Crônicas

Sobre o tempo ou a falta dele

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Tudo o que faço está dentro de pausas, as interrupções que falei no texto anterior. Ou mesmo no furto de tempo que, por obrigação inclusive salarial, deveria me furtar de furtar. Não adiantou ler manuais de como lidar com o tempo, como organizar as tarefas, projetar e planejá-las também toma tempo. E, no fim, lembro-me dessas anotações sem precisar recorrer a elas. O que as torna inúteis e também ridículas.

Em suma: não tenho tempo para organizar meu tempo e diminuir a falta dele. E é exatamente por isso que não o tenho. Gosto muito de ler e escrever. Constantemente nos mais impensáveis locais, lá estão textos a brotar na mente. A maioria desaparece como surgiu. Não tenho tido tempo de escrever nem ler. Claro, porque ambas ocupações exigem tempo. Neste momento, o tempo me diz para ter pressa. Ainda preciso tomar banho, conversar com a família, fazer contas, separar as que vou pagar, arrumar a bagunça que está minha escrivaninha, telefonar para duas pessoas, assistir noticiário, caminhar com meu cachorro, que está prestes a me morder e com razão por não cumprir minha obrigação, e tentar terminar esse texto o mais rápido possível para ver se aparece alguém disposto a encará-lo.

Isso tudo não pode levar a outra coisa senão angústia. Vivemos tempos angustiados, depressivos e apressados. Cidadãos que vivem nas brechas de tempo. Com pressa de morrer e não de viver. Como viemos nos tornar isso? Tentamos resolver a falta de tempo determinando prioridades. Mas isso é ou não é estupidez? Afinal, quem precisa determinar prioridades? Elas se auto-determinam. Ou você as faz ou está frito. Comer, Trabalhar, Dormir são só exemplos de prioridades. Tente abandonar uma e terá sérios problemas: de saúde ou financeiros. Simples assim.

Por exemplo, olhei agora o relógio. O tempo que tinha para gastar com esse texto se esgotou. Não culpe a mim se isso parecer incompleto. E, sim, a falta de tempo. O que acho mais interessante é o que me veio agora à mente: é bem provável que você nem se importe com o término dessa forma. Se vir até minha página, provavelmente clicará em curti porque também não tem tempo pra ler e não quer perder contato comigo ou quer simplesmente me animar a continuar escrevendo e tentando tentar ler seus posts. Mas eu consigo. Aos poucos, chego lá!

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7 comentários em “Sobre o tempo ou a falta dele

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