Recanto das Letras · Tecnologia

Kindle: Minha Experiência com e-reader (Republicação)

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Image by Google

Leio muito menos do que gostaria. Gosto de absorção e leitura atenta. Tenho amigos leitores que leem em meio ao caos, barulho e ruído. Infelizmente não sou esse tipo de leitor. Só consigo realmente ler perto da madrugada, isso, é claro, se os cães permitirem.

Tenho tido muita dificuldade em adquirir livros a um preço razoável. Junte-se a isso o fato de morar afastado das grandes livrarias. Todas as vezes que compro um livro, acabo esperando dias até recebê-lo pelos correios ou transportadora. Pior ainda é o fato de que esse frete não sai barato, muitas vezes acaba sendo mais caro que o livro em si. É por esses motivos que acabei ficando cada vez mais propenso a adquirir um e-reader.

Pra quem não sabe e-reader é um leitor de livros eletrônicos, basicamente. Há no mercado vários modelos e marcas. Os mais conhecidos no Brasil são o Kindle da Amazon (Empresa americana), e o Kobo, vendido pela livraria Cultura, mas produzido, se não me engano, por uma empresa canadense. Parece um tablet (não se engane, ele serve basicamente só pra leitura, até a navegação é algo totalmente não recomendado, se quer pra tudo: jogar, navegar, ver vídeos, compre um tablet!). Sua tela é e-ink: um material eletrônico criado para dar (quase) o mesmo tipo de experiência que se tem ao ler papel. Em termos técnicos seria uma espécie de tinta eletrônica que é reagrupada a cada virada de página.

Há uma grande diversidade de modelos com 3g, sem 3g e somente com wi-fi, telas de toque ou botão laterais, com ou sem iluminação própria, enfim, muitos tipos que determinarão o valor final do produto. Eu realmente não estava interessado em avanços tecnológicos tão grandes, iluminação interna, 3g, touch etc…, e comprei o modelo mais barato, pois o meu intuito está apenas em ler e não em ter um aparelho com variados tipos de conexão ou qualquer coisa que o fizesse custar 300 reais a mais, fazendo exatamente o mesmo que outros. Embora alguns prefiram com iluminação para ler em ambientes mais escuros, o que não deixa de ser um fator determinante para compra.

Minha escolha pessoal foi pelo kindle 4, 6¨. Sem touch, e sem iluminação, e sem 3g. O modelo mais básico da Amazon. Não tenho nada contra o Kobo, pra falar a verdade jamais o testei. Preferi o kindle apenas por sentir mais segurança na Amazon e seu catálogo gigante de livros eletrônicos, além é claro de um atendimento excepcional que recebi. Nada disso, no entanto, torna o kindle melhor ou pior do que o kobo, pois a livraria cultura também tem um catálogo vasto e, no caso do kobo, você pode comprar livros eletrônicos em todas as outras livrarias (o kindle tem um formato proprietário só vendido pela Amazon, mesmo assim você pode comprar de outras livrarias e converter para o formato kindle, algo não tão complexo assim, desde que sem DRM, o que vai ser difícil de acontecer, pois a Amazon tem todos os títulos e geralmente mais baratos que as outras livrarias). Trata-se realmente de uma questão de preferência.

O aparelho é pequeno, leve e seu uso é bastante intuitivo. Realmente muito fácil de gerenciar. Baixar livros é extremamente fácil na Amazon. Há milhares de títulos gratuitos e em um clique apenas já estavam sendo colocados no kindle, via wi-fi. Mas também podem ser colocados via USB. O kindle cria uma unidade de armazenamento como se fosse um pendrive, até mesmo no já ultrapassado Windows XP. Enfim, pra transferir livros é muito fácil e os formatos aceitos são vários, incluindo o pdf.

Mas é bom que se lembre que o kindle não foi feito pra ler pdf. Necessitando que esse arquivo seja convertido para o formato .mobi. Isso também não é difícil. A amazon te dá um e-mail @kindle em que basta você enviar um pdf pra ele com o assunto “convert” e o pdf será colocado em seu dispositivo já convertido para os formatos nativos do aparelho. A vantagem nisso é que dá pra gerenciar o tamanho do texto, espaçamento entre linhas, etc, coisa impossível num pdf, já que ele o gerencia como imagem. Mesmo assim, nem sempre a conversão fica boa. Necessitando de conhecimentos um pouco mais avançados e de um programa de conversão chamado Calibre.

A experiência de leitura é incrível. De fato, entre os eletrônicos, o que mais chega próximo de um livro é um e-reader, no meu caso o Kindle. A tela não possui reflexos, a não ser que você a deixe muito próxima da fonte de luz. Durante o dia dá pra ler com toda a luminosidade, até mesmo no sol. É realmente impressionante a semelhança entre sua tela e o papel. A única, quase imperceptível, diferença está em alguns pontos de reflexo quando diretamente inclinado a uma fonte de luz interna. Mas isso é facilmente resolvido virando um pouco o aparelho pra outro lado. Enfim, igual a esse aparelho pra leitura não há igual.

