Crônicas · Literatura · Pensamentos

Quem sou eu. Um pouco sobre meu estilo.

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Tenho sido absorvido por um medo constante: o da incompreensão. Ser incompreendido, em virtude de meus textos não serem claros, tem me tirado o sono. Minto, o sono não, mas tem diminuído minha produção textual. Ando mais reflexivo quanto aos conteúdos que eu posto, tentando ao máximo não suscitar dúvidas, incompreensões, ou até mesmo gerar ojeriza em leitores e escritores que gostaria de não perder contato.

Isso ocorre porque tenho um estilo ácido, irônico e, não poucas vezes, acabo passando do ponto. Indo ao extremo e parecendo grosso, pedante ou, no pior dos casos, extremamente bestial. Digo parecendo porque não era essa a intenção, mas com ou sem intenção, fui assim compreendido, ou melhor, incompreendido inúmeras vezes. De tanto pensar nisso, resolvi explicar um pouco sobre minhas intenções literárias e sobre como me vejo ao escrever. Isto é, sobre como quero que entendam e reflitam meus textos. Sei que isso será útil no momento, mas pode ser inútil num futuro em que alguém tiver lido meus textos sem ler esse. Por isso pretendo, quando escrever textos fáceis de serem incompreendidos, linka-los no fim para esse. Desejando com isso evitar que me detestem sem causa, ou pelo menos evitar que me detestem sem que eu tenha tentado me defender.

Por que digo tudo isso? É muito simples. Eu escrevo há muito tempo. Publico há pouco. Mas escrevo desde que me conheço por gente. Pra valer mesmo. Uma curiosidade que poucos sabem, escrevo inicialmente a caneta. Só depois passo para a digitação. Não consigo escrever nada no PC que não seja copiado de textos escritos a mão. Óbvio que não estou a falar de comentários ou coisas do tipo. Se assim fosse, seria TOC. Mas, enfim, estou me defendendo porque levo o ato de escrever a sério, ainda quando produzindo textos de humor. Pois quando os faço, tenho claro objetivo e meta a ser atingidos. Não que não haja exceções. Mas em regra, tudo o que escrevo, pelo menos a mim, tem sentido e finalidade. Ou seja, não escrevo para passar o tempo, embora ele passe enquanto escrevo. E como!

Penso que estilo não se copia, não se obtém, mas se tem, e ponto final. Eu não posso mudar o meu. Melhor explicá-lo. Explico porque desde que comecei a publicar não foram poucas as vezes nas quais fui obrigado a intervir em comentários tentando explicar o que eu estava querendo dizer. Mas creio que não sou o único a ter esse tipo de problema, pelo que vejo. Muitos outros têm sido incompreendidos na sua real intenção ao fazer uma crítica ou até um elogio usando o humor e a ironia. A fim de melhor compreensão, uso como exemplos alguns textos que escrevi aqui e no espaço anterior no qual escrevia.

Recentemente, postei o texto “Juíz proíbe uso de elevador por 48 horas em todo o país”. Claro que eu fazia alusão ao episódio envolvendo o app Whatsapp. Era uma crítica. E esta, creio eu, estava fácil de compreender. Mesmo assim, cabe uma pequena análise sobre tal texto. O texto criado é inteiramente absurdo, irônico, com um humor que muitos detestam e com razão se, e somente se, o fim desse humor fosse o seu próprio conteúdo. O que não foi minha intenção jamais. Mas tenho quase certeza que alguém pode ter levado para este lado. O de que eu fiz uso desnecessário do ridículo e do absurdo para criticar algo ridículo e absurdo com fim nenhum a não ser fazer piadinha. E nisso está uma das características do meu estilo. Não consigo falar de algo ridículo sem criar algo mais ridículo ainda. E por mais que eu tente fazer diferente, não consigo. É também proposital. Falo do choque de ridículo. Minha intenção é chocar para ver se alguém que tem pensamento contrário enxergue o quão absurdo é pensar diferente do que penso. Nada mais.

