Recanto das Letras · Resenha

O Torreão, Jennifer Egan (Republicação)

O Torreão

 

Imprevisível Torreão

Título em português: O Torreão

Título Original: The Keep
Autora: Jennifer Egan
Páginas: 240
Preço sugerido: entre R$ 20,00 e R$ 25,00, nas melhores livrarias.

Jennifer Egan é mais conhecida por “A visita cruel do tempo”, livro pelo qual ganhou o prestigiado prêmio Pulitzer de ficção, em 2011. É uma escritora americana, nascida em 1962. Sobre ela, posso dizer que é talentosa. Apesar de não conhecer os demais títulos e até pouco tempo nem mesmo saber quem era. Sobre esse título específico, não sei, a palavra que não me sai da cabeça é imprevisível.

Estava querendo algo para ler exclusivamente para me entreter. Passar o tempo, me divertir. Sem qualquer outro desejo senão o de ler por ler. Sem ser aquela leitura maçante, que apesar de gostar, exige muita atenção, muita releitura. Encontrei esse “O Torreão” e pensei: creio que é isso o que eu quero. Esse tipo de leitura despretensiosa já me deu muitas surpresas agradáveis, geralmente só leio a sinopse e, mais geralmente ainda, desconheço completamente o autor. É como comprar algo no mercado que você jamais comeu. Pode te surpreender positivamente, ou pode desgostar profundamente.

Posso citar algumas dessas minhas aventuras que resultaram em gratas surpresas. Li “O caçador de pipas”, de Khaled Housseini, pouco após o lançamento no Brasil. Não tinha a menor ideia de quem era. Hoje, tenho seus três títulos, e não consigo descobrir qual deles é melhor. E esse eu nem mesmo li a sinopse, e a regra continua valendo para qualquer livro que ele lance. É um autor de cabeceira para mim. Tive a mesma sorte não como tive com o autor em si, mas com outros títulos. “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak. “A sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Záfon. “As memórias do Livro”, de Geraldine Brooks. Entre outros. No entanto, também tive desastres como “Sábado”, de Ian McEwan, livro que nunca consigo esquecer apesar de detestá-lo. Ian McEwan, no entanto, é um autor excepcional, li outros dele, e só não gostei mesmo de Sábado. Mas, no geral, tenho tido mais sorte que azar.

“O Torreão” não é um Caçador de Pipas, mas também não é um Sábado. Danny é um viciado em celular. Enfrenta alguns problemas em Nova York e, nesse interlúdio, recebe uma proposta para ir conhecer um Castelo que seu primo Howie comprara. Primo este que na infância era aquele típico garoto desprezado por todos, mas que agora é um homem da bolsa de certo prestígio, relativamente rico, bem-sucedido. O exato oposto de Danny.

Ao chegar ao castelo, Danny se depara com as impossibilidades de usar celular. E ele é viciado nisso, como se fosse numa droga. Não deixa de ser uma forma de criticar da autora essa imensa aldeia global que se tornou o mundo com as redes. Que parece aproximar, mas acaba por afastar as pessoas, criando nelas uma dependência que é tão nociva quanto a das drogas.

Howie quer que o castelo permaneça invulnerável aos apelos tecnológicos. Quer que seja um museu-hotel, mas também uma espécie de local para onde as pessoas fogem e ficam na contemplação. Absorvidas pela imponência de um castelo medieval. Alguns setores, Howie não quer nem mesmo modificar ou consertar.

No entanto, há um problema. O torreão do castelo. Esse torreão é habitado por uma baronesa assustadora. Velhíssima. Que, logicamente, se nega a sair. E esse mesmo torreão é muito fortificado, pois é o local para onde os proprietários deveriam fugir no caso de uma invasão. Foi construído para ser impossível de invadir. E logo no início temos essa informação:

“Entrar no torreão não era nada óbvio. Embaixo, não havia porta nenhuma — só uma estreita escada de pedra que envolvia a edificação pelo lado de fora, sem corrimão…”

Mas o que mais me chamou a atenção, e não tem como falar disso sem dar algum spoiler, é quanto à narração. É onde cabe a palavra imprevisível, surpreendente, inimaginável e afins. Mas é claro que não vou adiante com isso. Quem quiser saber mais, leia. Não irá se arrepender.

“A edição que adquiri é da Intrínseca, 2012. Cabe uma ressalva a respeito da capa. Nunca vi capa de brochura como essa. É fosca, quase próxima do papelão. Vendo as imagens pela internet, não se tem noção, só mesmo pegando. Eu gostei muito. Aparenta ser de um material muito resistente.”

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 29/09/2015

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