Recanto das Letras · Resenha

O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie (Republicação)

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Uma surpreendente surpresa

Autora: Agatha Christie
Título Original: The Murder of Roger Ackroyd
Ano: 1926
Título no Brasil: O Assassinato de Roger Ackroyd
Edição lida: Globo, 12 de Julho de 2014

Logo de início, Agatha Christie em sua dedicatória de “O assassinato de Roger Ackroyd” diz a que veio:

“Para Punkie, que aprecia uma história policial clássica com assassinato, inquérito e suspeitas que recaiam alternadamente sobre todos!”

E ela não desaponta Punkie e os demais leitores. Não poderia estar mais certa quanto ao uso da expressão alternadamente. É o que ocorre; capítulo a capítulo.

Agatha dispensa comentários. Nascida Na Inglaterra, em 15 de Setembro de 1890, é certamente a escritora do gênero policial mais bem sucedida da história. Além de prolífica. Escreveu 93 livros. Embora o gênero policial sempre foi considerado como subliteratura, certamente não é ela a responsável por essa designação. Pode-se pensar que por ser uma escritora que alcançou uma estimativa inacreditável de cópias vendidas, entre incríveis 4 bilhões de cópias e crescente, isso de alguma forma esteja ligado à falta de qualidade artística. Não restam dúvidas de que em geral isso pode ser dito para a maioria dos casos de sucessos estrondosos de vendas recentes no meio literário, mas não para Agatha e, certamente, nem para todos.

O Assassinato de Roger Ackroyd, publicado em 1926, sendo o sétimo livro da autora, foi o responsável por lançar de vez Christie ao sucesso. Não é para menos. Na voz do Dr. James Sheppard, ela traça uma intrincada teia de suspense em que, como disse, faz cair alternadamente a suspeita sobre todos. Roger Ackroyd foi assassinado dentro de sua mansão, mais precisamente em seu escritório. Hercule Poirot, um detetive belga, que é usado em pelo menos 33 livros da escritora, está na cidade, para aproveitar sua recém aposentadoria, ironicamente, plantando “abobrinhas”. É então chamado de volta à ativa por Flora, sobrinha de Roger, que quer a todo o custo tentar livrar seu noivo, Capitão Ralph Paton, enteado de Roger que seria o principal beneficiário de uma eventual morte do padrasto no que diz respeito à herança. Mas há muitas outras circunstâncias incriminadoras que pesam sobre ele. 

Obviamente, não é difícil observar semelhanças dele, Poirot, com o inesquecível Holmes. Além do Dr. Sheppard com Watson. No entanto, o mesmo ocorre com as diferenças. Poirot é um estrangeiro. Holmes é inglês. Holmes e Watson são inseparáveis. Poirot e Dr. Sheppard mantém um relacionamento muito mais formal e receoso. Mas não resta dúvidas de que Agatha teve muito de sua inspiração para o gênero em Conan Doyle. Nem poderia ser diferente. E há até breve citação a Sherlock na narração do Dr. Sheppard. Contudo, em nada decepcionará os que têm a premissa de que o inspirado não pode superar ou ao menos equiparar o inspirador.

A montagem do quebra-cabeças vai aguçando a curiosidade de uma maneira que é impossível parar de ler. Na voz do Dr. James Sheppard, o acontecimento vai ganhando contornos cada vez mais dramáticos e complexos. Ao mesmo tempo, todos são suspeitos. Não há quem se livre. Uns mais que outros. Mas todos, enfim, estão escondendo algo. O que acaba por colocar a honestidade de cada um em xeque sobre todo o resto que depõem. Mas, invariavelmente, nada há de definitivo e, quando tudo parece estar caminhando para um desfecho um tanto óbvio, tudo acaba por voltar à estaca zero com um novo indício, prova ou confissão.

Mesmo para alguém habituado às reviravoltas de um caso misterioso, poderá ficar absolutamente perplexo com a revelação final que o aguarda, saindo do talentoso e enigmático detetive Poirot. E é nisso que a “Rainha” do suspense se diferencia e se coloca à margem do comum, do que é clichê. Sendo difícil conseguir equipar-se, superá-la então parece tarefa impossível. Enquanto isso, não resta dúvidas de que frustrou e frustra todos os leitores que tinham ou têm na sua inteligência e perspicácia a razão de sua estima. Não tem como. De um jeito ou de outro, todos acabarão saindo se lamentando: “como não pensei nisso ou nesse antes?!”

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 06/10/2015

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3 comentários em “O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie (Republicação)

  1. Acho que li quase todos os livros dela se ficou algum creio que uns 3 sempre fui fascinda por suspense e sempre gostei de tentar saber quem é o assassino antes do desfecho rsr em filmes na maioria das vezes acerto. AGHATA porem, me dava uns dribles as vezes. Não lembro dessa estória, li tantos rsrs A paz de Deus Abraço fraterno. Um ósculo na testa!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que Legal, Cris. Gosto mesmo da Agatha, mas infelizmente li acho que esse e O Caso dos Dez Negrinhos. Contudo, esse último faz tanto tempo que nem lembro mais nada. Amém. Beijo pra ti também.

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