Nesse mesmo texto há outra característica relevante para explicação. O uso de termos chulos. Essa é uma outra característica que vai sempre incomodar alguém. Principalmente religiosos. O que é um problema sério, já que sou cristão confesso e evangélico. É claro e óbvio que vou ser tido pelos cristãos como alguém a se afastar, infelizmente. E outros, puritanos não religiosos, verão nisso um indício de hipocrisia. Terão também a tendência de se afastar. Tenho consciência de que não é bom fazer uso de tais recursos. Mas, repito, a questão não é se é bom ou ruim, mas se posso fazer sem trair a mim mesmo. Como disse anteriormente, o estilo me possui, e não eu a ele. Deste modo, também não posso mudar. Mesmo assim, cabem mais algumas considerações a respeito.

Eu quase nunca falo palavrão. Não estou mentindo. É quase impossível alguém me ver falando palavrão. Mas escrevo palavrão o tempo todo. E vejo, sim, diferença entre falar palavrão e escrever palavrão. Lendo alguns dos meus textos, alguém poderá pensar que sou escandaloso. Quando, na verdade, detesto escandalosos. Odeio de morte pessoas escandalosas socialmente. E acho absurdo alguém considerar igual escrever um palavrão e gritar um palavrão num restaurante cheio de gente, por exemplo. Não vejo a menor semelhança entre as situações. Porque enxergo que a produção textual nada tem com vida em sociedade. Sendo tanto a leitura quanto a escrita atividades totalmente individuais. A não ser que se esteja lendo para crianças, o que é outro caso.

Mas em regra, no geral, Texto é uma coisa, relações pessoais é outra. E concordo com alguns de que a sujeira está muitas vezes em quem ouve, ou melhor, em quem lê os palavrões do que em quem os escreve. Digo isso usando, por exemplo, o tradicional palavrão “cu”. Nunca vi um cu. Embora ninguém vá acreditar nisso, é a mais pura verdade.  Portanto, quando escrevo cu, estou a pensar em campos verdes cheios de margaridas. Quem lê e viu um cu real, vai logo pensar neste cu que vislumbrou. E a culpa é minha por ele ter visto um cu horrível e formado uma imagem de devassidão? Claro que não. Neste caso, ouso dizer que os puritanos religiosos e não religiosos deveriam refletir se o problema está no meu cu ou no deles. Contudo, já peço desculpas aos religiosos amigos pelo uso de tais recursos e, por favor, não se escandalizem comigo.

Superado isso, penso ser também importante mencionar a questão relativa ao autor confundido com sua criação ficcional. Uso como exemplo um texto que ainda não republiquei aqui justamente por causa do medo da incompreensão. O texto de que falo foi publicado por mim como ficcional. Mas quase todos os que leram o admitiram como sendo um disfarce usado por mim. O nome era “Se os homens fossem sinceros”. Em que o personagem “Bigode” fazia confissões de desejos ocultos a mim sobre mulheres. Em resumo, ele desejava um prédio de 50 andares, com dois apartamentos por andar, em que cada um desses apartamentos fosse habitado por mulheres suas. E que ele pudesse “visitá-las” quando quisesse. É claro que aqui a incompreensão levou muitos a pensar que o Bigode era eu. Um total absurdo. Pois além de ser eu um homem casado, se tivesse intenção de falar sobre desejos ocultos, não iria simplesmente falar em prédios com apenas cem mulheres, mas em países com milhões. Porém, estou contente em ser rei de uma rainha só…

