Pensamentos · Recanto das Letras

Interrupções (Republicação)

Figura1

Dentro desses dias, estive contabilizando todas as interrupções que se fazem dentro do meu universo paralelo de vida. Todas as vezes em que eu estava conversando comigo mesmo, tentando redigir um texto, estudando determinado assunto, ou mesmo tentando ter um raciocínio que me proporcionasse um pensamento profundo. Dei-me conta que a realidade das coisas me interrompia variadas vezes, quase que de minuto a minuto. Claro que dentro da realidade estão também pessoas, objetos, obrigações, sons e até a própria falta de concentração.

Agora mesmo, no momento exato em que escrevo, já fui interrompido duas vezes. Tenho certeza que até o término do texto serão dezenas.

Posso dizer: Não é nada agradável. A sensação é de que há algo conspirando contra o próprio pensamento. Forçando-nos a viver diante de absoluta instabilidade de tudo que nos cerca. E quando tudo parece em silêncio, numa madrugada, você está convicto de que conseguirá realizar uma introspecção, de repente, um mosquito zunindo ou picando. Um carro em alta velocidade, ou uma motocicleta com escapamento adulterado soltando como que fogos de artifício. Nessa hora é inevitável, você solta um palavrão.

Conheço pessoas que leem dentro de ônibus, metrôs. Que conseguem a concentração no mais absoluto caos. Eu as invejo. Ao mesmo tempo desconfio, seria só uma forma de se afastar não estando afastado. Algo está sendo realmente produzido ou é tudo fingimento? Dizem que não. Duvido muito. Mesmo assim, sigo os invejando, não tenho paciência para fingir, muito menos conseguir essa concentração. Se sou interrompido, eu fico interrompido. Desisto. E deixo de lado.

Conclusão? Depois de dezenas das interrupções prometidas, eu chego à melhor maneira de concluir um texto sobre interrupções. Interrempendo-o…

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 13/11/2013

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6 comentários em “Interrupções (Republicação)

  1. Bom dia! Eu sou uma pessoa desconcentrada por natureza…não consigo me concentrar em ler ou escrever em lugares públicos, geralmente a noite faço isso, e por fim sempre estou no outro dia caindo de sono….estou envelhecendo rápido por causa disso, melhor assim do que as ditas interrupções……….abç

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  2. Eu sou diferente mesmo… Posso estar no meio do maior fuzuê, se pego um livro para ler: desligo. Desligo completamente do que se passa a minha volta e mergulho fundo na leitura. As pessoas geralmente tem que gritar comigo para obter minha atenção nesses casos, não estou brincando! Já aconteceu aqui no serviço, costumo ler no horário do meu almoço, inclusive coloco o despertador para não perder hora de voltar senão… hehe. Eles dizem que eu quase não pisco e é muito engraçado me observar, pois as expressões faciais condizem com a leitura. Pra você ter uma breve noção: dou risada, faço beicinho e falo coisas como “não acredito que isso está acontecendo…| Não pode ser! OMG!!!”, em voz alta e nem percebo kkkkkkk – Viajo… Enfim, falei demais. hihi, perdoe-me e como sempre ótimo texto, querido amigo.

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