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Entrevista com Presidento Dilmo Roussefo

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Na Mandiocaria Palaciana de Banânia, o Presidento será entrevistado por um entrevistador, claro.

Senhor Presidento, não crê que faria um grande favor ao país renunciando de uma vez e nos deixando em paz, definitivamente?

Quero dizer, queria dizer, quererei dizer que gostaria de dizer que um dia vou dizer que não sei o que queria dizer mas acho que estou dizendo que não sei.

O Senhor está bem?

Acho que talvez estivesse, se estivesse, com certeza acho que estou. Mais ou menos.

O Senhor ultimamente tem estado em conflitos constantes com Eduardo Cu-nha. Acha que pode mesmo ganhar essa queda de braço sem que ele o leve junto?

Nesta conjuntura atual, gostaria de saudar a mandioca, que é patrimônio cultural, social e, porque não, educacional do nosso país. Veja, eu aqui trouxe uma para vossa excelência. Lubrificada. Uma das maiores já vistas. Não coube na sala, por isso coloquei lá perto do seu carro e pagarei um guincho para levá-la à sua casa.

Em pronunciamento recente, Senhor, muitos disseram que não havia sido claro quanto à meta. Poderia por favor tentar explicar melhor.

Consultei com meu dentisto. E reclamei, obviamente. Trata-se de uma dor de dente que não conseguia me curar. Por isso eu estava falando dos analgésicos, dentisam e coisas do tipo. Que não ia colocar meta alguma, mas atingida certa quantidade, iria dobrar pra ver se parava a dor. Repita aí o que eu disse e veja se não faz sentido.

“Não vamos colocar uma meta, deixaremos em aberto e, quando atingirmos ela, nós dobraremos a meta”.

Realmente, Senhor. Faz sentido. Mas faz para casos de corrupção também, não acha?

No meu governo não existe corrupção. E muitos novamente zombaram dessa minha declaração. Inclusive o Senhor Cu-nha. A verdade é que não existe governo meu algum, por isso eu estou novamente certo. Como vai haver corrupção num governo que não existe? Isso é ilógico, depois é eu que falo coisas sem sentido. Vocês é que esperam sentido de uma zona dessas.

Perfeitamente, Senhor presidento. Agora compreendo. Mas pra finalizar, o que o Senhor quis dizer no dia das crianças com aquela história de cachorro?

Veja bem. Novamente incompreensão. Pegam muito no meu pé. Já contratei um advogade para me defender de tantas paranóias. Escreva aí o que eu disse.

Se hoje é o Dia das Crianças, ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.

Está aí escrito, Senhor Presidento. Não acha essa frase um tanto macabra, no mínimo. Seria alguma mensagem subliminar aos coxinhas que carregam crianças nos protestos? Não seria como dizer que os pais dessas crianças são cachorros?

Não há nada de macabro, e essa sua teoria é ridícula, jamais faria isso com um brasileire. Seja coxinha ou enroladinho, ou pizzaiolo. Os cachorros não têm dia, tem? Pois eu tenho pensado em decretar dia nacional, e internacional, e até universal,  e extra universo o do cachorro. E por que eu disse isso justamente no dia 12, anh? Adivinha, porque o dia seguinte é claro que é o 13, meu número. Então eu faria essa singela homenagem no dia seguinte, juntando o dia 12 + 1, tchanam!!! Treze. E isso guarda uma mensagem subliminar, já que o meu inventor tem nove dedos, o que quer dizer para quem sabe matemática que falta 1, logo o 12 + 1 também homenagearia não somente os cachorros mas o meu parceiro para negócios aleatórios, duvidosos e ocultos, daí a figura oculta, entendeu? E além disso, seria um golpe de mestre, o dia dos cachorros sendo o número do meu partido, não seria o máximo?

Putz, chega. Vai pedalar, vai.

Off:

Senhor autor dessa entrevista ridícula, não acha que corre sérios riscos de perder todos os seus leitores com textos assim?

Claro que não. Se eu tivesse leitores, certamente estaria preocupado. É possível aparecer -100 no contador? Se não é possível, estou sossegado. 

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2 comentários em “Entrevista com Presidento Dilmo Roussefo

  1. Meu caro, é nota 10 com louvor, desde o título. O aproveitamento de trechos verídicos foi brilhante. (E provam que a realidade atual é tão surreal que o desafio do ficcionista é muito maior, como conversamos alhures.) O trecho que mais gostei foi: meu governo não é corrupto porque meu governo não existe, rs. E o entrevistado tem razão: como ousamos criticar sua ilogicidade? Esse argumento é logicamente perfeito. Um forte abraço e mais uma vez parabéns!

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