Isso, de fato, entristece não só a mim como a vários autores, contistas, poetas e afins. Essa mania de sempre tentar de alguma forma enxergar o autor no personagem. É claro que há sempre personalidade do autor no personagem. Afinal, creio não existir um botão “desliga tudo o que sou eu” quando escrevemos. Mas essa doutrina da personificação autoral na ficção levada ao extremo é não só perigosa como também injusta. Eu já escrevi texto sob a ótica de um cão. Ou tentei escrever, melhor dizendo. E é nesse ponto que a doutrina falha claramente. Deveria eu ser um cão para agir e pensar como um e produzir um texto? Claro que não. Da mesma forma se assumo uma voz feminina. Não sou mulher, mas posso ser mulher num texto facilmente. E isso se estende ao ateu, ao terrorista, à prostituta, ao padre, e até ao capeta, por que não? Mas nem por isso sou eu ali. Digo tudo isso porque também faz parte do meu estilo incorporar situações que não vivi, desejos que não tenho e pessoas que não sou. E nada me parece mais irritante do que depreender que sou sempre eu. Sem que os que me leem entendam isso, é impossível escrever ficção sem perder a paciência. Mas, infelizmente, creio que para isso não há jeito senão silenciar.

Pra finalizar, meu estilo não permite que eu fique em cima do muro. Isto é, eu não me privo de dar posição sobre o que conheço e sobre o que penso. Tenho, nos últimos tempos, apenas procurado solidificar meu conhecimento antes de dar uma opinião absoluta. Mais jovem, dava sem conhecimento e sem base, o que demonstrou ser um grande erro. Pois, constantemente, mudei de opinião após conhecer melhor o assunto. Mas em suma, penso que furtar-se de ter posição é covardia. Penso que aquele que tem medo de dar sua opinião apenas para não desagradar a outros não merece ter direito a opinião alguma. Querendo agradar a todos, vai acabar é desagradando a todos inclusive a si próprio. E é por isso que digo mesmo minha posição política, religiosa, moral e de costumes sem qualquer constrangimento. O que fatalmente vai incomodar alguém que pensa diferente. Mas não sou tirano. E gostaria que os que pensam diferente, expusessem suas ideias contraditórias diretamente a mim quando quiserem ou se sentirem incomodados com textos meus. Eu não mordo, podem até me xingar. Desde que permitam o revide.

Em resumo é isso: Meu humor será de extremo mau gosto para os que não veem que estou fazendo uma crítica justamente ao que eles chamam mau gosto. Meu palavreado muitas vezes será considerado chulo para os que acham mais belo escrever que alguém passa fome que escrever vai tomar no cu aos que fazem outros passar fome. Embora isso se dê, procuraria jamais dizer isso em público. Isto é, repito, vejo diferença entre dizer um palavrão e escrever um palavrão. Claro que tudo tem um momento, dependendo do momento do texto, um palavrão escrito é tão inoportuno como o dito. Meus textos ficcionais são verdadeiramente ficcionais em regra. Não são baseados em realidade alguma, senão a realidade que eu mesmo criei e imaginei no momento. E, se eu for contra ou a favor de casamento gay, aborto, pena de morte, diminuição da maioridade penal, eutanásia, suruba, PT entre outros, não deixarei de dizer em tempo oportuno. Este sou o eu autor. Ou pelo menos, um pedaço. E agradeço a paciência de quem chegou até aqui. Porque esqueci de dizer que meus textos são sempre beeemmm longos. Prolixo ao extremo. Mas sou coerente nesse ponto. Leio textos igualmente beeeemmmm longos.

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25 comentários em “Quem sou eu. Um pouco sobre meu estilo.

