibilidade de um contra outro, é extremamente injusto. Mas tive uma dúvida, você é contra o aborto em si, ou contra sua criminalização. Sabemos que as duas coisas são diferentes. Há muitos, inclusive de esquerda, que são contra o aborto mas favoráveis há que se seja possível a quem queira. Mas considerando seu último ponto, é elogiável, suponhamos por um instante que o casal ou a “abortista” seja liberada para fazer o aborto, desde que arque com os custos. Nesse caso, creio que eu teria que pensar bastante, apesar de minha índole religiosa impelir-me para ainda assim ser contra. Mas não deixa de ser um novo ponto de vista que me dá. Abraço.

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                7. Sim, eu sou contra o fato das pessoas abortarem pelo simples fato de não querer mais o filho, mas sempre fui a favor da liberdade individual e entendo que as mulheres são as que mais sofrem com essas circunstâncias (falo como filho de mãe solteira).

                  Mas acredito que ainda devemos estudar muitos pontos pra que esse tipo de situação seja liberada, por exemplo: no caso da liberação, se o pai da criança deseja que o filho nasça e a mãe deseja abortar, qual seria a providência?
                  E no caso contrário, se o pai deseja o aborto e a mãe quer ter a criança, o pai ainda deveria ser obrigado a arcar com as obrigações jurídicas e financeiras?

                  Quanto mais eu penso no assunto, mais vejo que nos falta educação (falo enquanto país e enquanto povo) pra tratar de temas que poderiam ser muito simples.

                  Boa festa! 🙂

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                8. Verdadeiramente, muitos são os ângulos a se observar. Boas festas pra ti também. Até outras discussões. Foi um prazer conhecer suas posições, reflexões e inquietações. Abraço. 🙂

                  Curtido por 1 pessoa

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