O preço não é alto. Por menos de 300 reais você adquire o Kindle mais básico, ou o Kobo por menos de 400. Os descontos nos e-books comparativamente ao livro físico e a quantidade de impressão que não precisará realizar pagarão o aparelho em alguns meses, talvez até semanas, dependendo da voracidade do leitor. Isso não quer dizer que elimine completamente a necessidade de se comprar livros físicos. Há alguns que sempre queremos ter na estante, ou simplesmente você não conseguirá encontrar o mesmo em formato eletrônico, afinal, nem todos os livros foram digitalizados e, em alguns casos, a própria editora não tem interesse. Além disso, há livros de fotografias, pinturas que, embora possam ser vistos no kindle, não têm nem de longe a qualidade gráfica (colorida) de um livro impresso.

Alguns cometem o absurdo de dizer que ele é até melhor que um livro. Enfim, não acredito nisso. Embora ele realmente seja muito prático, tenha dicionário embutido, seja fácil de transportar e dê pra armazenar cerca de 1400 livros (algo impossível de carregar numa mochila), não acredito que deva ser comparado com livros, mas sim com aparelhos eletrônicos. Isto é, a pergunta seria: qual o aparelho que mais chega perto da experiência de ler como lemos um livro? E é exatamente nisso que ele (e-reader e não somente kindle) supera completamente qualquer tipo de dispositivo. Ele não emite luz e não cansa as vistas. Mesmo os que têm iluminação, pois essa iluminação foi desenvolvida somente pra ficar na tela do aparelho, não é uma iluminação reflexiva.

Portanto, recomendado e aprovado. Mesmo assim, não creio que irá substituir os livros impressos, mas, antes, a prática de leituras extensas em outros tipos de telas. Meu principal objetivo de compra é eliminar compras de livros que eu apenas leria uma vez na vida, ou artigos extensos na web. Além, é claro, de economizar com livros muito mais baratos que o formato físico. Pra livros clássicos, obras-primas da literatura, livros de geografia ou que contenham ilustrações eu ainda continuarei comprando físicos. Isso não é nenhum demérito ao aparelho, mas uma constatação de que ainda estamos longe de ver um aparelho eletrônico substituir completamente um livro físico. Nem creio que isso seja necessário, afinal, o grande mérito do kindle ou de um e-reader na minha opinião é não deixar as pessoas cegas quando precisarem ler arquivos ou livros eletrônicos, nem corcundas com o peso de 10 livros na mochila.

Sobre a duração da bateria achei-a ótima. Não deu pra testar muito bem, pois baixei muitos artigos, apostilas e e-books por wi-fi, o que compromete o desempenho de qualquer bateria, mesmo a de celulares. Mesmo assim, baixando diariamente vários arquivos, a bateria durou 8 dias, com aproximadamente duas horas de leitura diárias. Acredito que sem usar a rede wi-fi, dure aproximadamente um mês ou mais, dependendo da quantidade de horas de leitura. Ou seja, um desempenho excepcional que faz praticamente esquecer de termos nas mãos um dispositivo eletrônico. Principalmente se considerarmos a duração da carga de baterias dos smartphones atuais que usamos.

Eu aconselharia a compra a quem precisa estar frequentemente em trânsito ou viajando. Às pessoas que pagam fretes absurdos por um livro e ainda têm que aguardar dias o produto chegar. Pessoas que estudam e não querem levar mochilas carregadas de livros. Outros que querem economizar na compra de livros que não vão querer estocar em casa, mas precisam lê-los por motivos variados. Pra quem está cansado de ter que ler artigos e apostilas em telas de PC, ficando numa mesma posição por horas e tendo cansaço nas vistas de maneira ininterrupta.

Finalmente, se você ainda tem dúvidas, dê uma boa pesquisada e escolha o modelo que mais lhe agrada, juntamente com a marca. Pelo que sei sobre os dois principais, qualquer um deles é muito bom pra leitura. Tendo entre si poucas diferenças que não chegam a realmente trazer um empecilho grande para a compra de qualquer deles. Mas, se lê muito pouco e gosta muito de livros impressos, além de ter fácil acesso a bibliotecas e livrarias, não acho que seja realmente necessário ter um desses. Eu acredito que a principal característica para não se arrepender após uma compra é realizar um estudo sobre a utilidade e necessidade real dos objetos em questão. Definindo esses critérios, fica difícil qualquer tipo de arrependimento.

Publicado originalmente no Recanto das Letras em: 17/05/2014

 

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4 comentários em “Kindle: Minha Experiência com e-reader (Republicação)

  1. Ler é viver ne ? Vc me lembra uma pessoa do Facebook que amava polemizar e falar dos ateus kkk fiquei meio decepcionada com o irmão dele (nosso irmão na fé) mas são coisas da vida. Ninguém é perfeito!

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