  1. Perfeitamente compreendido.Acho que sofro desse mesmo mau, por isso não mostro nada do que escrevo para “amigos” próximos e nem divulgo esse meu lado de escritora.Aqui ninguém entenderia. Eu viajo muito, gosto de interpretar, então quando escrevo, geralmente eu escrevo interpretando algum personagem, e as palavras fuem por si. Há quem me interprete mal quase sempre, eu sofro as vezes por isso, mas resolvi não dar muita moral para isso, a escrita me liberta, o cotidiano as vezes é tão massante que eu faço da escrita meu refugio. quando eu escrevo possos ser quem eu quiser:um anjo, um demônio, uma árvore, uma prostituta, uma porta…não importa….eu detesto quando me rotulam. Quanto aos palavrões que falo, geralmente os falo quando estou sozinha e comigo mesma, ou em pensamento (em pensamento falo bastante..kkk), nunca em público, penso que a mulher tem que saber ser dama e saber se comportar em público, mas na escrita é diferente….não se define o caráter de alguém pelo que ela escreve, ainda mais na internet, um lugar tão perigoso. Quando escrevo eu gosto de deixar as reticências….há uma grande diferença entre o real e o virtual, uma grande diferença entre escrever e ser, mas infelizmente nem todos tem essa mesma percepção. Mudando de assunto no mesmo assunto, o Bigode é muito “humano”….ele é muito real…..kkkk….Bom texto.

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    1. Obrigado, Abá. Interessante seu relato. Muito bem-vindo. Quanto ao Bigode, kkk, pretendo dar uma continuação depois de republicar. Resolvi fazer esse texto também por causa do que virá. Tenho produções novas, além do Bigode o Mc zé ruela vem aí de novo. Então já viu, melhor tentar ao menos conter estragos. Mas mesmo assim creio que virão. Contudo, apesar dos julgamentos, creio que é mais importante sermos nós mesmos. Pois nada compensa a perca da própria essência para agradar a outro. Neste caso, prefiro viver só que morrer acompanhado. Abraço

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      1. kkk….Verdade mas acontece que, todo mundo morre sozinho querendo ou não, ninguém vai entrar com a gente no caixão já parou pra pensar…ssr…mas o Bigode é uma figura tão semelhante que de tão óbvio chega a ser engraçado…esqueci de ressaltar a parte “rei de uma rainha só…” fofíssimo…muito bunitinho…ssr

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  2. Eu achei tão louco esse povo que não podia ficar sem watsapp 48 horas, exceto os que precisam pra trabalho assim mesmo não sei o que esse povo fazia antes dele. Eu entendi seu texto falando sobre isso. Quanto ao bigode fui eu que fiz referência a VC mas não lembro se falei que era brincadeira sei que não era sobre VC eu brinco as vezes e também sou irônica também as vezes kkk
    Quanto a palavrões eu não gosto de ouvir nem de ler palavrão pesado mas não sou hipócrita nem tão moralistas e puritana kkk . Dependesse de mim vc não precisava explicar nada. As pessoas tbem confundem o que escrevo isso é normal eu acho. Estou no cel pq nem liguei o pc, estou de mudança e arrumando as coisas . Abraço!!!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Pois é, Cris. Eu instalei o Telegram. Kkkk. Mas há pessoas que foram prejudicadas pelo uso profissional. Sobre a questão da mudança, meus pêsames. Pelo menos pra mim sempre foi uma… E o Bigode foi um exemplo, mas não o único. E a rigor, aquele texto quase todos entenderam pessoalmente. Depois de um tempo, até eu passei a acreditar que era o Bigode. Kkkk. Abraço e obrigado.

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              1. Sai da pág. E me perdi. Por isso prefiro escrever no PC, nem consigo aqui pelo cel. ver meu comentário e enviei sem concluir. Nem sei onde parei, complicado isso aqui, me perco e nunca sei onde vou parar kk mas, creio que estava dizendo que fiquei no bairro dezassete anos e me apeguei , agora fiquei triste e distante de todos. Eu creio que sou covarde mas isso não impediu da vida me dar uns dribles e me fazer sofrer de qualquer forma. Estou com minha casa a venda devido alguns problemas mas o que eu gostaria era de ter tido dinheiro pra reforma-la já que fiquei tanto tempo lá . Nunca fiquei tanto tempo num lugar, numa casa. Mas, deixa pra lá, são coisas da vida. Os psicólogos diriam que, como não consigo mudar minha vida, mudo de casa ,de bairro, mudo os móveis do lugar kkkk

                Curtido por 1 pessoa

  3. Caríssimo! Muito interessante seu texto, do início ao fim. Gargalhei aqui sozinho com aquele trecho do país inteiro com milhões, rs, um ótimo exemplo de auto-ironia – que também está sempre presente em seus textos. Considero a auto-ironia uma verdadeira dádiva, porque liberta o autor e o leitor do incensamento que o ato de leitura “devota” pode provocar. Tem uma coisa a mais, se me permite, que vc pode alegar aí nessa questão da separação entre a ficção e a autobiografia. E não é uma mera menção à famosa citação de Flaubert, “Madame Bovary c’est moi”. Não. É o seguinte: o leitor que tende a deduzir uma “autobiografia” em textos ficcionais, na realidade, subestima a capacidade ficcional do autor! Creio que isso é muito evidente, mas vou esmiuçar assim mesmo: pombas, o sujeito que pensa que minha ficção é minha autobiografia deve me achar um retardado mental, incapaz de criar ficção! Acho que isso tem uma explicação – não uma justificativa – num modo de escrever que vem de uns tempos para cá: o de todo mundo achar que “ah, minha vida daria um romance” (quando não dariam nem um hai-kai) – e dá-lhe de escrever memórias e autobiografias aos vinte e poucos anos, com a vastíssima experiência de vida de vinte e poucos anos de idade. Qualquer celebridade (e até sub-celebridade) se acha no direito de ter uma. Veja Neymar, um rapazola, já tem mais de um livro contando sua vasta vida. E dourando a pílula, é claro, para ela ficar bem “canarinha”, rsrs. Enfim, parece que vivemos num mundo cujos fatos são tão assombrosos que constrangem e encurralam a ficção. E a ficção produz desconfiança de que seja real. Essa é a nossa desgraça, meu caro amigo. Um forte abraço!

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    1. Caro Laércio, insuportável esse último exemplo do qual você fala. Biografia do Neymar? Justin Bieber? É de doer. Em seu ensaio, A Civilização do Espetáculo, Mario Vargas Llosa fala um pouco, não sobre isso, mas em geral sobre a decadência da cultura e a bestialização total da humanidade. Grande culpado por esse náufrago em que estamos, a meu ver, é a extrema valorização da juventude. E eu falo de mim mesmo, pois sou também jovem de certa forma. Claro que a extrema desvalorização também é um perigo. Porém, é dado muito valor ao Jovem em detrimento do Ancião. Isso é causa de toda a espécie de desordem. É preciso haver o equilíbrio. Nenhuma civilização sobrevive sem estar fundamentada no velho. No experiente. No valor agregado que nos vem da tradição e do tradicional. Na nossa surgem uns bostas desses, com o perdão do termo, completos anti-exemplos, e show e mais show pra eles. Assim não vai. Assim não dá. Mas é estranho porque no caso do Neymar (e palmas pra ele e sucesso, não quero jamais o seu mal) sendo ele um esportista, não era para ser inspirador como esportista? Mas o mundo está tão pobre de personalidades com peso político, filosófico, artístico que tem que usá-lo como exemplo de tal envergadura que inspire até mortos. Fizeram isso com Lionel Messi também. Não ignoro que há exemplos de esportistas que extrapolam o mundo do esporte, caso do Ayrton, por exemplo. Mas a diferença é que foi o Ayrton que extrapolou, o caso do Neymar é de uso por ausência de coisa melhor. Uma lástima. Enfim, falei demais. Hehe. Sobre o exemplo ficcional, acertaste em cheio. Não há como isso ser outra coisa senão um acinte contra o autor. Abraço, caro amigo.

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      1. Caríssimo amigo, esse seu comentário foi tão brilhante que merecia um “post” próprio. Aliás, fica como sugestão.
        Um dia, num “sebo”, eu garimpava a estante de biografias quando me deparei com uma – pasme – da Luísa Ambiel, aquela da tal “banheira do Gugu”. Vc tem razão quando à sobrevalorização da juventude. E, nesse ponto, vc tem o apoio do – eterno – Nelson Rodrigues. Acho que é ele quem fala que à idade da razão sobrepôs-se a razão da idade. No caso, da pouca idade. Sabe como ele era, cheio de birras, uma delas era contra o “poder jovem”. Aí, numa entrevista, acho que o Otto Lara Resende é quem, para provocá-lo, pediu-lhe que, para encerrar, desse um conselho aos jovens. Ele respondeu: “envelheçam!”, rsrs. Figuraça. E, mais uma vez, vc tem razão: por que cargas d’água a mídia gosta de expor celebridades e sub-celebridades como exemplos e especialistas nas áreas que não são delas? A Globo é especialista no assunto. Põe em programas matinais (que não assisto, até porque é horário de trabalho, mas vejo anunciados) seus artistas para falarem sobre psicologia, antropologia, física nuclear e o escambau. Certa vez, o Faustão colocou o Tony Ramos para discutir com o antropólogo Roberto Damatta. E o Datena e o Marcelo Resende falando direito penal (ignorando completamente o processo e a execução penais). Isso quando não é Xuxa, Eliana ou Cristina Rocha que se arvoram no direito de dar pitacos sobre psicologia, dar conselhos a casais, jovens etc., sem formação para tanto. Para mim, é uma irresponsabilidade que beira o exercício ilegal da profissão. Nesse sentido, vc tem toda razão, é uma extrapolação indevida. E dela colheremos os frutos. Afinal, que futuro tem um casal que recebe “aconselhamento psicológico” duma apresentadora de programa de auditório? Que futuro tem uma juventude que se espelha no exemplo de sobriedade de Amy Winehouse? Que futuro tem um país aconselhado politicamente por Fausto Silva? É a questão que seu comentário acende. Um forte abraço!

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        1. Verdadeiramente, Laércio. Desanimador. E estes exemplos se espalham na net. O que tem de comentaristas (haters) dando uma de teólogo, aviador, astronauta, cientista, general e coisas afins não está no gibi. Mas a esses há que se dar o desconto por não sabermos exatamente de onde vêm. Se dos hospícios ou até mesmo do além. Agora a TV, principalmente, que ainda é o meio de comunicação mais visto no país, creio eu, deveria ter mais responsabilidade. Mas, definitivamente não teve, e agora já é leite derramado mesmo. A minha sorte foi desde cedo ter conhecido Bibliotecas públicas e ter tido um ou outro professor que ainda fazem ecoar hoje suas vozes, senão seria mais burro do que já sou. Infelizmente não pude estudar no ITA. Mas sigamos. Se sabemos que não sabemos, já é um grande avanço. O problema é mesmo mostrar aos que pensam que sabem que não sabem é nada. Aliás, pelo que vejo, é o que todos os anciãos brasileiros com conhecimento querem mostrar e, infelizmente, não estão a conseguir. Na verdade, são sempre vistos como loucos, da “conspiração”, e analfabetos.

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          1. Muito bem observado, meu amigo, a internet tem muito disso, lamentavelmente. Aliás, o RL que o diga. Quanto à formação no ITA, não vou dizer que “as uvas estavam verdes”, mas conheço gente cuja forte formação técnica e acadêmica não as habilitou para a vida. Pelo contrário, naufragaram miseravelmente. Por isso, vc mais uma vez está certo, o negócio é seguir em frente. Como diria o Chico dos áureos tempos, “nadando contra a corrente até não poder resistir”. Um forte abraço!

            Curtido por 1 pessoa

  4. Perdi o sono agora e tava pensando o que fazer, vim ler um pouco e gosto de ver os comentários kkkk não entendi quando falou meus pêsames, sobre a mudança????

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